Ângelo Veloso faria 80 anos

Exemplo que não esquecemos!

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Afas­tado pre­co­ce­mente da luta do seu Par­tido, Ângelo Ve­loso per­ma­nece um exemplo para todos os que pros­se­guem o com­bate pelo so­ci­a­lismo e o co­mu­nismo, pro­jecto ao qual de­dicou a vida in­teira, ao lado do povo re­sis­tindo ao fas­cismo e na cons­trução e de­fesa de Abril.

Se fosse vivo, o his­tó­rico di­ri­gente do PCP tinha cum­prido, no pas­sado dia 1 de No­vembro, 80 anos de vida. A morte que tantas vezes en­frentou com de­sas­sombro, quer na clan­des­ti­ni­dade quer nos cár­ceres fas­cistas, levou-o aos 59 anos. A 17 de Se­tembro de 1990, mi­lhares de ca­ma­radas acom­pa­nharam o seu corpo ao ce­mi­tério do Alto de São João.

O cor­tejo de mais de uma hora ini­ciado no CT de Al­cân­tara foi uma ce­le­bração da vida que, desde cedo, Ângelo Ve­loso es­co­lheu – a mi­li­tância co­mu­nista, à qual re­gres­sava sempre, de ca­beça er­guida e com en­tu­si­asmo, após anos de re­clusão e tor­turas nas pri­sões fas­cistas.

Ângelo Ve­loso era «um homem com a pro­funda e justa con­vicção de que para servir o povo e o País vale a pena ser co­mu­nista. (…). Faz-nos falta, muita falta. Ele sabia porém al­guma coisa muito im­por­tante como todos nós sa­bemos: se o ca­minho da luta é ine­vi­ta­vel­mente mar­cado por vidas que se apagam, a força do nosso Par­tido in­ces­san­te­mente se re­nova (…) com novos ca­ma­radas que em­pu­nham com de­cisão o tes­te­munho que lhes passam os que de­sa­pa­recem por vir­tude das leis da na­tu­reza. Ele sabia, como todos nós sa­bemos, que a luta é também por si fonte de energia e fonte de vida».

As pa­la­vras de Álvaro Cu­nhal, pro­fe­ridas du­rante as ce­ri­mó­nias fú­ne­bres, con­servam aguda ac­tu­a­li­dade. Por isso, olhando para o per­curso de Ângelo Ve­loso, os co­mu­nistas de hoje não apenas o saúdam como dele re­tiram ex­pe­ri­ên­cias va­li­osas e força para a acção re­vo­lu­ci­o­nária.

 

Breves notas bi­o­grá­ficas

 

Na­tural do Porto, Ângelo Ve­loso in­gressou na uni­ver­si­dade da­quela ci­dade e, pos­te­ri­or­mente, trans­feriu-se para Lisboa, onde se des­taca no mo­vi­mento po­lí­tico es­tu­dantil, con­ti­nu­ando, aliás, a ac­ti­vi­dade já ini­ciada no MUD – Ju­venil.

Em 1949, adere ao PCP e em 1950 é preso pela pri­meira vez. Cinco anos de­pois, a PIDE vol­taria a en­car­cerá-lo, quando já in­te­grava a Co­missão Cen­tral do MUD – Ju­venil. É jul­gado junto com ou­tros 82 an­ti­fas­cistas.

Em 1959 passa a fun­ci­o­nário do Par­tido e mer­gulha na clan­des­ti­ni­dade. As­sume su­ces­si­va­mente o con­trolo de or­ga­ni­za­ções em Lisboa e Vale do Tejo. Em 1966 é co­op­tado para o Co­mité Cen­tral como su­plente e em 1967 passa a membro efec­tivo.

Preso pela ter­ceira vez em 1969, só viria a ser li­ber­tado em 1974. Já em li­ber­dade, de­dica-se à cons­trução do Por­tugal de Abril e ao des­man­te­la­mento do apa­relho fas­cista, pri­meiro na Or­ga­ni­zação Re­gi­onal do Norte e de­pois na do Porto.

No VIII Con­gresso do PCP é eleito membro su­plente da Co­missão Po­lí­tica, e no X Con­gresso passa a membro efec­tivo da­quele órgão exe­cu­tivo, no qual se mantém até ao XIII Con­gresso (Ex­tra­or­di­nário).

Ângelo Ve­loso foi de­pu­tado à As­sem­bleia Cons­ti­tuinte e à As­sem­bleia da Re­pú­blica, e em 1985 foi can­di­dato à pre­si­dência da Re­pú­blica.



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