As lavagens do PS
Não se percebe a tempestade levantada a propósito da deslocação de um membro do Governo, no caso Eduardo Cabrita, à inauguração de um lavadouro. Só por preconceito ou inveja se pode questionar a nobreza do gesto.
Primeiro, porque um lavadouro é um lavadouro, um símbolo nacional, uma peça do nosso património regional, seja qual for a reutilização que se lhe destine. Preconceito, aparentemente ditado pela respectiva natureza e utilidade, que só por ignorância ou má-fé se pode questionar. Se Valentim Loureiro pode oferecer em campanha eleitoral máquinas de lavar roupa (um mero electrodoméstico sem passado nem história) por que razão Eduardo Cabrita, com propósito idêntico, não pode integrar na acção governativa um gesto sem dúvida engrandecedor para o papel que os lavadouros (com tradição na vida nacional e figura incontornável da história do cinema lusitano) desempenharam no País?
Em segundo lugar, por inveja quanto ao sentido de oportunidade e à profundidade do acto na lógica da acção governativa do PS. Desde logo porque o gesto nos projecta para a dimensão de modernidade em que o Governo está empenhado. Depois, porque uma inauguração é sempre uma inauguração, particularmente mais justificada em município do partido do Governo. Se a ministra da Saúde, pode ir inaugurar um elevador a um centro de saúde que razão impede o secretário de Estado de optar por objecto diverso, menos dinâmico é certo, mas não menos desejado, mesmo que convertido a outro fim? E por último, mas não menos importante, que acto mais simbólico do que o da proximidade aos lavadouros para dar dimensão e expressão à operação de «lavagem de cara» que o PS tem em curso para se libertar das suas responsabilidades perante o País.
Neste vale tudo a que o PS desde há muito nos habituou em matéria de uso e abuso de meios e cargos públicos para comprar consciências e limitar estragos eleitorais que as suas políticas geram, o lavadouro de Alpiarça será episódio menor, entregue a pessoal menor. Reservado fica para o pessoal maior – ministros e primeiro-ministro sempre que as circunstâncias o exigirem – funções de outro peso: sejam a distribuição de cheques de grupos económicos a cargo de Manuel Pinho, seja o frenetismo de Vieira da Silva que na sua dupla função de responsável eleitoral do PS e de ministro do Trabalho se desdobra a assinar protocolos ou a semear subsídios.
Primeiro, porque um lavadouro é um lavadouro, um símbolo nacional, uma peça do nosso património regional, seja qual for a reutilização que se lhe destine. Preconceito, aparentemente ditado pela respectiva natureza e utilidade, que só por ignorância ou má-fé se pode questionar. Se Valentim Loureiro pode oferecer em campanha eleitoral máquinas de lavar roupa (um mero electrodoméstico sem passado nem história) por que razão Eduardo Cabrita, com propósito idêntico, não pode integrar na acção governativa um gesto sem dúvida engrandecedor para o papel que os lavadouros (com tradição na vida nacional e figura incontornável da história do cinema lusitano) desempenharam no País?
Em segundo lugar, por inveja quanto ao sentido de oportunidade e à profundidade do acto na lógica da acção governativa do PS. Desde logo porque o gesto nos projecta para a dimensão de modernidade em que o Governo está empenhado. Depois, porque uma inauguração é sempre uma inauguração, particularmente mais justificada em município do partido do Governo. Se a ministra da Saúde, pode ir inaugurar um elevador a um centro de saúde que razão impede o secretário de Estado de optar por objecto diverso, menos dinâmico é certo, mas não menos desejado, mesmo que convertido a outro fim? E por último, mas não menos importante, que acto mais simbólico do que o da proximidade aos lavadouros para dar dimensão e expressão à operação de «lavagem de cara» que o PS tem em curso para se libertar das suas responsabilidades perante o País.
Neste vale tudo a que o PS desde há muito nos habituou em matéria de uso e abuso de meios e cargos públicos para comprar consciências e limitar estragos eleitorais que as suas políticas geram, o lavadouro de Alpiarça será episódio menor, entregue a pessoal menor. Reservado fica para o pessoal maior – ministros e primeiro-ministro sempre que as circunstâncias o exigirem – funções de outro peso: sejam a distribuição de cheques de grupos económicos a cargo de Manuel Pinho, seja o frenetismo de Vieira da Silva que na sua dupla função de responsável eleitoral do PS e de ministro do Trabalho se desdobra a assinar protocolos ou a semear subsídios.