Prémio Nobel de quê?
A atribuição do prémio Nobel da Paz a Barack Obama deixou toda a gente perplexa - a começar pelo próprio, pelo menos segundo o que disse.
Na lista destes prémios não faltam motivos de perplexidade. Ao lado de nomes individuais e de organizações indiscutivelmente meritórias há outras atribuições que contrastam chocantemente com estas.
Que personagens do calibre de Henry Kissinger (no ano seguinte ao golpe fascista no Chile por ele inspirado) ou Menachem Begin surjam na lista não é certamente prestigiante para um tal prémio e mancha indelevelmente um elenco de premiados entre os quais se encontram figuras como Nelson Mandela, Albert Schweitzer, Adolfo Pérez Esquível, Martin Luther King.
No período das duas guerras mundiais a atribuição do prémio esteve suspensa. Em ambos os casos essa suspensão apenas foi interrompida por prémios à Cruz Vermelha (1917) e ao Comité Internacional da Cruz Vermelha (1944), o que é bem compreensível. Mas vários prémios distinguiram responsáveis políticos por agressões militares e até por crimes contra a humanidade, como sucedeu recentemente com Al Gore (2007), vice-presidente de Clinton e co-responsável pelo desencadeamento da criminosa guerra contra a Jugoslávia.
Pela primeira vez o prémio não é atribuído – bem ou mal – por um determinado papel historicamente desempenhado, mas apenas pelas expectativas que uma determinada personalidade gerou. Nesse sentido, é ainda parte integrante da colossal campanha conduzida em torno das eleições presidenciais nos EUA visando superar o descrédito, a rejeição e a oposição universais suscitadas pela administração Bush.
Basta ver que Barack Obama tomou posse a menos de duas semanas do prazo limite para a apresentação de candidaturas, o final de Fevereiro. Se dúvidas houvesse sobre o significado desta atribuição, o próprio Obama esclareceu-as, encarando o prémio «como uma afirmação do papel dirigente (“leadership”) da América na concretização das aspirações dos povos de todos os países».
Para concretizar as aspirações dos (por exemplo) povos do Iraque, do Afeganistão, de Cuba, da Colômbia, o Nobel Obama pode começar já a justificar o prémio: retirando as suas bases e tropas de ocupação e deixando esses povos em paz.
Na lista destes prémios não faltam motivos de perplexidade. Ao lado de nomes individuais e de organizações indiscutivelmente meritórias há outras atribuições que contrastam chocantemente com estas.
Que personagens do calibre de Henry Kissinger (no ano seguinte ao golpe fascista no Chile por ele inspirado) ou Menachem Begin surjam na lista não é certamente prestigiante para um tal prémio e mancha indelevelmente um elenco de premiados entre os quais se encontram figuras como Nelson Mandela, Albert Schweitzer, Adolfo Pérez Esquível, Martin Luther King.
No período das duas guerras mundiais a atribuição do prémio esteve suspensa. Em ambos os casos essa suspensão apenas foi interrompida por prémios à Cruz Vermelha (1917) e ao Comité Internacional da Cruz Vermelha (1944), o que é bem compreensível. Mas vários prémios distinguiram responsáveis políticos por agressões militares e até por crimes contra a humanidade, como sucedeu recentemente com Al Gore (2007), vice-presidente de Clinton e co-responsável pelo desencadeamento da criminosa guerra contra a Jugoslávia.
Pela primeira vez o prémio não é atribuído – bem ou mal – por um determinado papel historicamente desempenhado, mas apenas pelas expectativas que uma determinada personalidade gerou. Nesse sentido, é ainda parte integrante da colossal campanha conduzida em torno das eleições presidenciais nos EUA visando superar o descrédito, a rejeição e a oposição universais suscitadas pela administração Bush.
Basta ver que Barack Obama tomou posse a menos de duas semanas do prazo limite para a apresentação de candidaturas, o final de Fevereiro. Se dúvidas houvesse sobre o significado desta atribuição, o próprio Obama esclareceu-as, encarando o prémio «como uma afirmação do papel dirigente (“leadership”) da América na concretização das aspirações dos povos de todos os países».
Para concretizar as aspirações dos (por exemplo) povos do Iraque, do Afeganistão, de Cuba, da Colômbia, o Nobel Obama pode começar já a justificar o prémio: retirando as suas bases e tropas de ocupação e deixando esses povos em paz.