«Onde está a Carla?»
Nicolas Sarkozy resolveu marcar o início da presidência francesa da União Europeia com uma visita à Irlanda para «ouvir e compreender» as razões do chumbo dos Irlandeses ao Tratado de Lisboa no referendo do passado Junho.
Lá foi então o Presidente. Uma visita bem à sua imagem, pequena. Esteve seis (6!) horas em Dublin durante as quais a sua generosa disponibilidade de «ouvir e compreender» se traduziu em audiências de 3 minutos a cada um dos partidos e formações que defenderam o não no referendo.
Uma generosa disponibilidade para o diálogo e compreensão já expressa dias antes desta visita numa reunião com os seus deputados da UMP em que Sarkozy terá afirmado, num titânico esforço para «ouvir e compreender», que «os irlandeses terão de votar de novo». Aliás, o grau de capacidade para «ouvir e compreender» do pequeno gaulês é tão grande que imaginamos que quando o Primeiro-ministro Irlandês o informou que tinha feito declarações afirmando que a questão do Tratado só seria tratada depois do verão, Sarkozy lhe terá respondido que naturalmente teve isso em conta mas que com os efeitos do aquecimento global esta coisa das estações é já um conceito muito difuso.
Mas não se pense com o anteriormente dito que Sarkozy não ouviu nada na Irlanda. O povo irlandês, habituado já a receber as «visitas» deste e de outros «artistas» que querem à força vergar a vontade daquele povo, fez questão de se fazer ouvir, e bem. Um cartaz de um manifestante irlandês ilustrava bem a «amistosa» recepção de que Sarkozy foi alvo: «Sarkozy vai-te embora, o povo falou». E acrescentava «onde está a Carla?».
Carla não foi à Irlanda. Claramente um erro estratégico deixar a sua maior arma diplomática (no sentido figurado e literal) em casa. Mas como a comitiva do Presidente não dorme em serviço lá houve um assessor que respondeu ao povo irlandês: «Se os irlandeses querem a Carla têm que votar como deve ser no Tratado de Lisboa».
Daqui expressamos a nossa solidariedade a Carla Brunni, transformada pelo assessor do marido em moeda de troca de um Tratado e daqui agradecemos ao Presidente Sarkozy a clarificação sobre a forma como se «ouve e compreende» lá pelos lados do Eliseu e de Bruxelas.
Lá foi então o Presidente. Uma visita bem à sua imagem, pequena. Esteve seis (6!) horas em Dublin durante as quais a sua generosa disponibilidade de «ouvir e compreender» se traduziu em audiências de 3 minutos a cada um dos partidos e formações que defenderam o não no referendo.
Uma generosa disponibilidade para o diálogo e compreensão já expressa dias antes desta visita numa reunião com os seus deputados da UMP em que Sarkozy terá afirmado, num titânico esforço para «ouvir e compreender», que «os irlandeses terão de votar de novo». Aliás, o grau de capacidade para «ouvir e compreender» do pequeno gaulês é tão grande que imaginamos que quando o Primeiro-ministro Irlandês o informou que tinha feito declarações afirmando que a questão do Tratado só seria tratada depois do verão, Sarkozy lhe terá respondido que naturalmente teve isso em conta mas que com os efeitos do aquecimento global esta coisa das estações é já um conceito muito difuso.
Mas não se pense com o anteriormente dito que Sarkozy não ouviu nada na Irlanda. O povo irlandês, habituado já a receber as «visitas» deste e de outros «artistas» que querem à força vergar a vontade daquele povo, fez questão de se fazer ouvir, e bem. Um cartaz de um manifestante irlandês ilustrava bem a «amistosa» recepção de que Sarkozy foi alvo: «Sarkozy vai-te embora, o povo falou». E acrescentava «onde está a Carla?».
Carla não foi à Irlanda. Claramente um erro estratégico deixar a sua maior arma diplomática (no sentido figurado e literal) em casa. Mas como a comitiva do Presidente não dorme em serviço lá houve um assessor que respondeu ao povo irlandês: «Se os irlandeses querem a Carla têm que votar como deve ser no Tratado de Lisboa».
Daqui expressamos a nossa solidariedade a Carla Brunni, transformada pelo assessor do marido em moeda de troca de um Tratado e daqui agradecemos ao Presidente Sarkozy a clarificação sobre a forma como se «ouve e compreende» lá pelos lados do Eliseu e de Bruxelas.