Marrocos despreza direito internacional
O presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática, Tiago Viera, foi impedido de entrar, no dia 30 de Outubro, no Saara pelas autoridades marroquinas.
Em visita a Laayoune, após apelo e convite da organização de juventude saarauí UJSARIO, dada a situação de cerco que o exército marroquino tem imposto aos activistas no Saara Ocidental (cerco que já levou à morte de um jovem de 14 anos assassinado há poucos dias pela polícia marroquina), o, também, coordenador da Comissão Organizadora do Comité Internacional do 17.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes foi abordado pela polícia marroquina ainda no interior do avião procedente de Casablanca.
Retido no avião, Tiago Vieira, também dirigente da JCP e membro do Comité Central do PCP, foi posteriormente obrigado a regressar para Casablanca, privado do passaporte. Ao chegar àquela cidade, foi levado por um carro da polícia, nova detentora do passaporte, que o encaminhou para uma sala onde além do frio e ausência de sítio para dormir, ficou mais de 15 horas sem qualquer justificação, tendo embarcado posteriormente para Portugal.
PCP exige justiça
Em nota do Gabinete de Imprensa, o PCP repudia «a actuação das diversas autoridades marroquinas envolvidas numa acção atentatória de várias regras do direito internacional, de acordos existentes entre Portugal e Marrocos no âmbito da circulação de pessoas, assim como dos direitos humanos» e promete usar «dos meios institucionais e legais ao seu dispor para exigir das autoridades marroquinas um pronto e cabal esclarecimento do sucedido, bem como o necessário pedido de desculpas formal a Tiago Vieira, enquanto presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática».
Do Governo, os comunistas exigem «a necessária acção junto da representação diplomática em Marrocos» e uma inequívoca «condenação» das acções praticadas contra Tiago Vieira e contra a FMJD.
João Ferreira, deputado do PCP no Parlamento Europeu, também solicitou informações ao Conselho Europeu sobre o caso.