Portugal e Angola
É esta história que importa recordar e respeitar no momento da visita de José Eduardo dos Santos
A visita do presidente da República de Angola a Portugal mereceu a atenção dos portugueses. E justamente, ela é de facto importante para Portugal e um importante momento nas relações entre os dois países.
Em primeiro lugar porque se enquadra naquela que, na opinião do PCP, deveria ser uma prioridade da política externa portuguesa: a diversificação das suas relações internacionais e o estreitamento - num quadro de respeito mútuo, solidariedade e cooperação - das relações bilaterais com países com os quais o nosso País tem fortes laços culturais e históricos.
Em segundo lugar porque ela se realiza no ano em que se assinalam os 35 anos da Revolução de Abril, contribuição histórica e decisiva do povo português para a libertação de vários povos e países africanos do jugo colonialista português. Povos que, por sua vez, com a sua heróica luta contra o colonialismo e o fascismo, deram uma importante contribuição para a conquista da liberdade e da democracia em Portugal.
Em terceiro lugar porque a Angola que veio a Portugal representada pelo seu Presidente é um país em acelerada e profunda mudança. Um país que - depois de séculos de resistência ao colonialismo, de 14 anos de luta armada pela independência e de 27 anos de guerra civil – tenta curar as profundas feridas sociais, económicas, culturais e sociológicas deixadas por décadas de guerra e de ingerência imperialista, nomeadamente a corrupção.
Foi por isso e sem hesitações que o PCP se associou às boas vindas ao Chefe de Estado Angolano, também Presidente do MPLA. Agimos na base dos mesmos princípios de sempre: aqueles que presidiram à luta incansável dos comunistas pela «emancipação completa dos povos indígenas das colónias»(1); os que determinaram a decisão de apoiar a fuga e o regresso a África de Agostinho Neto e os mesmo que fizeram com que o PCP tivesse sido a única força política portuguesa a escutar de viva voz em Luanda, a 11 de Novembro de 1975, as palavras do mesmo Agostinho Neto: «diante de África e do Mundo proclamo a independência de Angola».
É esta história que importa recordar e respeitar no momento da visita de José Eduardo dos Santos. Àqueles que se atreveram, do alto da sua soberba e arrogância, a questionar a legitimidade política do presidente angolano e a designá-lo como pessoa non-grata em Portugal, importa tentar explicar – se é que escutam alguém - que a legitimidade política se constrói num percurso político e histórico, resulta de processos concretos de luta, não se decreta ao sabor da espuma da História.
É por isso necessário recordar a esses mesmos que as acusações que serviram agora de mote para mais uma tentativa de surfar a agenda mediática são as mesmas que o imperialismo usou durante anos para pôr em causa a legitimidade política do MPLA como grande força de libertação nacional de Angola, recentemente confirmada nas eleições legislativas de 2008 em que o MPLA obteve 82% dos votos. E é importante recordar a esses mesmos, que se mais eleições não houve em Angola, que se a corrupção alastrou na sociedade angolana como fenómeno endémico numa sociedade em guerra, foi porque facínoras como Jonas Savimbi, apoiados pelos EUA e pelos inconformados colonialistas portugueses, só com a morte desistiram de impedir a paz.
Infelizmente, a hipocrisia e a nova corrida das grandes potências imperialistas e das ex-potências coloniais para África estiveram presentes na atitude de alguns que cinicamente deram as boas vindas ao presidente angolano. É importante denunciá-lo. Tal como é importante denunciar a falta de sentido de Estado e a ausência de solidariedade demonstrada por outros ao identificarem no presidente de Angola e no seu Partido os principais inimigos do povo angolano.
(1) Das bases orgânicas do PCP aprovadas em 1921 (Partido Comunista Português - seus fundamentos e fins)
Em primeiro lugar porque se enquadra naquela que, na opinião do PCP, deveria ser uma prioridade da política externa portuguesa: a diversificação das suas relações internacionais e o estreitamento - num quadro de respeito mútuo, solidariedade e cooperação - das relações bilaterais com países com os quais o nosso País tem fortes laços culturais e históricos.
Em segundo lugar porque ela se realiza no ano em que se assinalam os 35 anos da Revolução de Abril, contribuição histórica e decisiva do povo português para a libertação de vários povos e países africanos do jugo colonialista português. Povos que, por sua vez, com a sua heróica luta contra o colonialismo e o fascismo, deram uma importante contribuição para a conquista da liberdade e da democracia em Portugal.
Em terceiro lugar porque a Angola que veio a Portugal representada pelo seu Presidente é um país em acelerada e profunda mudança. Um país que - depois de séculos de resistência ao colonialismo, de 14 anos de luta armada pela independência e de 27 anos de guerra civil – tenta curar as profundas feridas sociais, económicas, culturais e sociológicas deixadas por décadas de guerra e de ingerência imperialista, nomeadamente a corrupção.
Foi por isso e sem hesitações que o PCP se associou às boas vindas ao Chefe de Estado Angolano, também Presidente do MPLA. Agimos na base dos mesmos princípios de sempre: aqueles que presidiram à luta incansável dos comunistas pela «emancipação completa dos povos indígenas das colónias»(1); os que determinaram a decisão de apoiar a fuga e o regresso a África de Agostinho Neto e os mesmo que fizeram com que o PCP tivesse sido a única força política portuguesa a escutar de viva voz em Luanda, a 11 de Novembro de 1975, as palavras do mesmo Agostinho Neto: «diante de África e do Mundo proclamo a independência de Angola».
É esta história que importa recordar e respeitar no momento da visita de José Eduardo dos Santos. Àqueles que se atreveram, do alto da sua soberba e arrogância, a questionar a legitimidade política do presidente angolano e a designá-lo como pessoa non-grata em Portugal, importa tentar explicar – se é que escutam alguém - que a legitimidade política se constrói num percurso político e histórico, resulta de processos concretos de luta, não se decreta ao sabor da espuma da História.
É por isso necessário recordar a esses mesmos que as acusações que serviram agora de mote para mais uma tentativa de surfar a agenda mediática são as mesmas que o imperialismo usou durante anos para pôr em causa a legitimidade política do MPLA como grande força de libertação nacional de Angola, recentemente confirmada nas eleições legislativas de 2008 em que o MPLA obteve 82% dos votos. E é importante recordar a esses mesmos, que se mais eleições não houve em Angola, que se a corrupção alastrou na sociedade angolana como fenómeno endémico numa sociedade em guerra, foi porque facínoras como Jonas Savimbi, apoiados pelos EUA e pelos inconformados colonialistas portugueses, só com a morte desistiram de impedir a paz.
Infelizmente, a hipocrisia e a nova corrida das grandes potências imperialistas e das ex-potências coloniais para África estiveram presentes na atitude de alguns que cinicamente deram as boas vindas ao presidente angolano. É importante denunciá-lo. Tal como é importante denunciar a falta de sentido de Estado e a ausência de solidariedade demonstrada por outros ao identificarem no presidente de Angola e no seu Partido os principais inimigos do povo angolano.
(1) Das bases orgânicas do PCP aprovadas em 1921 (Partido Comunista Português - seus fundamentos e fins)