Apostar na produção
De passagem pelos distritos de Portalegre e Coimbra, respectivamente no domingo e na segunda-feira, Francisco Lopes defendeu a aposta nos sectores produtivos como solução para os problemas que o País enfrenta.
Não há futuro para o País sem a afirmação da soberania
Num almoço em Nisa, que contou com mais de uma centena de apoiantes, e numa sessão pública em Sousel, o candidato comunista salientou que é nos distritos do interior que são mais visíveis as «dificuldades, o retrocesso e o declínio que caracteriza hoje a situação do País», fruto de mais de 35 anos de política de direita. Mas é também ali que estão mais à vista as suas imensas potencialidades, acrescentou.
É precisamente no aproveitamento dos recursos nacionais – fundamental para criar de emprego e dinamizar a produção – que Francisco Lopes aposta para desenvolver o País. Aliás, afirmou, «não há futuro para Portugal se não for assumido no quadro da soberania e da auto-suficiência em termos essenciais». A candidatura comunista, explicitou, não defende um País «isolado da Europa e do mundo», mas não confunde «cooperação» com «submissão».
O que não pode continuar é, para Francisco Lopes, este caminho que, «em nome do Euro e do Banco Central Europeu, vai sacrificando, ano a ano e década a década, o futuro do País». Da União Europeia vieram «várias dezenas de milhares de milhões de euros» em fundos comunitários, mas não pagaram «aquilo que foi destruído», o que o País antes produzia e passou a importar. Não é, como alguns dizem, a Alemanha que está a pagar para Portugal – pelo contrário, são os portugueses que ao comprar lá fora o que antes produziam estão a pagar os «lucros dos grandes grupos económicos da Alemanha e de outros grandes países da União Europeia».
Francisco Lopes guardou ainda uma palavra para os autarcas comunistas do distrito de Portalegre que enfrentam com tenacidade as dificuldades impostas pelo poder central e não desistem de lutar pelas populações dos seus concelhos e freguesias. «Os eleitos comunistas do Poder Local estão a mostrar a sua “fibra”», valorizou o candidato.
Substituir importações
Francisco Lopes voltou ao distrito de Coimbra, desta vez ao concelho de Tábua, para contactar com os trabalhadores da fábrica de sofás Aquinos, junto às instalações da unidade industrial. Enquanto distribuía os folhetos da campanha – nos quais manifesta a sua Confiança nos trabalhadores, no povo e no País – o candidato não poupou nas palavras de estímulo e nos apelos à luta pela ruptura e pela mudança.
À comunicação social afirmou que a sua presença ali representava a necessidade de «valorizar o factor trabalho em detrimento do capital». Ou seja, precisamente o oposto do que tem sido feito, como mostra o roubo que representa para os trabalhadores com menores rendimentos o adiamento do aumento do Salário Mínimo Nacional para 500 euros, que era para ser aplicado a 1 de Janeiro.
Na generalidade do interior do País, e em particular no concelho de Tábua, é cada vez mais claro o abandono das terras, o desaproveitamento da floresta e a destruição das indústrias, afirmou Francisco Lopes no jantar realizado na sede da Liga dos Amigos da Freguesia de Ázere. As consequências mais visíveis disso são a desertificação e o regresso em força da emigração, acrescentou o candidato.
Para o candidato, há que recuperar a agricultura, as pescas e todo o sector produtivo para criar emprego e fixar as pessoas às suas terras, travando a imensa sangria que desde há décadas vem condenando o interior ao definhamento. Apostar na produção permitiria ainda aumentar os salários e dar mais oportunidades ao jovens, uma das camadas mais afectadas pelo desemprego e fortemente penalizada pela precariedade.
Francisco Lopes não deixou passar em claro as responsabilidades daqueles que, como Cavaco Silva, têm tido elevadas responsabilidades governativas e políticas no País. E que «só têm tido olhos para beneficiar meia dúzia de famílias que têm acumulado lucros imensos. Haja ou não haja crise, haja ou não haja défice, eles enriquecem enquanto o País empobrece».