PCP contra roubo nos combustíveis

Aumentos para engordar petrolíferas

O PCP promoveu, na segunda-feira, em todo o País, uma acção nacional de protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis que, garante, serve para engordar os lucros das petrolíferas.

Centenas de empresas não suportaram o aumento dos combustíveis

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Em mais de 100 postos de abastecimento em todo o País, bem como noutros locais de grande concentração popular, dirigentes e militantes do PCP distribuíram um folheto e conversaram com os automobilistas sobre mais este roubo que PS, PSD e CDS-PP impõem ao povo português. Para os comunistas, este aumento insere-se no brutal agravamento do custo de vida que a política do PS tem promovido nos últimos meses e que tanto tem penalizado as condições de vida da população e a economia nacional.

No folheto distribuído nessas acções, o PCP lembra que os aumentos dos preços dos combustíveis «são inseparáveis da política de direita que PS, PSD e CDS, com o apoio do Presidente da República, têm vindo a impor ao País». Acrescenta-se que na origem destes aumentos está a privatização de empresas como a GALP; a liberalização de preços no sector, que «ao contrário do que prometiam» veio agravá-los; e uma política que protege os lucros dos grupos económicos, através de benefícios fiscais e outros privilégios. Com a justificação da «subida» e «instabilidade» dos preços do petróleo, ajudados pela subida do IVA em dois pontos percentuais e pelo fim da isenção fiscal no biodiesel, «a gasolina e o gasóleo ultrapassam os altíssimos preços de 2008».

Esta situação é ilustrada, no folheto, por um gráfico onde se revela que desde a liberalização dos preços tanto o valor dos combustíveis como os lucros das petrolíferas aumentaram exponencialmente. Se antes da liberalização os lucros da GALP rondavam os 291,7 milhões de euros, poucos anos depois – em 2008 – atingiram os 1049,2 milhões de euros. Entre 2004 e 2010, a GALP obteve de lucros antes de impostos 4748,3 milhões de euros (ou seja, 678,3 milhões de euros por ano). Em contrapartida, entre 2000 e 2003 – isto é, até à liberalização dos preços –, teve um lucro médio anual de 138,8 milhões de euros.

 

Estado deve assumir o controlo

 

Intimamente ligado com este súbito e brutal aumento dos lucros da GALP (semelhante ao verificado nas outras empresas do sector como a Repsol, a BP ou a Cepsa) está o aumento dos preços dos combustíveis. No final de 2003, a gasolina custava 0,97 euros, tendo passado em 2008 para 1,32. Só durante o último ano, a gasolina aumentou 13,9 por cento, o gasóleo 25,7 por cento, o fuelóleo 22,8 por cento e o GPL 21,6 por cento.

Os comunistas rejeitam ainda a tese de que o problema do aumento dos custos se prende com os impostos. «No último ano, o preço do gasóleo em Portugal sem impostos passou do 5.º mais elevado para o 3.º mais elevado da UE. Em Janeiro de 2011, o preço da gasolina 95 sem impostos em Portugal era o 5.º mais elevado da UE.»

Para pôr cobro a esta situação o PCP propõe, a par da recuperação para o Estado do controlo deste sector, a afixação de um preço máximo dos combustíveis; a instalação de uma rede nacional de baixo preço, a começar pela GALP, como se verifica em alguns postos das grandes superfícies comerciais; o estabelecimento de um preço específico para os sectores dos transportes e produtivos; instalação de uma rede nacional de Gás Natural Comprimido e reforço da rede de GPL (Gás de Petróleo Liquefeito).



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