Cuba na «lista»

A vítima e o carrasco

Cuba foi incluída pelos EUA na lista de «países patrocinadores do terrorismo», mas, na verdade, o povo cubano tem sido vítima e não carrasco.

A administração Obama segue as pisadas iniciadas por Reagan

Para além de Cuba, no índex de «nações terroristas» figuram outros 13 países – Irão, Síria, Sudão, Afeganistão, Argélia, Iraque, Líbano, Líbia, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Somália, e Iémen.
A ilha socialista reagiu separando a verdade da mentira, os factos das calúnias politicamente convenientes, e classificou a atitude norte-americana de arbitrária e hostil, cujo único objectivo é justificar a manutenção do bloqueio condenado pela maioria dos países e povos do mundo.
Cuba desconheceu ainda aos EUA o papel de acusador em matéria de terrorismo; reiterou que não só rejeita todas as formas de terrorismo, como cumpre os acordos internacionais sobre a matéria, coopera com os restantes Estados (EUA incluídos, como a história demonstra) e adopta uma prática preventiva; e exigiu a sua imediata exclusão da referida «lista».
Até colunistas do insuspeito The Washington Post consideraram o controlo de passageiros provenientes de Cuba ridículo, desajustado e inútil, mas o porta-voz do departamento de Estado, Philip Crowley, reiterou a acusação afirmando que «Cuba merece a designação de patrocinador do terrorismo», mostrando que a administração Obama segue as pisadas iniciadas por Reagan e percorridas por todos os governos norte-americanos posteriores.

Falsos argumentos

Uma das justificações de Washington é o acolhimento por parte de Cuba de supostos foragidos à justiça norte-americana, o que o governo de Havana já provou ser falso.
Pelo contrário, a Casa Branca não pode gabar-se do mesmo. Desde a revolução, acolheu no seu território centenas de terroristas, assassinos e criminosos envolvidos em atentados e outras acções das quais resultaram a morte de cerca de 3500 cubanos e mais de 2000 feridos e incapacitados. Muitos mantêm as referidas práticas e passeiam-se livremente pelos EUA, mesmo que Cuba, ao abrigo dos acordos bilaterais vigentes, tenha solicitado a sua extradição.
Os casos mais conhecidos são os de Posada Carrilles e Orlando Bosch, responsáveis pelo atentado contra um avião de passageiros da Cubana de Aviación, em 1976, que causou a morte a 73 pessoas. Boch foi inclusivamente amnistiado pelo presidente George W. Bush.
Acresce que os EUA não só não agem contra confessos terroristas, como apoiam as organizações que estes promovem, e, mais grave ainda, condenam os que, juntando elementos sobre as actividades criminosas dos grupos anticubanos e disponibilizando-os às autoridades federais norte-americanas, acabam condenados em processos obscuros, como acontece com Os Cinco: Gerardo, Fernando, Ramón, Antonio e René.

Uma pergunta

A provar que, mais uma vez, os EUA pretendem fazer passar a vítima por carrasco, está o caso de um funcionário da Development Alternatives, Inc. detido em Cuba no início de Dezembro.
O indivíduo da empresa fachada da CIA - contratada amiúde pelo departamento de Estado, Pentágono e Agência dos EUA para o Desenvolvimento (USAID) -, merecedora da maior parte do bolo de 40 milhões de dólares destinados pelo Congresso norte-americano para «promover a transição democrática em Cuba», foi capturado em Havana a distribuir material de comunicações a um grupo de «opositores».
Quantas primeiras páginas não mandaria fazer o imperialismo se um cubano fosse preso nos EUA em situação semelhante?


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