ETA reitera proposta de diálogo
Pela terceira vez neste mês, a ETA exprimiu publicamente a sua vontade de procurar uma solução para o conflito no País basco, «mediante o diálogo e a negociação».
Em entrevista publicada no domingo, 26, no diário Gara, representantes da organização independentista armada, fizeram questão de responder ao apelo feito na véspera, em Guernica, por um conjunto de organizações bascas, vincando a sua disposição para observar um cessar-fogo permanente e verificável e «também para ir mais longe se forem criadas as condições para isso».
«O objectivo consiste na resolução democrática do conflito político, em sarar para sempre a ferida, e isso exige que todos ajam com responsabilidade», afirma a organização, explicando mais à frente quais são «os mínimas democráticos» de que o processo necessita: «devem ser tomadas as medidas necessárias para que todos os agentes possam agir em igualdade de condições, sejam estabelecidos os direitos civis e políticos, suspensos os castigos suplementares impostos aos presos políticos bascos e, em geral, toda a situação de pressão, ingerência e violência.»
Considerando que cabe aos agentes políticos e sociais bascos fixar os objectivos, o método, as regras e o conteúdo do diálogo, os representantes da ETA insistem que «sobretudo, é preciso dar a palavra à cidadania basca», e que «se alguém considera que, sem atender à solução do conflito na sua integridade, é possível reduzir o processo a uma mera desactivação da luta armada, estará a fazer um cálculo errado».
O apelo de Guernica
No sábado, 25, a esquerda independentista basca apelou a um «um cessar-fogo permanente, unilateral e verificável». O documento, intitulado «Acordo para um cenário de paz e soluções democráticas», foi divulgado na localidade de Guernica, no norte de Espanha, por cinco forças políticas (Batasuna, Aralar, Alternatiba e Abertzaleen Batasuna e Eusko Alkartasuna) e 23 representantes políticos, sindicais e sociais do País Basco.
Pronunciando-se pelo «abandono definitivo da luta armada», o texto exige igualmente ao governo espanhol «o desaparecimento de todo o tipo de ameaças, pressões, perseguições, detenções e torturas contra qualquer pessoa em função da sua actividade e ideologia política».