Anticomunismo militante

João Frazão
José Manuel Fernandes (JMF), chefe de fila de Belmiro de Azevedo no jornal «Público», é anticomunista. Com diploma, mestrado e pós graduação.
Isto só é actual porque, nas últimas semanas, JMF dedica diversos dos seus escritos ao PCP, destilando ódio em quantas letras verte nos editoriais.
JMF, recorde-se, já há vários anos dedica muitos textos ao PCP. Aliás produziu prosas variadas prevendo a morte, exéquias e funeral do PCP, procurando estar sempre na primeira linha desse evento que deseja ainda mais do que prevê, ainda que o preveja diversas vezes ao ano.
Depois de uma prosa em torno de Dimitrov e das teses da unidade, em que JMF procura encaixar, esquematicamente, a realidade dentro de livros que ele leu há 30 anos e que não apreendeu muito bem, vem agora atacar as sete medidas urgentes que o PCP apresentou na Assembleia da República para fazer face a uma situação que, ele próprio o reconhece, é «muito difícil, cada vez mais difícil para muitos portugueses».
Diz JMF que tais propostas «nos levariam ao abismo» prevendo efeitos tão devastadores como os de um furacão (ainda que mal acomparado, como diria uma tia minha), que nos conduziria a «um caminho de pobreza irreversível e galopante».
Perante uma tal previsão de cataclismo iminente, JMF só dormita descansado porque as propostas do PCP, «felizmente, foram todas derrotadas».
JMF está-se borrifando para a situação em que se vive em Portugal, ainda que saiba que a «crise está longe de afectar apenas os mais desfavorecidos». Passa mesmo ao lado dos números que comprovam que a tal «pobreza galopante» não está à espera de serem aprovadas as medidas do PCP, antes prolifera nas estatísticas de todas as entidades internacionais que nos colocam no fim da tabela da UE ou mesmo da OCDE, e particularmente na vida concreta de todos os que vêem a sua vida piorar dia-após dia.
JMF está-se também nas tintas para a economia portuguesa que sabe e mostram também os estudos, está cada vez mais dependente e fragilizada.
O que perturba JMF, o que lhe tira o sono, é o facto de tais medidas partirem deste Partido e contribuírem para aprofundar junto de amplas camadas populares, o crescente prestígio do PCP, por constituírem a resposta que esperavam para os seus anseios. O que lhe dá tremores é ver este Partido vivo, forte e actuante.
O resto são previsões de JMF. E essas, como a vida comprova, valem o que valem.


Mais artigos de: Opinião

De novo a Colômbia

Eles aí estão uma vez mais, os incondicionais defensores da ordem dominante, a descarregar o seu ódio de classe sobre quem se não renda à sua versão manipulatória da realidade. Não lhes interessa a verdade dos factos mas a versão que deles lhes foi encomendada pelos centros de diversão do imperialismo. Não se propõem dar...

Partido de luta e de proposta

Uma das principais linhas de ataque ao nosso Partido é a de que está sempre no contra, só por estar. Assim como se a sua ideologia, os seus valores e os seus princípios se resumissem à facilidade com que se rejeita tudo o que esteja, sem ter a capacidade de propor o que quer que seja.

E os ricos?!...

«Por via do Sistema Integrado de Penhoras Automáticas (SIPA), a Administração Fiscal conseguiu alcançar no ano passado a meta de 1.600 milhões de euros de impostos em atraso. E este ano pretende-se recuperar 1.500 milhões de euros de impostos atrasados».Esta informação fez a primeira página de um recente Correio da...

Exame à Nação

Talvez influenciados pela época de exames em que estão mergulhados centenas de milhares de estudantes e professores, os empresários do Compromisso Portugal decidiram fazer eles próprios um exame à nação. Comprovando que tudo o que estes senhores pensam e dizem atingiu fama de ciência inquestionável nalguns sectores da...

Isolados? Não, do lado certo!

Esta semana, em torno do voto «de congratulação pela libertação de Ingrid Bettencourt» assistiu-se a mais uma campanha contra o PCP que «se deixou isolar» ao votar contra a resolução do PS, PSD e PP. E mais uma vez se usou «a máquina» para levar às massas a mentira, neste caso, que o PCP apoia o terrorismo, o...