Denúncia e condenação em Lisboa
Centenas de pessoas manifestaram-se, dia 23 de Março, frente à Embaixada dos EUA em Portugal, contra a agressão imperialista aos povos da Líbia e do Baharein, e exigiram a paz. À concentração de Lisboa juntaram-se muitos outros, em todo o mundo, como aconteceu no Porto ou em Nova Iorque.
Manobras que tentam mascarar as profundas responsabilidades dos EUA
Este acto de indignação e protesto contra a guerra e de luta pela paz, organizado pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação, terminou com a intervenção de Filipe Ferreira que condenou mais uma «agressão a um país soberano e uma escalada de guerra de que o povo líbio é a primeira vítima».
«A denúncia e a condenação de mais esta agressão são uma exigência para todos aqueles que, como nós, defendem a paz, o respeito dos direitos do homem e dos povos, incluindo o direito à soberania, a não ingerência nos assuntos internos dos outros estados e a solução pacífica dos conflitos internacionais», salientou o membro do CPPC, que defendeu a «abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, de domínio e exploração, bem como a criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos».
Numa mensagem dirigida a Barack Obama, Filipe Ferreira lembrou ainda que aquelas pessoas que ali se encontravam, assim como muitos portugueses, não se deixam iludir pelas manobras que tentam mascarar as profundas responsabilidades dos EUA no desencadear desta agressão à Líbia, uma vez que «é norte-americano o comando militar desta operação».
«Ataque que é a aplicação prática do novo conceito estratégico da NATO, adoptado, em Novembro, na Cimeira de Lisboa», salientou, criticando ainda «o papel dos seus aliados na União Europeia e da NATO», onde se destacam a França e o Reino Unido. Denunciou, por outro lado, o «papel subserviente do Governo português, que, espezinhando uma vez mais a Constituição da República, votou favoravelmente no Conselho de Segurança das Nações Unidas a resolução 1973/2011».
Filipe Ferreira falou igualmente da «desmesurada» campanha mediática de desinformação, que tenta criar junto da opinião pública condições para a aceitação de mais esta guerra de agressão imperialista. «Apesar da opinião que tenhamos da natureza e evolução do governo líbio, não podemos aceitar que esta intervenção tenha alguma vez tido como objectivo proteger o povo. Assim como a salvaguarda dos interesses dos povos da Jugoslávia, do Iraque ou do Afeganistão não foi a causa das agressões a esses países, aliás, tal como a violenta realidade aí o está a demonstrar», sublinhou, explicando que estas agressões «tiveram sempre em mira assegurar o domínio político e económico dessas regiões».