Os comunistas exigem uma sociedade nova!…

Jorge Messias

Quanto mais se intensifica a confusão geral como método para prolongar ao máximo a vida do sistema capitalista, tanto mais forte terá de ser a intervenção comunista no sentido da reposição da verdade, de ruptura com o sistema e de proposta alternativa de mudança. Os comunistas reclamam o saneamento da vida pública, é certo, mas ninguém pense que essa é a sua meta final. O marxismo-leninismo visa desmascarar as forças capitalistas, não para as reformar - tal como pretendem socialistas utópicos, católicos progressistas ou democratas pequeno-burgueses – mas para as expulsar definitivamente da área do poder político e económico. Os comunistas lutam por um novo espaço e por um novo tempo quando, rompendo com o actual estado de coisas, os povos conquistarem livre acesso aos centros de decisão e à sua intervenção preponderante em tudo o que diga respeito ao progresso colectivo e aos direitos e deveres de cidadania. Lutam, enfim, pela construção de uma democracia real cujo ponto de partida seja o pleno exercício dos direitos fundamentais já conquistados em Abril e depois se alargue e aperfeiçoe sempre através da livre expressão do voto popular. Repor-se-ão assim os princípios revolucionários da negação do fascismo e abrir-se-ão as portas do futuro a uma sólida base progressista de trabalhadores, intelectuais e outros homens livres, de todos os credos e de todas as cores. As barreiras convencionais serão ultrapassadas e o povo comum – até aqui ignorado pelo Poder - será chamado a pronunciar-se sobre as formas de condução de todas as linhas de força de governação do grande colectivo nacional. Então, se o povo português assim o entender, chegará o dia em que um país rejuvenescido poderá proclamar em Portugal uma sociedade sem classes. Tudo isto não é para já. Só virá mais tarde.

O projecto comunista é pois de unidade e de mudança. Mas os comunistas têm plena consciência de que para se concretizar, o projecto que defendem necessita de ganhar o apoio de uma maioria esmagadora do povo português. Não admira, portanto, que as propostas que vão fazendo, uma a uma, sejam fruto permanente da experiência colectiva dos trabalhadores e do povo em geral. Nem causa espanto que no lamaçal de intrigas e de escândalos a que assistimos, os comunistas permaneçam intocáveis. Têm uma Ética que não lhes é imposta mas que exige de cada um deles entrega e serviço. É o que a história demonstra.

O tema pobreza não surge deslocado num espaço atribuído à crítica das religiões. Por toda a parte no mundo, a pauperização brutal dos trabalhadores e das famílias é acompanhada não só pela formação de novas fortunas milionárias de uma minoria mas também pela valorização em flecha dos patrimónios religiosos. Isto acontece não só com o Catolicismo cristão (a cujas majestáticas instituições financeiras se acolhem os interesses materiais do imenso cortejo de outras confissões religiosas e laicas, das fundações, das estruturas «caritativas» da sociedade civil, da especulação financeira, etc.) mas com todas as grandes religiões organizadas ligadas ao Estado, do Islamismo às obscuras «Novas Igrejas», tão aparentadas com os off-shores.

Em todos estes gigantescos impérios, as religiões aliam-se às classes dominantes e identificam-se com os seus interesses. E como a fortuna pessoal mal distribuída gera a miséria, as religiões acumulam lucros, enriquecem, transformam-se elas próprias em braços da exploração e sofrem, consequentemente, os efeitos da erosão moral. Os tabus vão-se apagando. As igrejas tapam essa brecha com a aquisição de mais poder.

Os próprio livros sagrados manifestam uma certeza: «Os pobres, tê-los-eis sempre convosco». Os pobres são matéria-prima que a doutrina cristã olha com interesse. A «pobreza» pode ser um castigo de Deus. Atinge os mais humildes, os seres inferiores que na vida não não têm talento para se organizarem e defenderem. A pobreza pode resultar do castigo dos pecados. Mas Jeová que a criou, também dotou os crentes com sentimentos de Caridade e de Solidariedade para com os mais desfavorecidos. A oração «contra a pobreza» é uma forma de combater o pecado enquanto Deus ilumina os corações dos ricos. A solidariedade cristã é outra via que passa, naturalmente, pelas instituições católicas.

O marxismo faz uma análise da pobreza completamente oposta.

Há no mundo biliões de pobres. Existem porque a organização social os produz. Morrem de sede, morrem à fome, morrem sem abrigo, morrem vítimas das guerras ? É porque os interesses dominantes de classe assim o impõem. Depois da morte das gerações de pobres, outros pobres virão. Sobre as suas campas rasas erguer-se-ão catedrais, entrepostos, mansões de luxo, prostíbulos doirados, paraísos fiscais…

Só rompendo com tudo isto os povos erguerão cabeça e o rio de lama se estancará! E isso está ao nosso alcance, se tivermos coragem para lutar. Em parceria com os católicos honestos, se quiserem escutar as nossas razões.



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