Por uma campanha política de massas

Albano Nunes (Membro da Comissão Política)

A preparação para as eleições de 5 de Junho para a Assembleia da República não é, longe disso, a única tarefa a que temos de consagrar grande atenção e energias. Temos de continuar na vanguarda da luta em defesa dos interesses dos trabalhadores e das populações. E na linha do comício realizado no passado sábado na Rua Augusta em Lisboa, temos de fazer tudo quanto estiver ao nosso alcance para derrotar as novas e graves ameaças que a intervenção da União Europeia e do FMI fazem pesar sobre Portugal e os portugueses.

«Há um Partido que existe para servir o povo e não para se servir»

Simultaneamente vamos trabalhar e lutar com determinação e confiança para conquistar o voto do maior número possível de portugueses, com a convicção de que a indispensável ruptura e mudança de que o País urgentemente precisa passa também por uma forte votação na CDU.

A gravidade sem precedentes da ofensiva antipopular e antinacional que aí está, com as classes dominantes abertamente conluiadas com o grande capital transnacional contra os interesses do povo e do País, tornam excepcionalmente exigente a intervenção geral e eleitoral dos comunistas, num quadro de grande desproporção de meios e enfrentando uma colossal operação de diversão ideológica que visa justificar décadas de contra-revolução e de políticas de direita e induzir a ideia perversa de que tudo passa pelo PS, PSD e CDS e pelo seu entendimento ainda mais estreito, em nome do que chamam «interesse nacional» mas que de facto é o interesse do grande capital sem pátria.

Perante uma tal situação só há um caminho, o caminho apontado pelo Comité Central na sua reunião de 3 de Abril: tornar a campanha pré-eleitoral e eleitoral da CDU uma grande campanha política de massas, uma campanha de grande proximidade concretizando a acção decidida pelo CC «Um milhão de contactos para uma política patriótica e de esquerda», uma campanha que, a par da divulgação bem orientada da propaganda escrita, seja sobretudo de diálogo e esclarecimento, dirigida ao espírito crítico e à inteligência dos portugueses.

Uma campanha difícil, exigindo muita militância e criatividade, em que aqui e além teremos de vencer rotinas e enconchamentos se queremos que a mensagem e as propostas do Partido cheguem efectivamente onde devem chegar, nomeadamente à juventude, e penetrando fundo naqueles sectores que estão connosco na luta social e respeitam o Partido, mas não acreditam que o PCP «possa lá chegar» e que, apesar de tantas amargas desilusões ainda depositam esperanças nos partidos da política de direita.

 

Uma campanha exigente

 

Uma campanha confiante, de um partido que é portador de um riquíssimo património de análises, previsões e propostas a que a experiência veio dar inteira razão, desde as consequências da destruição das conquistas da revolução às da entrada de Portugal na CEE e no euro, passando pelo problema do definhamento da produção nacional e do endividamento externo, questões que estão no centro da crise do País.

Uma campanha que mostre àqueles que nos ouçam que os partidos não «são todos iguais», que há um Partido que existe para servir o povo e não para se servir, de uma só cara e de uma só palavra, que ao longo dos seus 90 anos de existência mostrou ser uma força indispensável aos trabalhadores e à sua luta por uma vida melhor.

Uma campanha que, desmontando o mentirosos discurso de Sócrates, mostre que o PCP sempre fez acompanhar o seu empenhamento prioritário na luta de massas contra a ofensiva anti-social e antinacional do capital, com a apresentação de propostas alternativas para a solução dos problemas do povo e do País como por exemplo aconteceu com a silenciada conferência de imprensa de 5 de Abril em que, entre outras medidas, o Secretário-geral do PCP propôs a renegociação imediata da dívida externa.

Uma campanha que popularize e explique a concepção avançada pelo CC de um governo patriótico e de esquerda para concretizar a ruptura e a mudança necessárias, proposta que não se dirige a nenhum sector político em particular, mas a todas as «forças e sectores políticos, democratas e personalidades independentes que se identificam com a política patriótica e de esquerda», proposta cuja concretização não está ao virar da esquina, tem de ser conquistada pela luta e para a qual é de decisiva importância o reforço do PCP e da CDU.

Uma campanha necessariamente articulada com a luta quotidiana em defesa dos interesses dos trabalhadores e das populações, em que as celebrações do 25 de Abril e do 1.º de Maio assumem ainda maior importância, pela oportunidade que representam de dar expressão organizada e combativa à onda de indignação e protesto que percorre o País.

Uma campanha em que têm de estar sempre presentes as tarefas de organização e de afirmação do projecto revolucionário dos comunistas, e tanto mais quando as condições são favoráveis ao reforço das fileiras do Partido e ao alargamento do seu apoio de massas.



Mais artigos de: Opinião

Os Vampiros

Razão tinha o Zeca Afonso. Se alguém se engana com seu ar sisudo, e lhes franqueia as portas à chegada, eles comem tudo, comem tudo e não deixam nada. O guião que afundou a Grécia e a Irlanda chegou agora a Portugal. A aliança do grande capital financeiro nacional e...

Compulsão

O congresso do PS será pasto farto para todos quantos se dedicam a fenómenos compulsivos. Do princípio ao fim, dos discursos aos simbolismos escolhidos, dos filmes exibidos às mensagens apresentadas, o evento e o ambiente que o envolveu é um caso sério de estudo sobre o impulso...

O Manual de Campanha de Sócrates

Este Congresso do PS, embora tivesse decorrido numa espécie de «universo paralelo», em que a mentira mais ou menos aberrante ocultou e mistificou a realidade, comporta elementos para reflexão e intervenção. Um desses elementos é que as intervenções de...

O que existe abaixo da baixa política?

A política de direita tem os protagonistas que merece. Nem poderia ter outros: troca-tintas, aldrabões, hipócritas, gente que anda com um pé dentro e outro fora da lei, há de tudo. Este fim-de-semana mostrou-os em todo o seu esplendor. Naturalmente que a maior...

Vaticínios

Dois economistas norte-americanos, ambos Prémio Nobel da Economia e nenhum aparentado, sequer vagamente, à visão marxista-leninista dos processos económicos mundiais (Paul Krugman foi membro da administração Reagan e Joseph Stiglitz serviu a administração Clinton),...