«Racistas no parlamento, não!»
Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se, na segunda-feira, nas principais cidades da Suécia, em protesto contra a entrada no Parlamento do partido de extrema-direita, na sequência das legislativas realizadas na véspera.
Na capital, Estocolmo, cerca de dez mil pessoas concentraram-se na praça Sergel exibindo cartazes em que se lia «Nenhum racista no Riksdag» (parlamento), «Parem com as expulsões das pessoas que pedem asilo político» e «Não aos Democratas da Suécia», nome do partido de extrema-direita que no domingo obteve 5,7 por cento dos votos e conquistou 20 lugares no hemiciclo. Da praça, a manifestação seguiu para as imediações do Parlamento.
Na cidade de Gotemburgo, mais de cinco mil manifestantes, muitos vestidos de preto, protestaram em jeito de marcha fúnebre e, em Malmö, juntaram-se cerca de mil pessoas.
Os protestos foram convocados, de forma espontânea através da Internet, por vários grupos de cidadãos chocados com a representação parlamentar do partido xenófobo.
A este resultado inédito da extrema-direita somam-se a igualmente inédita segunda vitória consecutiva da aliança de centro-direita, liderada pelo primeiro-ministro, Fredrik Reinfeldt, (49,2% e 172 deputados), e o pior resultado de sempre da social-democracia, que se ficou pelos 30,8 por cento dos votos.
No seu conjunto, a aliança de «esquerda», onde se integram para além dos sociais-democratas os Verdes e o partido A Esquerda, recolheu 43,7 por cento dos votos, elegendo 157 deputados.
Governo minoritário
Apesar de ter perdido a maioria absoluta no parlamento, constituído por 349 deputados, Reinfeldt garantiu que não fará acordo algum com a extrema-direita: «Fui claro, não iremos cooperar ou ficar dependentes dos Democratas da Suécia», disse o primeiro-ministro, acrescentando preferir um entendimento com os Verdes. Todavia, estes últimos, que dispõem de 25 deputados, já responderam que «será difícil para nós, depois desta campanha, encarar os eleitores e dizer-lhes que vamos cooperar com o governo».
O resultado da extrema-direita é no entanto indissociável das políticas anti-sociais seguidas nos últimos anos pelo governo de centro-direita. A redução dos direitos sociais, as privatizações e as políticas fiscais agravaram as desigualdades num país que foi apontado até ao final do século passado como um expoente de equidade, no quadro do regime capitalista.
Foi este rumo que levou antes ao descrédito a social-democracia, que governou durante 65 dos últimos 78 anos. E foram os desequilíbrios e o agravamento do fosse entre pobres e ricos que criaram o terreno propício ao discurso populista e xenófobo da extrema-direita. Note-se que foi exactamente nas regiões do Sul, onde a influência social-democrata é mais forte, que os Democratas da Suécia mais subiram de votação.