Sim, valeu a pena!
Foram mais de duzentos mil trabalhadores, homens e mulheres, jovens, operários, empregados, intelectuais, da administração pública e do sector privado, com vínculo efectivo, precários e sem qualquer vínculo, desempregados e pensionistas. Vieram de todo o país, saíram de casa desde Bragança a Vila Real de Santo António, ainda de madrugada. Vieram à luta convocada pela CGTP-IN.
Foi a luta que forçou a derrota do projecto de directiva de trabalho da UE
Os objectivos incluíam a exigência de mudar de rumo, de mais emprego, de salários e direitos. Valeu a pena?
Li as palavras de uma participante a um jornal diário que dizia que «nós já sabemos que não vamos conseguir nada, mas este é o único caminho que temos». Na sua ingenuidade sincera, esta mulher trouxe a lume duas grandes questões. A primeira é a de saber se se consegue ou não alguma coisa com a luta. Ora a vida vem mostrando que, ao contrário do que nos querem fazer crer, temos conquistado muito com a luta. Não só historicamente, em que os trabalhadores conquistaram o direito à jornada das oito horas, o direito ao salário mínimo ou às férias. Também durante o mandato deste governo conquistámos importantes vitórias.
Que o digam os trabalhadores que hoje recebem 450€ de salário mínimo, proposta que, quando apresentada pelo PCP e pela CGTP-IN, foi apelidada de irrealista, fantasista e outros epítetos. Foi a luta que obrigou o Governo a sentar-se à mesa das negociações e aceitar esta medida que, como facilmente se percebe, é da mais elementar justiça. Mas também a recente vitória alcançada no Tribunal Constitucional quanto à norma do Código do Trabalho que admitia poder haver um trabalhador à experiência durante seis meses. Desde logo, porque Cavaco Silva só solicitou a sua fiscalização por causa da forte mobilização dos trabalhadores.
Foi a luta que forçou a derrota do projecto de directiva de trabalho da União Europeia, que admitia semanas de trabalho de até setenta e duas horas.
Mas podemos ainda dar como exemplo os recuos a que o Governo foi obrigado em matéria de encerramento de serviços de saúde, um pouco por todo o País, após meses de contestação popular.
E é certo que poderíamos generalizar o conjunto de ganhos obtidos, em salários, em direitos, em condições de trabalho, se nos situássemos ao nível das empresas e locais de trabalho, ao nível da reivindicação local ou sectorial.
Resistir é já vencer
Não ganhámos tudo, é certo, mas resistimos num tempo em que resistir já é vencer.
Nos projectos dos sucessivos governos esteve sempre subjacente o grande objectivo do capital de vingança contra o 25 de Abril e as suas conquistas históricas. Conquistas essas também alcançadas à custa de dezenas de anos de luta que, para os comunistas e muitos outros democratas, foi, porque tinha de ser, até às últimas consequências.
E apesar dos partidos da política de direita e da contra-revolução deterem o poder há já 33 anos de forma ininterrupta e de, uns após outros, insistirem nos seus objectivos de reconfiguração do regime, continuam insatisfeitos, não conseguem avançar tanto como gostariam, ainda que, como é o caso do actual Governo, detenham a maioria absoluta na Assembleia da República. É a luta que os impede, como sempre impediu, de deterem o poder absoluto!
A segunda questão que aquelas palavras convocam é a de saber se não teríamos outro caminho. Questão que ganha toda a actualidade quando assistimos, de todos os lados, ao apelos para darmos as mãos, para estarmos todos unidos, para juntar forças para enfrentar uma crise que é global.
Dar as mãos com os responsáveis e com os beneficiários da situação a que chegámos? Estarmos unidos para impor aos mesmos de sempre os sacrifícios do costume? Juntar forças para, mexendo neste ou naquele pormenor, ficar tudo na mesma?
Tem razão aquela trabalhadora quando afirma que não temos outro caminho. Num tempo em que nos pedem para nos calarmos e para aguentarmos, interviemos na batalha contra o conformismo e a resignação e demos um importante sinal. O de que há forças no nosso País para resistir, avançar e fazer a ruptura que é necessária!
E, pela sua dimensão, pela determinação e confiança que ali ficaram expostas, a manifestação mostrou ainda a muitos dos que ficaram em casa que não estão sozinhos, que há muitos outros que também perderam o seu emprego, que também vivem momentos difíceis, que têm as mesmas angústias, os mesmos receios, aos quais se podem juntar.
Com esta grandiosa manifestação, e com a luta de massas na generalidade, transformamos em força organizada aquilo que é a insatisfação e a revolta de milhares de trabalhadores. E que força! Com a luta, com essa força, elevamo-nos a um patamar de igualdade com quem manda e detém o poder. E quem manda sentiu bem essa força, como mostra a reacção destemperada de José Sócrates.
E com essa força que, a 13 de Março, se juntou na Avenida da Liberdade, gritámos bem alto um basta! Basta de injustiças! Basta de exploração!
Sim, valeu a pena!
Li as palavras de uma participante a um jornal diário que dizia que «nós já sabemos que não vamos conseguir nada, mas este é o único caminho que temos». Na sua ingenuidade sincera, esta mulher trouxe a lume duas grandes questões. A primeira é a de saber se se consegue ou não alguma coisa com a luta. Ora a vida vem mostrando que, ao contrário do que nos querem fazer crer, temos conquistado muito com a luta. Não só historicamente, em que os trabalhadores conquistaram o direito à jornada das oito horas, o direito ao salário mínimo ou às férias. Também durante o mandato deste governo conquistámos importantes vitórias.
Que o digam os trabalhadores que hoje recebem 450€ de salário mínimo, proposta que, quando apresentada pelo PCP e pela CGTP-IN, foi apelidada de irrealista, fantasista e outros epítetos. Foi a luta que obrigou o Governo a sentar-se à mesa das negociações e aceitar esta medida que, como facilmente se percebe, é da mais elementar justiça. Mas também a recente vitória alcançada no Tribunal Constitucional quanto à norma do Código do Trabalho que admitia poder haver um trabalhador à experiência durante seis meses. Desde logo, porque Cavaco Silva só solicitou a sua fiscalização por causa da forte mobilização dos trabalhadores.
Foi a luta que forçou a derrota do projecto de directiva de trabalho da União Europeia, que admitia semanas de trabalho de até setenta e duas horas.
Mas podemos ainda dar como exemplo os recuos a que o Governo foi obrigado em matéria de encerramento de serviços de saúde, um pouco por todo o País, após meses de contestação popular.
E é certo que poderíamos generalizar o conjunto de ganhos obtidos, em salários, em direitos, em condições de trabalho, se nos situássemos ao nível das empresas e locais de trabalho, ao nível da reivindicação local ou sectorial.
Resistir é já vencer
Não ganhámos tudo, é certo, mas resistimos num tempo em que resistir já é vencer.
Nos projectos dos sucessivos governos esteve sempre subjacente o grande objectivo do capital de vingança contra o 25 de Abril e as suas conquistas históricas. Conquistas essas também alcançadas à custa de dezenas de anos de luta que, para os comunistas e muitos outros democratas, foi, porque tinha de ser, até às últimas consequências.
E apesar dos partidos da política de direita e da contra-revolução deterem o poder há já 33 anos de forma ininterrupta e de, uns após outros, insistirem nos seus objectivos de reconfiguração do regime, continuam insatisfeitos, não conseguem avançar tanto como gostariam, ainda que, como é o caso do actual Governo, detenham a maioria absoluta na Assembleia da República. É a luta que os impede, como sempre impediu, de deterem o poder absoluto!
A segunda questão que aquelas palavras convocam é a de saber se não teríamos outro caminho. Questão que ganha toda a actualidade quando assistimos, de todos os lados, ao apelos para darmos as mãos, para estarmos todos unidos, para juntar forças para enfrentar uma crise que é global.
Dar as mãos com os responsáveis e com os beneficiários da situação a que chegámos? Estarmos unidos para impor aos mesmos de sempre os sacrifícios do costume? Juntar forças para, mexendo neste ou naquele pormenor, ficar tudo na mesma?
Tem razão aquela trabalhadora quando afirma que não temos outro caminho. Num tempo em que nos pedem para nos calarmos e para aguentarmos, interviemos na batalha contra o conformismo e a resignação e demos um importante sinal. O de que há forças no nosso País para resistir, avançar e fazer a ruptura que é necessária!
E, pela sua dimensão, pela determinação e confiança que ali ficaram expostas, a manifestação mostrou ainda a muitos dos que ficaram em casa que não estão sozinhos, que há muitos outros que também perderam o seu emprego, que também vivem momentos difíceis, que têm as mesmas angústias, os mesmos receios, aos quais se podem juntar.
Com esta grandiosa manifestação, e com a luta de massas na generalidade, transformamos em força organizada aquilo que é a insatisfação e a revolta de milhares de trabalhadores. E que força! Com a luta, com essa força, elevamo-nos a um patamar de igualdade com quem manda e detém o poder. E quem manda sentiu bem essa força, como mostra a reacção destemperada de José Sócrates.
E com essa força que, a 13 de Março, se juntou na Avenida da Liberdade, gritámos bem alto um basta! Basta de injustiças! Basta de exploração!
Sim, valeu a pena!