PCP lança Campanha Nacional

Basta de injustiça social!

O PCP vai lançar durante a Festa do Avante!, a 5, 6 e 7 de Setembro, uma Campanha Nacional, que se prolongará até ao final de Outubro, contra as alterações ao código do trabalho, a precariedade e pelo aumento dos salários.

Há situações em que algumas horas de trabalho por semana são contabilizadas como posto de trabalho

A Campanha, que envolve os militantes e organizações de todo o Partido, implicará milhares de iniciativas de contacto com os trabalhadores e as populações, debates, sessões, acções de rua e comícios, anunciou na passada sexta-feira, Vasco Cardoso, membro da Comissão Política do PCP, preocupado com o nível a que chegou a situação nacional, «influenciada pelo quadro mundial, pelas orientações e práticas da União Europeia e determinada pela política de direita» deste Governo.
De facto, «mais de meio milhão de desempregados, cada vez mais trabalhadores em situação precária, contenção e redução dos salários e pensões – já os mais baixos da Europa –, aumento dos preços dos bens e serviços essenciais, em particular das taxas de juro com consequências drásticas na redução do poder de compra», são apenas algumas das expressões dessa política de «injustiça social» do Governo de José Sócrates.
O Governo procura, porém, ocultar a realidade, começando desde logo por ignorar o significado social do desemprego, que atinge centenas de milhar de famílias portuguesas. E é assim que, com «total insensibilidade», se congratula com a redução sazonal de três décimas na taxa de desemprego, quando milhares de trabalhadores voltam a emigrar e muitos outros deixam de constar nas estatísticas, não por já terem emprego mas por se terem cansado de o procurar e de «se sujeitar aos processos indignos que o Governo instituiu para efeitos de atribuição do subsídio e de emagrecimento das estatísticas».
Mais, o Governo escamoteia a constante redução de postos de trabalho permanente e o aumento de vínculos precários e trabalho a tempo parcial (há situações em que apenas algumas horas de trabalho por semana são contabilizadas como «posto de trabalho»); finge desconhecer o desajuste entre os critérios de apuramento da taxa de inflação e o padrão de consumo das famílias, festejando a ligeira descida da taxa de inflação em Julho (muito superior às previsões que usou para limitar os aumentos salariais e fazer baixar o seu valor real); procura esconder o forte abrandamento do ritmo de crescimento apurado no primeiro semestre de 2008, «depois de ter proclamado que o pior já tinha passado»!

Propaganda não ilude realidade

Mas o Governo pode fazer a propaganda que quiser, acusa o dirigente comunista, que isso não altera a realidade, esta marcada «pela contradição entre a situação social dos trabalhadores, dos reformados, dos jovens, dos pequenos e médios empresários e a enorme concentração da riqueza num reduzido grupo de grandes capitalistas» (só os 100 mais ricos de Portugal detêm 32 mil milhões de euros, valor que daria para pagar um salário de 500 euros a um milhão de trabalhadores durante mais de quatro anos).
Apesar destas desigualdades, a tentativa de alteração para pior do Código de Trabalho prossegue e conhecerá novos desenvolvimentos nas próximas semanas, com o objectivo de «cortar direitos, facilitar os despedimentos, diminuir as remunerações, aumentar o horário de trabalho, liquidar a contratação colectiva, limitar a liberdade de organização e acção sindical».
É pois face a esta situação – reveladora de que «para o Governo PS o agravamento da exploração não tem limite» – que o PCP decidiu lançar esta Campanha Nacional. De facto, independentemente das conjunturas, o rumo de injustiça social e declínio nacional que está a ser seguido, impõe cada vez mais uma ruptura com esta política, o que só é possível com um mais profundo desenvolvimento da luta de massas e um PCP mais forte.


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