Com a corda na garganta

Nunca como agora o nível de endividamento das famílias foi tão elevado. Este foi um dos aspectos analisado com detalhe pelo deputado comunista Eugénio Rosa no decurso do debate do OE. Em 2007, lembrou, a dívida das famílias já representava 126 por cento do Rendimento Disponível, numa tendência que não pára de aumentar.
Foi referido, por exemplo, o caso da taxa de juro de habitação (mais de metade das famílias estão endividadas com a aquisição deste bem) que, entre Janeiro de 2005 e Setembro de 2008, aumentou 54 por cento, «fazendo disparar as prestações de habitação, tornando-as incomportáveis para muitas famílias».
Situação em tudo idêntica é a vivida pelas empresas. Segundo Eugénio Rosa, no fim de 2007, o rácio do seu endividamento correspondia já a 114 por cento do PIB. Com o agravamento da crise, advertiu, a situação em particular das PME tornou-se «insustentável». E quanto à linha de financiamento de 1000 milhões de euros tão propalada pelo Executivo de Sócrates, o deputado do PCP desvalorizou-a assinalando que os problemas mais graves das PME são as dificuldades de tesouraria e a referida linha de crédito de mil milhões de euros não tem esse objectivo.
E por falar de endividamento, ainda no entender de Eugénio Rosa, mais grave que o défice orçamental é o défice externo e o que classificou de «vertiginoso endividamento do País», o qual, explicou, «é um indicador da falta de competitividade crescente da economia portuguesa».
Em três anos de governação do PS, de 2005 a 2007, o saldo negativo acumulado nas nossas contas externas somou mais de 45 000 milhões de euros, disparando a dívida externa que é já superior a 87% do PIB, recordou o deputado do PCP, antes de chamar a atenção para outro número preocupante: de Janeiro a Agosto de 2008, o saldo negativo da Balança Corrente rondou os 12 500 milhões de euros, admitindo-se que este ano ultrapasse mesmo os 11% do PIB. O que determinará, alertou, «conjuntamente com o endividamento do Estado devido ao apoio à banca, o encarecimento do crédito no mercado internacional para Portugal, de que o ministro das Finanças nunca fala, anulando os eventuais efeitos da redução do défice, de que sempre fala».


Mais artigos de: Assembleia da República

Minorar efeitos nefastos

Depois da sua aprovação na generalidade apenas com os votos da maioria PS, o Orçamento do Estado de 2009 prossegue a sua tramitação em sede de especialidade para regressar a plenário nos próximos dias 27 e 28, altura em que ocorrerá o debate e votação final global.

Para uma vida melhor

São da ordem das centenas as propostas de alteração ao Orçamento do Estado já anunciadas pelo grupo parlamentar do PCP. Cobrindo as mais variadas áreas e sectores, destacamos hoje algumas dessas propostas relacionadas com a defesa das famílias e das pequenas empresas, com uma maior justiça fiscal e com a supervisão das...

Reforçar a supervisão bancária

O reforço do sistema de supervisão das instituições de crédito constitui outra das áreas que está a ser objecto de propostas de alteração do PCP no quadro do debate na especialidade do Orçamento do Estado. Estas alterações tiveram por base sugestões feitas pelo governador do Banco de Portugal (BdP) na comissão...

PCP alerta para desastre social

O PCP exigiu explicações ao Governo sobre o acordo assinado entre o Estado e a Lundin Mining para retomar a exploração mineira em Aljustrel, suspensa no passado dia 13.A Lundin Mining, grupo sueco/canadiano, anunciou a suspensão da extracção e produção de zinco nas minas de Neves-Corvo (Castro Verde) e Aljustrel (Beja)...