Palpites

Jorge Cordeiro
Julgando pelas aparências – que, como a experiência nos ensina e como mais adiante se verá, quase sempre nos leva, ao erro – dir-se-ia que o «palpite» foi adoptado como linha de condução da acção governativa.
Palpites apresentados como ciência certa pelo Banco de Portugal nas sucessivas previsões para 2008 que somados aos palpites, já desmentidos pelo evoluir da situação, do relatório de Inverno para 2009, pouco adiantam na monitorização da situação económica do País mas muito explicam das razões porque casos como o Banco Português de Negócios ou o Banco Privado Português lhe passou diante dos queixos sem aparente reacção; palpites do Ministro das Finanças na execução do Orçamento do Estado para 2009 que somados aos titubeantes palpites da reunião extraordinária do Conselho de Ministros da passada sexta-feira, construídos sobre os escombros das fracassadas previsões do Banco de Portugal, nada acrescentam ao que a situação do país reclama mas quase tudo explica sobre as razões de tão grosseiros erros; palpites do primeiro-ministro e do seu Governo em matéria de objectivos, metas e promessas, sejam elas o défice (vaca sagrada que por completo borregou), o crescimento económico (revertido em recessão) ou a criação de mais emprego (desaguada numa das maiores taxas de desemprego de sempre).
Palpites em quase tudo à excepção daquilo onde impera rigor, acerto de intenções, certeza de rumo: nos montantes exactos destinados a financiar a banca, nos incentivos à especulação e no favorecimento dos grandes grupos económicos, nas assertivas estimativas de benefícios fiscais dos off-shores. E sobretudo uma calculada intenção para, a pretexto dos aparentes e falhados palpites, construir e impor mais sacrifícios, novas pressões sobre os salários e uma ainda mais injusta distribuição do rendimento.


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