Conluio e promiscuidade
Terminaram sexta-feira passada os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito ao «caso TVI» com a aprovação do relatório final onde é referido que o primeiro-ministro e o Governo «tinham conhecimento» das diligências para a compra da TVI. O texto foi aprovado com os votos favoráveis do PCP, BE, PSD e CDS/PP, os votos contra do PS e a abstenção do presidente da comissão, Mota Amaral.
Na semana que precedeu a sua aprovação, já depois da apresentação do relatório pelo deputado João Semedo (BE), os trabalhos da comissão foram marcados pelas propostas de alteração subscritas pelo PS. Todos os partidos da oposição convergiram na crítica ao seu conteúdo, vendo nelas uma tentativa dos deputados do PS de «branquear» a actuação do Governo.
Para João Oliveira, deputado comunista que integrou a comissão, as propostas foram elaboradas no sentido de subverter o relatório, tendo acusado o PS de ter procurado «construir uma realidade ficcional».
Quanto às conclusões apuradas pela comissão, segundo o deputado do PCP, «há uma conclusão política que deve ser retirada que é a promiscuidade entre o poder político e o económico com repercussão no condicionamento da comunicação social».
O parlamentar comunista não tem dúvidas quanto ao «conluio» e à «ligação umbilical» entre aqueles dois poderes - ligação já «antiga», sublinha -, sendo que, em sua opinião, «o que é novo é o sentimento de impunidade manifestado pelos envolvidos no processo» da tentativa de aquisição da TVI pela PT.