Bancários de Lisboa

Construir uma alternativa sindical

A 10.ª Assembleia dos bancários de Lisboa, realizada no passado sábado, defende a criação de um novo sindicato para o sector, filiado na CGTP.

A federação defendida pela UGT impede a participação democrática

«É hoje claro que o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) já não é um espaço democrático e não permite qualquer tipo de intervenção sindical consequente», concluiu a décima Assembleia de Organização dos Bancários de Lisboa, que se reuniu no passado dia 11. A evolução do SBSI nos últimos anos confirmou as piores expectativas que os comunistas haviam traçado na sua nona assembleia, realizada há três anos: em Novembro de 2001, o Congresso do SBSI aprovou a constituição de uma federação para o sector. Esta não foi ainda criada apenas porque os estatutos do Sindicato dos Bancários do Norte (SBN) obrigam à participação de mais de 50 por cento dos sócios nos referendos tendentes a alterar estatutos, o que não se verificou na consulta efectuada.
Consideram os comunistas que a federação «será um mero instrumento da UGT e da tendência socialista e eliminará os efeitos objectivos de qualquer intervenção dos sindicatos, dos secretariados e dos delegados sindicais». Para o PCP, a direcção do SBSI apenas «pretende o poder absoluto e eliminar qualquer possibilidade de oposição dos bancários à retirada dos seus direitos e ao conluio com os banqueiros».
Os comunistas têm também em conta que no decorrer dos últimos três anos se acentuaram as «cedências aos banqueiros dos dirigentes do SBSI em sintonia com os outros dois sindicatos verticais do sector (o SBN e o Sindicato dos Bancários do Centro)». A traição atingiria o ponto alto durante o ano passado, com a não adesão dos sindicatos à luta contra o pacote laboral. «Como consequência da atitude indigna da direcção do SBSI, a Greve Geral não teve grande expressão na banca», recorda a resolução da assembleia.
Face a este quadro, os comunistas defendem a necessidade da construção de uma «verdadeira alternativa sindical, só possível num sindicato totalmente identificado com os princípios subjacentes à CGTP». «É neste objectivo que os comunistas bancários se vão empenhar», destaca a resolução.

Na vanguarda da exploração

O sector bancário, actualmente dominado por cinco grandes grupos, está na vanguarda da exploração dos trabalhadores. Afirmam os comunistas que esta se tem «intensificado até limites insuportáveis». Segundo o PCP, os banqueiros «continuam empenhados em procurar uma organização do trabalho que diminua constantemente o número de trabalhadores, aumente a quantidade e o ritmo de trabalho». A resolução da assembleia alerta para o facto de que os lucros sobem na proporção directa a produtividade e na razão inversa das despesas com pessoal. A resolução dá o exemplo do Banco Espírito Santo que entre 1999 e 2002 viu a sua riqueza aumentar cerca de 50 por cento. Os salários dos trabalhadores da banca, num ano, aumentaram apenas 2,5 por cento (abaixo da inflação).
Nos últimos anos prosseguiu a saída de muitos trabalhadores, através de reformas, pré-reformas e rescisões. As entradas foram em número inferior, e muitos nem sequer entram para o quadro dos bancos, já que são contratados através de outras empresas.
A estrutura do Partido ressente-se desta realidade, destaca a resolução da Assembleia. Devido às fusões e à saída de trabalhadores, o número de células foi reduzido. No entanto, a entrada de novos militantes, embora insuficiente, contribuiu para o reforço e animação de alguns aspectos do trabalho partidário. Apesar das insuficiências, «os comunistas estiveram sempre na primeira linha da denúncia e intervenção junto dos bancários». A resolução aprovada considera ainda essencial o reforço da intervenção política própria do Partido.


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