Ludgero Pinto Basto
Ludgero Pinto Basto nasceu em 13 de Janeiro de 1909, em Felgueiras e foi dirigente do Partido nos anos 30 do século passado. Eram tempos de consolidação do regime fascista em Portugal, que se assemelhava aos que vigoravam em Itália e, mais tarde, na Alemanha.
O PCP começava a reagir e, na conferência de Abril de 1929, que elegeu Bento Gonçalves Secretário-geral, deu-se início à reorganização que o preparava para lutar nas difíceis condições da clandestinidade. Em consequência das novas orientações, o início da década de 30 é marcado por greves e lutas contra o desemprego e alguns dos principais sindicatos são reorganizados.
Surgem também novas organizações do Partido e estruturas unitárias animadas pelos comunistas e, em 1931, o Avante! vê a luz do dia pela primeira vez. Foi precisamente neste ano que Ludgero Pinto Basto, então estudante de Medicina, aderiu ao PCP.
E é já como militante comunista que participou activamente nas lutas estudantis que se travaram em Medicina e Direito. Organizam-se os primeiros Grupos de Defesa Académica, cuja direcção integrou. Entre 1932 e 1934, foi dirigente da Associação de Estudantes de Medicina.
Neste período, foi várias vezes enviado ao Norte do País pela direcção do Partido com o objectivo de constituir ou reconstruir a organização do PCP e do Socorro Vermelho. Em 1934, foi responsável pela criação de vários núcleos desta organização na Faculdade de Medicina e no jornal O Século.
Clandestinidade e prisão
No ano de 1934, passou à clandestinidade e integrou o Comité Regional de Lisboa. No ano seguinte, foi chamado ao Comité Central, estando presente, em 1936, na reunião de quadros que procedeu à recomposição da direcção do Partido – Comité Central e Secretariado –, fustigada por sucessivas prisões.
Em 1937, o Secretariado envia-o para França, com o objectivo de assegurar a ligação à Internacional Comunista e de intervir junto da Federação dos Emigrados Portugueses, organização que desenvolvia um importante trabalho de solidariedade e de denúncia do envolvimento do fascismo português na Guerra Civil de Espanha. Nesse país passou a ter também a responsabilidade pelo trabalho do Partido junto da Frente Popular Portuguesa, em França, chegando a ser director do jornal desta organização, UNIR.
Regressado a Portugal em Maio de 1938, passou a integrar, em Abril do ano seguinte, o Secretariado do Partido, juntamente com Álvaro Cunhal e Francisco Miguel. Manteve essas responsabilidades até Dezembro desse ano, altura em que foi preso. Condenado a 20 meses de prisão, passou pelos cárceres de Caxias, Aljube e Angra do Heroísmo. Foi libertado em Fevereiro de 1943.
A luta pela democracia e a liberdade conquistada
Participante activo nos movimentos de oposição democrática, Ludgero Pinto Basto envolveu-se na actividade do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e na campanha presidencial do general Norton de Matos no final dos anos 40. Ligado ao movimento associativo, integrou a direcção da Cooperativa dos Trabalhadores de Portugal, local por excelência da construção de unidade antifascista.
Participou na Assembleia Geral da Ordem dos Médicos em 1968, em representação do Conselho Regional de Lisboa, para a qual foi eleito numa lista unitária. Ainda antes do 25 de Abril, publicou Sobre as dificuldades de assistência médico-social aos resistentes antifascistas.
Ao nível partidário, integrava clandestinamente o sector dos médicos e, após o 25 de Abril, fez parte do sector da Saúde da Organização Regional de Lisboa do Partido. Em 1983, foi eleito para os corpos sociais da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses.