De olhos postos no futuro
Alicerçados nas gloriosas tradições revolucionárias da Marinha Grande, os comunistas reforçam a organização e intervenção do Partido. Os avanços são já visíveis mas há ainda muito mais por onde crescer.
A venda do Avante! praticamente duplicou em seis meses
Marinha Grande. Mais do que uma cidade, um símbolo: de resistência ao fascismo, de luta pela democracia e pelo socialismo, de solidariedade, no mais profundo que a palavra encerra.
É a terra do 18 de Janeiro de 1934 e da proclamação, ainda que apenas por umas horas, do Soviete; é a localidade onde se levaram a cabo intensas acções de recolha financeira para as famílias dos presos da revolta, privadas dos salários.
Aqui nasceram e se fizeram operários e revolucionários destacados dirigentes e militantes comunistas, como os irmãos José e Afonso Gregório ou Joaquim Gomes, entre outros. Também aqui, a classe operária e o povo saíram à rua em Abril e nos meses e anos seguintes dispostos a moldar, a plenos pulmões, como se fosse o vidro a que deram forma durante gerações, o seu devir colectivo.
Marcas de uma política injusta
Mas, tanto ou mais do que outras localidades operárias, a Marinha Grande sofreu com a política de destruição do aparelho produtivo, promovida, à vez, por sucessivos governos do PS e do PSD. Outrora conhecida como «capital do vidro», é hoje praticamente inexistente a produção de vidro manual, soprado, que tanto distinguia a Marinha Grande dentro e fora de portas.
Muitos têm ainda no corpo as marcas das brutais cargas policiais, quando lutavam em defesa dos seus postos de trabalho, na Manuel Pereira Roldão, nos últimos anos do consulado cavaquista. Outros, terão disto apenas recordações, não menos intensas e dolorosas. As últimas empresas deste ramo encerraram há poucos meses. Com menos violência, mas com as mesmas duras consequências.
Restam agora algumas fábricas de vidro automático, que empregam ainda largas centenas de trabalhadores, como a Galvidro, a Santos Barona e a Barbosa e Almeida. Outros sectores industriais com forte presença no concelho são os moldes e a produção de plástico para o sector automóvel.
Mais militantes com tarefas
A organização do Partido não passou incólume à destruição de dezenas de empresas, ao desemprego de muitas centenas de trabalhadores e ao alastrar da precariedade. Mas também não se conformou.
Como contou ao Avante! Filipe Andrade, responsável pela organização partidária no concelho, desde há um ano e meio que têm vindo a ser tomadas medidas para reforçar o PCP na Marinha Grande. Os resultados são já visíveis, assegurou o jovem dirigente comunista.
Desde logo, revelou, há mais militantes a assumir tarefas regularmente: na afixação e distribuição de propaganda, na dinamização do Centro de Trabalho, na acção do Partido junto dos reformados ou na venda do Avante!. Actualmente há vinte militantes encarregados da distribuição do jornal, nas empresas e no mercado.
Em seis meses, afirmou Filipe Andrade, «passámos de 90 para 170» exemplares vendidos. Este aumento não sucedeu todo de uma vez, mas de forma faseada. «Fomos aumentando dez de cada vez», revelou o responsável. Para depois do Verão, está previsto um novo salto na difusão do Avante!.
Avanços e dificuldades
Os progressos também se sentem nas organizações locais. Na freguesia da Marinha Grande, a maior, com uma população de 30 mil pessoas, não é fácil reunir toda a gente, realça Filipe Andrade. Assim, decidiu-se avançar para a criação de comissões locais. Actualmente, há duas em funcionamento, em Casal Galego e Garcia. Outras podem vir a ser criadas, espera o responsável.
Na freguesia da Vieira, realizou-se há cerca de um ano a assembleia de organização, algo que há muito não acontecia. Na freguesia da Moita, «acrescentada» ao concelho no início da década, há um núcleo de militantes que garante a cobrança das quotas e a distribuição do Avante!. A Comissão de Freguesia será eleita ainda este ano, em assembleia de organização.
Crescer junto dos trabalhadores
Uma das preocupações dos comunistas da Marinha Grande é o reforço da organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho. Um esforço contra a corrente, pois com o encerramento de várias unidades fabris muitas foram as células do Partido que desapareceram.
Fazendo face à nova realidade, o PCP criou, no concelho, a organização do sector vidreiro, que agrupa os militantes que trabalham nas fábricas de vidro ainda existentes. O Avante! é vendido todas as semanas junto às principais fábricas vidreiras e regularmente são editados comunicados específicos para os seus trabalhadores.
Mas o trabalho por turnos dificulta a intervenção. «Os camaradas quase nunca se encontram», sublinhou o responsável. Já a precariedade complica o recrutamento, destaca Filipe Andrade, realçando, porém, a existência de muitos contactos com jovens naquelas fábricas, contratados por empresas de trabalho temporário.
Quanto a muitos dos militantes mais antigos, o responsável partidário afirma que se trata de gente «muito massacrada», tendo alguns enfrentado já vários encerramentos. Os da Manuel Pereira Roldão, por exemplo, esperam desde meados da década de 90 as indemnizações que lhes são devidas pelo encerramento da empresa.
No sector químico e metalúrgico, também criado recentemente, fizeram-se alguns recrutamentos em fábricas de Vieira de Leiria. Em ambos os sectores, ainda não há células de empresa. Segundo Filipe Andrade, o objectivo é, primeiro, estabilizar o trabalho e recrutar novos militantes. Depois, avançar-se-á para as células. Ambos os sectores realizarão as suas assembleias ainda este ano, adiantou.
Soluções criativas
As soluções orgânicas e de intervenção do Partido variam de sector para sector, revelou Filipe Andrade. Se no caso dos vidreiros e dos metalúrgicos e químicos, o ponto de partida foi a criação de sectores envolvendo os militantes de todas as empresas, noutros casos passa-se exactamente o oposto.
Apesar de não existir no concelho nenhuma organização de professores comunistas, há uma célula em funcionamento numa escola. Segundo conta o responsável, a criação da célula deveu-se à situação concreta do instituição de ensino, onde a ofensiva do Governo «se fazia sentir de forma particularmente intensa».
O mesmo no comércio. A existência de um núcleo bastante activo de militantes num estabelecimento comercial – a Cooperativa de Consumo – levou a que se avançasse para a criação de uma célula do Partido. Em ambos os casos, afirma o dirigente, é possível crescer e alargar a partir destas células.
CDU recuperou a autarquia em 2005
Chegar à população
Nas últimas eleições autárquicas, em 2005, a CDU recuperou a presidência da autarquia marinhense, após dois mandatos de maioria PS. Filipe Andrade, responsável pela organização concelhia do PCP, mostra-se satisfeito com o trabalho realizado, apesar das inúmeras dificuldades: o PS deixou a autarquia sem capacidade de endividamento, lembrou.
Apesar disto, foi possível avançar na conclusão das obras de saneamento básico e garantir a manutenção da gestão da água na esfera pública. Recentemente, valorizou Filipe Andrade, os problemas financeiros ficaram finalmente resolvidos, pelo que é legítimo esperar um novo salto na actividade autárquica.
Menos positivo, afirma o responsável, é a informação à população sobre a actividade municipal, tanto da autarquia como do próprio partido. Estão já decididas várias acções de contacto com as populações para os meses a seguir ao Verão.
É a terra do 18 de Janeiro de 1934 e da proclamação, ainda que apenas por umas horas, do Soviete; é a localidade onde se levaram a cabo intensas acções de recolha financeira para as famílias dos presos da revolta, privadas dos salários.
Aqui nasceram e se fizeram operários e revolucionários destacados dirigentes e militantes comunistas, como os irmãos José e Afonso Gregório ou Joaquim Gomes, entre outros. Também aqui, a classe operária e o povo saíram à rua em Abril e nos meses e anos seguintes dispostos a moldar, a plenos pulmões, como se fosse o vidro a que deram forma durante gerações, o seu devir colectivo.
Marcas de uma política injusta
Mas, tanto ou mais do que outras localidades operárias, a Marinha Grande sofreu com a política de destruição do aparelho produtivo, promovida, à vez, por sucessivos governos do PS e do PSD. Outrora conhecida como «capital do vidro», é hoje praticamente inexistente a produção de vidro manual, soprado, que tanto distinguia a Marinha Grande dentro e fora de portas.
Muitos têm ainda no corpo as marcas das brutais cargas policiais, quando lutavam em defesa dos seus postos de trabalho, na Manuel Pereira Roldão, nos últimos anos do consulado cavaquista. Outros, terão disto apenas recordações, não menos intensas e dolorosas. As últimas empresas deste ramo encerraram há poucos meses. Com menos violência, mas com as mesmas duras consequências.
Restam agora algumas fábricas de vidro automático, que empregam ainda largas centenas de trabalhadores, como a Galvidro, a Santos Barona e a Barbosa e Almeida. Outros sectores industriais com forte presença no concelho são os moldes e a produção de plástico para o sector automóvel.
Mais militantes com tarefas
A organização do Partido não passou incólume à destruição de dezenas de empresas, ao desemprego de muitas centenas de trabalhadores e ao alastrar da precariedade. Mas também não se conformou.
Como contou ao Avante! Filipe Andrade, responsável pela organização partidária no concelho, desde há um ano e meio que têm vindo a ser tomadas medidas para reforçar o PCP na Marinha Grande. Os resultados são já visíveis, assegurou o jovem dirigente comunista.
Desde logo, revelou, há mais militantes a assumir tarefas regularmente: na afixação e distribuição de propaganda, na dinamização do Centro de Trabalho, na acção do Partido junto dos reformados ou na venda do Avante!. Actualmente há vinte militantes encarregados da distribuição do jornal, nas empresas e no mercado.
Em seis meses, afirmou Filipe Andrade, «passámos de 90 para 170» exemplares vendidos. Este aumento não sucedeu todo de uma vez, mas de forma faseada. «Fomos aumentando dez de cada vez», revelou o responsável. Para depois do Verão, está previsto um novo salto na difusão do Avante!.
Avanços e dificuldades
Os progressos também se sentem nas organizações locais. Na freguesia da Marinha Grande, a maior, com uma população de 30 mil pessoas, não é fácil reunir toda a gente, realça Filipe Andrade. Assim, decidiu-se avançar para a criação de comissões locais. Actualmente, há duas em funcionamento, em Casal Galego e Garcia. Outras podem vir a ser criadas, espera o responsável.
Na freguesia da Vieira, realizou-se há cerca de um ano a assembleia de organização, algo que há muito não acontecia. Na freguesia da Moita, «acrescentada» ao concelho no início da década, há um núcleo de militantes que garante a cobrança das quotas e a distribuição do Avante!. A Comissão de Freguesia será eleita ainda este ano, em assembleia de organização.
Crescer junto dos trabalhadores
Uma das preocupações dos comunistas da Marinha Grande é o reforço da organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho. Um esforço contra a corrente, pois com o encerramento de várias unidades fabris muitas foram as células do Partido que desapareceram.
Fazendo face à nova realidade, o PCP criou, no concelho, a organização do sector vidreiro, que agrupa os militantes que trabalham nas fábricas de vidro ainda existentes. O Avante! é vendido todas as semanas junto às principais fábricas vidreiras e regularmente são editados comunicados específicos para os seus trabalhadores.
Mas o trabalho por turnos dificulta a intervenção. «Os camaradas quase nunca se encontram», sublinhou o responsável. Já a precariedade complica o recrutamento, destaca Filipe Andrade, realçando, porém, a existência de muitos contactos com jovens naquelas fábricas, contratados por empresas de trabalho temporário.
Quanto a muitos dos militantes mais antigos, o responsável partidário afirma que se trata de gente «muito massacrada», tendo alguns enfrentado já vários encerramentos. Os da Manuel Pereira Roldão, por exemplo, esperam desde meados da década de 90 as indemnizações que lhes são devidas pelo encerramento da empresa.
No sector químico e metalúrgico, também criado recentemente, fizeram-se alguns recrutamentos em fábricas de Vieira de Leiria. Em ambos os sectores, ainda não há células de empresa. Segundo Filipe Andrade, o objectivo é, primeiro, estabilizar o trabalho e recrutar novos militantes. Depois, avançar-se-á para as células. Ambos os sectores realizarão as suas assembleias ainda este ano, adiantou.
Soluções criativas
As soluções orgânicas e de intervenção do Partido variam de sector para sector, revelou Filipe Andrade. Se no caso dos vidreiros e dos metalúrgicos e químicos, o ponto de partida foi a criação de sectores envolvendo os militantes de todas as empresas, noutros casos passa-se exactamente o oposto.
Apesar de não existir no concelho nenhuma organização de professores comunistas, há uma célula em funcionamento numa escola. Segundo conta o responsável, a criação da célula deveu-se à situação concreta do instituição de ensino, onde a ofensiva do Governo «se fazia sentir de forma particularmente intensa».
O mesmo no comércio. A existência de um núcleo bastante activo de militantes num estabelecimento comercial – a Cooperativa de Consumo – levou a que se avançasse para a criação de uma célula do Partido. Em ambos os casos, afirma o dirigente, é possível crescer e alargar a partir destas células.
CDU recuperou a autarquia em 2005
Chegar à população
Nas últimas eleições autárquicas, em 2005, a CDU recuperou a presidência da autarquia marinhense, após dois mandatos de maioria PS. Filipe Andrade, responsável pela organização concelhia do PCP, mostra-se satisfeito com o trabalho realizado, apesar das inúmeras dificuldades: o PS deixou a autarquia sem capacidade de endividamento, lembrou.
Apesar disto, foi possível avançar na conclusão das obras de saneamento básico e garantir a manutenção da gestão da água na esfera pública. Recentemente, valorizou Filipe Andrade, os problemas financeiros ficaram finalmente resolvidos, pelo que é legítimo esperar um novo salto na actividade autárquica.
Menos positivo, afirma o responsável, é a informação à população sobre a actividade municipal, tanto da autarquia como do próprio partido. Estão já decididas várias acções de contacto com as populações para os meses a seguir ao Verão.