Decoro e bom senso
O título não respeita a nenhum filme, embora não faltem para aí fitas, cada uma mais escabrosa do que a outra, no que se convencionou a nossa vida política e social. Quem de fora nos visite ou se dê ao trabalho de seguir as intervenções dos três «principais partidos» nacionais não poderá deixar de ficar perplexo.
As universidades estão em pé de guerra, mas o presidente do grupo parlamentar do partido do primeiro-ministro inflama os seus correligionários acusando os socialistas de terem transformado a Assembleia da República numa espécie de «casa do Big Brother».
Os trabalhadores dos mais diversos sectores lutam pela defesa dos seus postos de trabalho e de direitos consagrados na Constituição, mas uma responsável do PS domina as atenções da comunicação social com a candente questão sobre se a Procuradoria Geral da República está ou não a investigar a notícia da revista francesa «Le Point» sobre dois alegados ministros portugueses pedófilos.
O Governo perdeu dois ministros num escandaloso caso de tráfico de «cunhas», mas os deputados da maioria fizeram uma declaração de fé na confiança depositada nos faltosos, chegando mesmo o porta-voz do CDS a manifestar a sua total compreensão e solidariedade com o pai que não olhou a meios para facilitar a vida à filha.
Um comandante dos bombeiros que promovia viagens turísticas à custa do erário público foi destituído de funções e desapareceu de cena, mas não se ouviu um único argumento a justificar por que razão paga o Governo milhares de contos a uma empresa privada em vez de dotar o serviço nacional de bombeiros com os meios aéreos de que necessita.
Já se gastaram milhões com as forças militarizadas da GNR que estão à espera de seguir para o Iraque, e cuja demora o ministro da tutela não consegue explicar, mas anuncia-se um Orçamento do Estado para 2004 restritivo, com as questões sociais a pagar a factura do equilíbrio orçamental.
O «principal partido da oposição», quando não está entretido a proclamar a inocência de um dos seus pares, que embora em liberdade continua arguido no processo da Casa Pia, entretém-se a levantar suspeitas sobre outro, também de partida para o Iraque, que estando ao serviço do Governo pode estar na lista de pagamentos de uma cimenteira.
Não vale a pena continuar. Na falta de ética, o mínimo que seria de esperar de quem tem responsabilidades na vida pública seria um pouco de decoro e bom senso. Mas nem isso.
As universidades estão em pé de guerra, mas o presidente do grupo parlamentar do partido do primeiro-ministro inflama os seus correligionários acusando os socialistas de terem transformado a Assembleia da República numa espécie de «casa do Big Brother».
Os trabalhadores dos mais diversos sectores lutam pela defesa dos seus postos de trabalho e de direitos consagrados na Constituição, mas uma responsável do PS domina as atenções da comunicação social com a candente questão sobre se a Procuradoria Geral da República está ou não a investigar a notícia da revista francesa «Le Point» sobre dois alegados ministros portugueses pedófilos.
O Governo perdeu dois ministros num escandaloso caso de tráfico de «cunhas», mas os deputados da maioria fizeram uma declaração de fé na confiança depositada nos faltosos, chegando mesmo o porta-voz do CDS a manifestar a sua total compreensão e solidariedade com o pai que não olhou a meios para facilitar a vida à filha.
Um comandante dos bombeiros que promovia viagens turísticas à custa do erário público foi destituído de funções e desapareceu de cena, mas não se ouviu um único argumento a justificar por que razão paga o Governo milhares de contos a uma empresa privada em vez de dotar o serviço nacional de bombeiros com os meios aéreos de que necessita.
Já se gastaram milhões com as forças militarizadas da GNR que estão à espera de seguir para o Iraque, e cuja demora o ministro da tutela não consegue explicar, mas anuncia-se um Orçamento do Estado para 2004 restritivo, com as questões sociais a pagar a factura do equilíbrio orçamental.
O «principal partido da oposição», quando não está entretido a proclamar a inocência de um dos seus pares, que embora em liberdade continua arguido no processo da Casa Pia, entretém-se a levantar suspeitas sobre outro, também de partida para o Iraque, que estando ao serviço do Governo pode estar na lista de pagamentos de uma cimenteira.
Não vale a pena continuar. Na falta de ética, o mínimo que seria de esperar de quem tem responsabilidades na vida pública seria um pouco de decoro e bom senso. Mas nem isso.