Um incansável lutador
Com 82 anos e uma vida marcada por muitos combates e emoções, morreu no passado dia 8 o professor José Morgado. Segundo nota de imprensa da Direcção da Organização Regional do Porto do PCP, este «incansável lutador» terminou, forçado pelo fim da vida, o seu «combate revolucionário pela liberdade, pela democracia, pelo socialismo, que considerava serem as grandes causas ao serviço do futuro do País e do bem-estar da Humanidade».
Pela sua defesa intransigente dessas mesmas causas foi perseguido pela PIDE. Em 1947, pela «prática de actos sediciosos», é afastado da carreira universitária. José Morgado participara activamente no lançamento do Movimento de Unidade Democrática (MUD), que se converteria num forte e amplo movimento de massas antifascista. Mas o afastamento da docência universitária não foi a única pena que o fascismo reservaria a José Morgado, que foi preso sete vezes. Uma das primeiras ocorreu em 1949, quando participa no lançamento do Movimento Nacional Democrático e da candidatura de Norton de Matos à presidência da República. No célebre comício de Rio Tinto de apoio à candidatura de Ruy Luís Gomes, encontra-se entre os activistas espancados pela polícia (ver foto).
Em 1960, após um convite da Universidade Federal de Pernambuco, parte para o Brasil, onde permanece até ao 25 de Abril.
A par da actividade política na oposição democrática, teve uma participação cultural não menos activa. O histórico dirigente comunista António Dias Lourenço recorda que José Morgado fez parte do grupo de intelectuais fundadores do movimento neo-realista. Tal como muitos destes, colaborou com o jornal O Diabo, que desafiava e rejeitava a censura e opressão fascistas. O jornal acabaria encerrado pela ditadura.
Depois do 25 de Abril, regressou a Portugal e foi vice-reitor da Universidade do Porto, tendo ainda fundado o Centro de Cultura da Matemática e a Universidade Popular do Porto. Destacou-se também por ter sido um destacado divulgador das obras de Bento de Jesus Caraça e de Ruy Luís Gomes. «Intelectual rigoroso, insigne matemático, associou as suas responsabilidades pedagógicas ao exercício permanente da solidariedade, protagonizando o exemplo reconhecido de intervenção cívica e dedicada perante os problemas da sua terra, o Porto, e do seu País», destaca a DORP do PCP.
José Morgado é ainda lembrado como um coerente lutador pela causa da Paz, tendo pertencido ao Conselho Português para a Paz e Cooperação. Numa das suas últimas intervenções públicas, tomou voz contra o bombardeamento da Jugoslávia pela NATO. Também pela causa da Paz conheceu outra prisão, em 1952, quando protestava contra a criação da mesma NATO. Em 1999, a Câmara do Porto atribui a José Morgado – com a abstenção de três vereadores do PSD – a Medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro.
O funeral realizou-se no dia 10 em Alijó, Trás-os-Montes, de onde José Morgado era natural. Muitos companheiros e amigos fizeram questão de estar presentes, prestando desta forma uma derradeira homenagem a um homem coerente com as causas que sempre defendeu.
Pela sua defesa intransigente dessas mesmas causas foi perseguido pela PIDE. Em 1947, pela «prática de actos sediciosos», é afastado da carreira universitária. José Morgado participara activamente no lançamento do Movimento de Unidade Democrática (MUD), que se converteria num forte e amplo movimento de massas antifascista. Mas o afastamento da docência universitária não foi a única pena que o fascismo reservaria a José Morgado, que foi preso sete vezes. Uma das primeiras ocorreu em 1949, quando participa no lançamento do Movimento Nacional Democrático e da candidatura de Norton de Matos à presidência da República. No célebre comício de Rio Tinto de apoio à candidatura de Ruy Luís Gomes, encontra-se entre os activistas espancados pela polícia (ver foto).
Em 1960, após um convite da Universidade Federal de Pernambuco, parte para o Brasil, onde permanece até ao 25 de Abril.
A par da actividade política na oposição democrática, teve uma participação cultural não menos activa. O histórico dirigente comunista António Dias Lourenço recorda que José Morgado fez parte do grupo de intelectuais fundadores do movimento neo-realista. Tal como muitos destes, colaborou com o jornal O Diabo, que desafiava e rejeitava a censura e opressão fascistas. O jornal acabaria encerrado pela ditadura.
Depois do 25 de Abril, regressou a Portugal e foi vice-reitor da Universidade do Porto, tendo ainda fundado o Centro de Cultura da Matemática e a Universidade Popular do Porto. Destacou-se também por ter sido um destacado divulgador das obras de Bento de Jesus Caraça e de Ruy Luís Gomes. «Intelectual rigoroso, insigne matemático, associou as suas responsabilidades pedagógicas ao exercício permanente da solidariedade, protagonizando o exemplo reconhecido de intervenção cívica e dedicada perante os problemas da sua terra, o Porto, e do seu País», destaca a DORP do PCP.
José Morgado é ainda lembrado como um coerente lutador pela causa da Paz, tendo pertencido ao Conselho Português para a Paz e Cooperação. Numa das suas últimas intervenções públicas, tomou voz contra o bombardeamento da Jugoslávia pela NATO. Também pela causa da Paz conheceu outra prisão, em 1952, quando protestava contra a criação da mesma NATO. Em 1999, a Câmara do Porto atribui a José Morgado – com a abstenção de três vereadores do PSD – a Medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro.
O funeral realizou-se no dia 10 em Alijó, Trás-os-Montes, de onde José Morgado era natural. Muitos companheiros e amigos fizeram questão de estar presentes, prestando desta forma uma derradeira homenagem a um homem coerente com as causas que sempre defendeu.