Governo faltou à verdade
O Governo «faltou à verdade» ao Parlamento no que se refere à transferência de prisioneiros de Guantánamo. A acusação é do PCP, que lembra que o ministro dos Negócios Estrangeiros assumiu que se demitiria se viesse a provar-se o contrário.
Falando aos jornalistas na Assembleia da República, em resposta à questão de saber qual a opinião do PCP sobre o comportamento de Luís Amado e ilações a tirar das suas afirmações, nomeadamente quanto a uma possível demissão, o deputado comunista António Filipe afirmou: «Bom, foi ele que o disse: que o faria se se demonstrasse alguma vez que aquilo que ele estava a dizer não correspondia à verdade. Isso está demonstrado».
António Filipe lembrou que a sua bancada «propôs a realização de inquéritos parlamentares sobre esta matéria», diligências que esbarraram sempre na recusa do PS, PSD e CDS, desafiando por isso estes partidos a esclarecerem se tencionam mudar de posição.
Sobre as informações divulgadas pelo Wikileaks quanto à utilização do espaço aéreo nacional para transferência de prisioneiros de Guantánamo, o deputado do PCP fez notar que agora «o Governo é obrigado a reconhecer aquilo que negava peremptoriamente antes».
Referia-se, concretamente, a afirmações no Parlamento quer do chefe do Governo quer do titular da pasta dos Negócios Estrangeiros em que estes garantiam não «ter havido qualquer pedido ou qualquer solicitação, fosse de quem fosse, relativamente ao sobrevoo, à utilização do nosso espaço nacional e do nosso espaço aéreo para prisioneiros de Guantánamo».
«E aquilo que o Governo já reconhece é que efectivamente houve negociações entre ambas as partes ao nível dos Negócios Estrangeiros. E isto revela que o Governo de facto faltou à verdade à Assembleia da República – quer o ministro dos Negócios Estrangeiros quer o próprio primeiro-ministro», sustentou.
Recorde-se que a edição do jornal espanhol El País do dia 16 cita telegramas diplomáticos divulgados pelo portal, segundo os quais o primeiro-ministro, José Sócrates e o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, autorizaram que voos de repatriamento de prisioneiros de Guantánamo sobrevoassem o espaço aéreo português ou fizessem escala nas Lajes, nos Açores.