Reforçar a Emergência Médica
O PCP acusou, anteontem, o Ministério da Saúde de estar «mais preocupado com o combate ao défice do que com a saúde dos portugueses». Em conferência de imprensa, Jorge Pires, da Comissão Política, denunciou um conjunto de «anomalias na gestão do Instituto Nacional de Emergência Médica que, a não serem resolvidas, terão como consequência o risco de vida para muitos dos portugueses que vierem a precisar do apoio da emergência médica».
Das anomalias referidas, o PCP destaca a carência de recursos humanos de todos os sectores, particularmente médicos e enfermeiros, levando à «inoperacionalidade em alguns turnos das ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) e dos Helicópteros». As dívidas a fornecedores (muitos dos quais já se recusam a fornecer o INEM), que levaram à ruptura de materiais; os pagamentos em atraso aos bombeiros, no valor de milhões de euros, e aos médicos dos helicópteros são outros dos problemas que o Partido considera estarem a pôr em causa a eficácia do socorro em Portugal – numa época do ano em que o número de pedidos de socorro sobe significativamente.
As VMER de Bragança e Torres Novas, por exemplo, ficam inoperacionais com frequência, por falta de médicos e as SIV de Elvas, Estremoz e Moura que, por falta de enfermeiros, têm vindo a ser substituídas por SBV (só com técnicos de ambulância). A indisponibilidade da equipa de enfermagem do helicóptero de Santa Comba Dão, por não pagamento de salários, fará com que este meio fique inoperacional a maior parte do tempo a partir de 1 de Agosto.
Tudo isto ganha uma gravidade ainda maior num contexto marcado pelo encerramento de um conjunto de serviços de proximidade, nomeadamente urgências hospitalares e SAP, com a garantia de que seriam substituídos com vantagem por uma rede móvel de socorro que seria reforçada em equipamentos e meios humanos.
«Infelizmente a vida tem confirmado ao longo destes últimos quatro anos a falência dos meios e as consequências dramáticas para muitos cidadãos que precisaram deste tipo de cuidados», constatou Jorge Pires. Face a isto, o PCP defende que sejam assegurados e reforçados os meios ao dispor do sistema de emergência médica e, desde já, a implementação de um conjunto de medidas de financiamento que permita pagar salários em atraso e o pagamento a fornecedores; o recrutamento de pessoal em falta com formação adequada; e a reabertura dos serviços de urgência entretanto encerrados.