Capitalismo soma crise à crise
O Banco Central Europeu reúne hoje, quinta-feira, para anunciar nova subida da taxa de juro. Até ao final de 2008 poderá registar-se pelo menos mais um aumento, agravando a situação dos trabalhadores e respectivas famílias.
A Euribor a seis meses encontra-se no nível máximo dos últimos oito anos
Em declarações proferidas a semana passada no Parlamento Europeu, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, recusou-se a dar qualquer garantia sobre se a subida da taxa de juro em Julho seria a única até ao final do ano, preferindo deixar margem de manobra para novo aumento durante 2008 com um claro «nós nunca nos comprometemos à partida».
A razão invocada por Trichet para o ajustamento no preço do dinheiro é o controlo da inflação, mas a verdade é que esta atingiu, no mês passado, quase o dobro, 3,7 por cento, do limite máximo fixado inicialmente pelo BCE, 2 por cento.
Por outro lado, o fraco desempenho das principais economias da UE levam alguns países, como a França e a Espanha, a darem sinais de contestação à orientação política levada a cabo por Trichet.
Cinto sem mais furos
O crescimento do juro de referência para os 4,25 por cento não deverá ter, na prática, consequências imediatas nos empréstimos em vigor, uma vez que, antecipando-se à decisão do BCE, os bancos já se comportam como se aquela entidade supranacional tivesse procedido a dois aumentados da taxa de juro.
Em Portugal, a taxa usada na maioria dos empréstimos para a aquisição de habitação própria, a Euribor a seis meses, encontra-se no nível máximo dos últimos oito anos, 5,125 por cento.
Se a isto acrescermos os baixos salários praticados no nosso país, a precariedade laboral, os aumentos dos preços dos bens de primeira necessidade e o facto dos custos de alguns serviços, como a electricidade, serem dos mais elevados da União Europeia, não é de estranhar que as famílias portuguesas sejam as mais endividadas da UE, como um nível apurado de quase 130 por cento do rendimento disponível.
Os factores que mais contribuem para a actual crise são o preço do barril de petróleo - que este ano já valorizou quase 50 por cento mas que o presidente da Organização de Países Exportadores de Petróleo admite poder chegar aos 170 dólares em 2008 -, e as ondas de choque da crise do crédito de alto risco, a qual fez cair as principais bolsas mundiais (incluindo o lisboeta PSI-20, que nos primeiros meses de 2008 já perdeu 30 por cento) e levou a um sério condicionamento no acesso ao crédito.
A razão invocada por Trichet para o ajustamento no preço do dinheiro é o controlo da inflação, mas a verdade é que esta atingiu, no mês passado, quase o dobro, 3,7 por cento, do limite máximo fixado inicialmente pelo BCE, 2 por cento.
Por outro lado, o fraco desempenho das principais economias da UE levam alguns países, como a França e a Espanha, a darem sinais de contestação à orientação política levada a cabo por Trichet.
Cinto sem mais furos
O crescimento do juro de referência para os 4,25 por cento não deverá ter, na prática, consequências imediatas nos empréstimos em vigor, uma vez que, antecipando-se à decisão do BCE, os bancos já se comportam como se aquela entidade supranacional tivesse procedido a dois aumentados da taxa de juro.
Em Portugal, a taxa usada na maioria dos empréstimos para a aquisição de habitação própria, a Euribor a seis meses, encontra-se no nível máximo dos últimos oito anos, 5,125 por cento.
Se a isto acrescermos os baixos salários praticados no nosso país, a precariedade laboral, os aumentos dos preços dos bens de primeira necessidade e o facto dos custos de alguns serviços, como a electricidade, serem dos mais elevados da União Europeia, não é de estranhar que as famílias portuguesas sejam as mais endividadas da UE, como um nível apurado de quase 130 por cento do rendimento disponível.
Os factores que mais contribuem para a actual crise são o preço do barril de petróleo - que este ano já valorizou quase 50 por cento mas que o presidente da Organização de Países Exportadores de Petróleo admite poder chegar aos 170 dólares em 2008 -, e as ondas de choque da crise do crédito de alto risco, a qual fez cair as principais bolsas mundiais (incluindo o lisboeta PSI-20, que nos primeiros meses de 2008 já perdeu 30 por cento) e levou a um sério condicionamento no acesso ao crédito.