Uma sociedade perigosa
Professora: uma profissão perigosa...
Estamos em Geórgia, Sul dos Estados Unidos. Um «simpático» grupo de estudantes norte-americanos considerou seriamente a possibilidade de espancar e esfaquear a sua professora. As «razões» vinculavam-se com o facto de que a docente ralhou com um deles que decidiu, durante uma aula, pôr-se em pé em cima de uma carteira. Foi tudo calculado friamente. A ideia era atirar-lhe um pisa-papéis à cabeça e deixá-la sem sentidos. Colocar-lhe um par de algemas, amarrá-la e depois apunhalar a pobre infeliz. Entretanto, um dos agressores vigiava as janelas e outro encarregava-se da limpeza. O chefe de polícia da zona, Tony Tanner, foi atempadamente avisado do que ia acontecer porque funcionários do instituto educativo revelaram que uma das envolvidas na operação tinha levado uma arma para a escola. Não se conhece a procedência da mesma, mas considerando a tendência nacional para a «autodefesa» – o recentemente falecido Charlton Heston, presidente da Associação Nacional do Rifle, era um feroz defensor da teoria um americano/uma arma – assume-se terá sido conseguida em casa. Tendo em conta que, de quando em quando, um estudante entra numa universidade e começa a disparar e a matar a torto e a direito, algum leitor já se terá perguntado onde está a notícia nesta nota. É que o «simpático» grupo está formado por crianças entre os ... 8 e os 10 anos! Oh! a doce precocidade...
... e infantes em perigo
Não, não são os famigerados infantes da marinha! Uma sondagem, realizada pela especialista Rebecca Leeb entre 1 de Outubro de 2005 e 30 de Setembro de 2006, revela que um de cada cinquenta recém-nascidos é vítima de abuso ou falta de cuidado. Isto significa alguma coisa como 300 mil bebés, todos com uma semana ou menos de vida, que foram abandonados ou maltratados. Rebecca Leeb chega mesmo a revelar que encontrou casos de droga. Isto é só parte de uma epidemia em crescimento.
Segundo Childhelp [1], cada ano há 3 milhões de casos de abusos de crianças, o que se estima será um terço do total das ocorrências. Cada dia morrem 4 crianças vítimas de algum tipo de abuso – são 1500 por ano – e 75% delas têm menos de 4 anos. Cada 10 segundos é denunciado um abuso. Em 90% dos casos, as violações de menores de 12 anos, são perpetradas por conhecidos. O abuso de crianças não é «privilégio» da população negra ou latina: o mal dá-se em todas as etnias, independentemente do nível social. E como violência leva a mais violência, 36,7% das mulheres e 14,4% dos homens em prisão foram vítimas de abusos enquanto crianças. Finalmente, para enegrecer ainda mais o panorama, um terço das crianças abusadas ou descuidadas farão posteriormente o mesmo com os seus próprios filhos.
O culto do perigo... e da violência
O perigo faz parte da vida nos Estados Unidos. O mesmo sucede com a violência, companheira inseparável das brincadeiras das crianças. Veja-se só o que sucede com os tão populares videojogos. Segundo David Walsh, presidente do Instituto Nacional sobre Media e Família, dos EUA, «alguns jogos apresentam temas anti-sociais, como violência, sexo e linguagem obscena», e «infelizmente (...) parecem ser os jogos mais populares entre crianças de 8 a 15 anos». De facto, de acordo com outro estudo, «80% dos videogames preferidos pelos jovens contêm violência». Mas estes jogos são um grande negócio e como business is business, a Virtual Image Productions é capaz de afirmar cinicamente que: «Não são mais apenas jogos. São instrumentos de aprendizagem. Nós mostramos às crianças — da maneira mais inacreditável — a sensação que se pode ter ao puxar um gatilho...». Nada disto é novo. Há mais de 30 anos, Death Rate chocou a opinião pública com um jogo cuja finalidade era atropelar peões. Ganhava quem mais gente atropelasse. Um jogador de outra variante – o Carmageddon – passou por cima de 33 mil pessoas. As vítimas não eram apenas esmagadas pelos pneus do carro, eram literalmente esborrachadas e o sangue espirrava até ao pára-brisa do carro. Mas antes de serem atropeladas eram humilhadas. Ficavam de joelhos e imploravam piedade ou suicidavam-se. Se o «brincalhão» quisesse, também tinha a hipótese de arrancar os membros da vítima.
Pode acaso surpreender que os Estados Unidos sejam um país que respira violência? Não é fácil entender que há bem pouco uma sondagem apontasse os Estados Unidos como o país mais perigoso para a paz do mundo?
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[1] http://www.childhelp.org/resources/learning-center/statistics
Estamos em Geórgia, Sul dos Estados Unidos. Um «simpático» grupo de estudantes norte-americanos considerou seriamente a possibilidade de espancar e esfaquear a sua professora. As «razões» vinculavam-se com o facto de que a docente ralhou com um deles que decidiu, durante uma aula, pôr-se em pé em cima de uma carteira. Foi tudo calculado friamente. A ideia era atirar-lhe um pisa-papéis à cabeça e deixá-la sem sentidos. Colocar-lhe um par de algemas, amarrá-la e depois apunhalar a pobre infeliz. Entretanto, um dos agressores vigiava as janelas e outro encarregava-se da limpeza. O chefe de polícia da zona, Tony Tanner, foi atempadamente avisado do que ia acontecer porque funcionários do instituto educativo revelaram que uma das envolvidas na operação tinha levado uma arma para a escola. Não se conhece a procedência da mesma, mas considerando a tendência nacional para a «autodefesa» – o recentemente falecido Charlton Heston, presidente da Associação Nacional do Rifle, era um feroz defensor da teoria um americano/uma arma – assume-se terá sido conseguida em casa. Tendo em conta que, de quando em quando, um estudante entra numa universidade e começa a disparar e a matar a torto e a direito, algum leitor já se terá perguntado onde está a notícia nesta nota. É que o «simpático» grupo está formado por crianças entre os ... 8 e os 10 anos! Oh! a doce precocidade...
... e infantes em perigo
Não, não são os famigerados infantes da marinha! Uma sondagem, realizada pela especialista Rebecca Leeb entre 1 de Outubro de 2005 e 30 de Setembro de 2006, revela que um de cada cinquenta recém-nascidos é vítima de abuso ou falta de cuidado. Isto significa alguma coisa como 300 mil bebés, todos com uma semana ou menos de vida, que foram abandonados ou maltratados. Rebecca Leeb chega mesmo a revelar que encontrou casos de droga. Isto é só parte de uma epidemia em crescimento.
Segundo Childhelp [1], cada ano há 3 milhões de casos de abusos de crianças, o que se estima será um terço do total das ocorrências. Cada dia morrem 4 crianças vítimas de algum tipo de abuso – são 1500 por ano – e 75% delas têm menos de 4 anos. Cada 10 segundos é denunciado um abuso. Em 90% dos casos, as violações de menores de 12 anos, são perpetradas por conhecidos. O abuso de crianças não é «privilégio» da população negra ou latina: o mal dá-se em todas as etnias, independentemente do nível social. E como violência leva a mais violência, 36,7% das mulheres e 14,4% dos homens em prisão foram vítimas de abusos enquanto crianças. Finalmente, para enegrecer ainda mais o panorama, um terço das crianças abusadas ou descuidadas farão posteriormente o mesmo com os seus próprios filhos.
O culto do perigo... e da violência
O perigo faz parte da vida nos Estados Unidos. O mesmo sucede com a violência, companheira inseparável das brincadeiras das crianças. Veja-se só o que sucede com os tão populares videojogos. Segundo David Walsh, presidente do Instituto Nacional sobre Media e Família, dos EUA, «alguns jogos apresentam temas anti-sociais, como violência, sexo e linguagem obscena», e «infelizmente (...) parecem ser os jogos mais populares entre crianças de 8 a 15 anos». De facto, de acordo com outro estudo, «80% dos videogames preferidos pelos jovens contêm violência». Mas estes jogos são um grande negócio e como business is business, a Virtual Image Productions é capaz de afirmar cinicamente que: «Não são mais apenas jogos. São instrumentos de aprendizagem. Nós mostramos às crianças — da maneira mais inacreditável — a sensação que se pode ter ao puxar um gatilho...». Nada disto é novo. Há mais de 30 anos, Death Rate chocou a opinião pública com um jogo cuja finalidade era atropelar peões. Ganhava quem mais gente atropelasse. Um jogador de outra variante – o Carmageddon – passou por cima de 33 mil pessoas. As vítimas não eram apenas esmagadas pelos pneus do carro, eram literalmente esborrachadas e o sangue espirrava até ao pára-brisa do carro. Mas antes de serem atropeladas eram humilhadas. Ficavam de joelhos e imploravam piedade ou suicidavam-se. Se o «brincalhão» quisesse, também tinha a hipótese de arrancar os membros da vítima.
Pode acaso surpreender que os Estados Unidos sejam um país que respira violência? Não é fácil entender que há bem pouco uma sondagem apontasse os Estados Unidos como o país mais perigoso para a paz do mundo?
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[1] http://www.childhelp.org/resources/learning-center/statistics