Uma «conduta de enganos»
Em «A arte da guerra», escreveu Sun Tzu, um grande general chinês de há 25 séculos - «a guerra é uma conduta de enganos». Esta é uma síntese possível do percurso dos últimos meses do PS/Sócrates e das manobras que conduziram ao actual momento político em que, apesar da derrota da maioria absoluta, se prepara para voltar a governar, mas agora com acrescidas dificuldades.
Depois da pesadíssima derrota das europeias e da «firmeza no rumo», com que Sócrates logo tranquilizou os grandes interesses, os «senadores» do PS, sobretudo Mário Soares, antes tão cáustico nas palavras sobre a «terceira via», puseram a tónica na «moderação», «humildade» e «inflexão de imagem», no «sobressalto à “esquerda”», para que se tornassem possíveis os mesmos caminhos de governação à direita.
O PS pôs então em movimento uma operação de inflexão táctica e de imagem, que passou também pela «cedência» de posições a Soares e Alegre - o tal que fez de conta que ia sair do PS para que, uma vez «regressado» adonde nunca saiu, pudesse arrastar os «incautos».
E foi (tele)ver à exaustão o fantasioso «ataque» dos neoliberais e a defesa do voto de «esquerda» no PS «contra a direita», foi a intervenção profissional - continuada, silenciosa e esmagadora - da «Central» do Governo, com o estreitar do controlo sobre os média, a fabricação da «agenda», a recuperação dos (re)velhos fantasmas do anti-comunismo e a mistificação de «inventonas».
E a denúncia da «asfixia democrática», com que o PSD procurou desmascarar esta brutal operação de mistificação, foi gerida pelo PS para credibilizar a sua «luta contra a direita».
As eleições legislativas e autárquicas decorreram neste quadro, também marcado por uma «conflitualidade social mitigada», que como agora se vê na Quimonda vai em muitos casos terminar de forma brutal para os trabalhadores.
Os resultados estão à vista – a derrota do PS nas legislativas foi transformada em «vitória» pelos média de serviço. E nas autárquicas, dada a proximidade às legislativas, houve como que uma «síndrome do castigo já infligido», que favoreceu o PS e uma bipolarização artificial e que mistificou muitas eleições locais e impediu um outro resultado.
O mundo mudou desde Sun Tzu. A resistência e a luta dos trabalhadores já provou mil vezes que pode vencer os «enganos» e abrir as alamedas da dignidade.
Estamos hoje em melhores condições de travar esse combate.
Depois da pesadíssima derrota das europeias e da «firmeza no rumo», com que Sócrates logo tranquilizou os grandes interesses, os «senadores» do PS, sobretudo Mário Soares, antes tão cáustico nas palavras sobre a «terceira via», puseram a tónica na «moderação», «humildade» e «inflexão de imagem», no «sobressalto à “esquerda”», para que se tornassem possíveis os mesmos caminhos de governação à direita.
O PS pôs então em movimento uma operação de inflexão táctica e de imagem, que passou também pela «cedência» de posições a Soares e Alegre - o tal que fez de conta que ia sair do PS para que, uma vez «regressado» adonde nunca saiu, pudesse arrastar os «incautos».
E foi (tele)ver à exaustão o fantasioso «ataque» dos neoliberais e a defesa do voto de «esquerda» no PS «contra a direita», foi a intervenção profissional - continuada, silenciosa e esmagadora - da «Central» do Governo, com o estreitar do controlo sobre os média, a fabricação da «agenda», a recuperação dos (re)velhos fantasmas do anti-comunismo e a mistificação de «inventonas».
E a denúncia da «asfixia democrática», com que o PSD procurou desmascarar esta brutal operação de mistificação, foi gerida pelo PS para credibilizar a sua «luta contra a direita».
As eleições legislativas e autárquicas decorreram neste quadro, também marcado por uma «conflitualidade social mitigada», que como agora se vê na Quimonda vai em muitos casos terminar de forma brutal para os trabalhadores.
Os resultados estão à vista – a derrota do PS nas legislativas foi transformada em «vitória» pelos média de serviço. E nas autárquicas, dada a proximidade às legislativas, houve como que uma «síndrome do castigo já infligido», que favoreceu o PS e uma bipolarização artificial e que mistificou muitas eleições locais e impediu um outro resultado.
O mundo mudou desde Sun Tzu. A resistência e a luta dos trabalhadores já provou mil vezes que pode vencer os «enganos» e abrir as alamedas da dignidade.
Estamos hoje em melhores condições de travar esse combate.