Da ficção à realidade
O primeiro-ministro fala como se fosse o rei da Babilónia. Nada o impressiona, nada o faz mudar de rumo, contra factos não há argumentos que cheguem para fazer perceber ao primeiro-ministro que ele é como os automobilistas que andam ao contrário na auto-estrada mas pensam que os outros é que vão mal.
E como vão mal, há que mudar o código da estrada, no seu caso o código do trabalho, para penalizar ainda mais essa gentalha que grita, que reclama, que exige respeito e justiça, que quer trabalho com direitos.
Não à direito! O governo esforça-se para manter os lucros dos grupos financeiros, dos especuladores, das grandes empresas e dos senhores que dominam a rede de distribuição de combustíveis (além de outros amigos) e andam para aí uns Zé ninguém – que não percebem nada de política e muito menos de economia – a protestar porque o desemprego atinge milhares e milhares de trabalhadores; a precariedade é uma chaga social; os salários valem cada vez menos face ao brutal aumento do custo de vida; as taxas de juro não param de aumentar; a fome começa a chegar a muitas casas; os serviços públicos degradam-se de dia para dia; os funcionários públicos são todos os dias atingidos na sua dignidade.
Mas isto são lá argumentos para os ouvidos sensíveis do excelso primeiro-ministro e da sua corte? Com franqueza, é preciso decoro! Os patrões querem mudar o código para pôr todos na linha e acabar com os privilégios dos funcionários públicos? Então, logo o governo quer fazer alterações ao código do trabalho e impor um código para a Administração Pública, para salvar a nação! Porém, os malandros dos trabalhadores antipatriotas, estáticos e antimodernos, aos milhares, batem o pé a dizer não e não!
Pois é, vivemos no País do faz de conta.
Entretanto, sempre atento, o Sr. Presidente da República promove roteiros da pobreza, da exclusão social, faz apelos ao empreendorismo e à compreensão dos trabalhadores e do povo para mais um esforço, apela à exigência e ao rigor e, num apego nacionalista, racista e xenófobo, contrariando a Constituição que jurou cumprir e fazer cumprir, fala do dia raça, lembrando tempos passados e derrotados.
Só as grandes fortunas crescem
O primeiro-ministro declara solenemente num dos seus momentos de grande rasgo que as contas públicas estão estabilizadas, que chegámos ao fim do ciclo negativo e que agora vamos crescer. Será que estava a pensar no Pinóquio quando falava em crescer? É que no País real as únicas coisas que crescem são os lucros do grande capital, o fortalecimento das grandes fortunas, as falências de micro, pequenas e médias empresas, o fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres, o desemprego e a precariedade, as taxas de juro à habitação e o custo de vida, a dependência alimentar. Sim, porque tudo o resto desce: descem os salários e as pensões, os níveis de protecção social, o emprego com direitos e os direitos dos trabalhadores e, naturalmente, a produção nacional em resultado desta política desastrosa.
Entretanto, com o disparo do preço dos combustíveis, o governo, não querendo fazer sombra à selecção nacional, chuta a bola para o canto, depositando toda a esperança nos amigos da UE, (cujos governos, seguindo a linha neoliberal, atentam contra os direitos dos trabalhadores a favor do grande capital transnacional) e fazendo de conta que é ali que se encontra a solução do problema que atinge gravemente a vida da maioria da população.
Gerindo à peça os conflitos decorrentes do aumento dos combustíveis, Sócrates – sempre em nome do país – cede aqui ou ali, faz de conta que todos ganham, para segurar o essencial da sua política.
Cavaco Silva, atento e convergente com o governo do PS/ Sócrates, elogia-o pela sua prestação na presidência da UE e no Tratado de Lisboa, ou seja, pela anexação de mais uma parte da soberania nacional, e apela à serenidade e à concórdia nacional.
Outros protagonistas do faz de conta, como Alegre e a sua corte, orientando-se pelo sectarismo e o anticomunismo e funcionando como uma espécie de válvula de retenção para impedir o crescimento do PCP, procuram fazer de conta que são a esquerda das esquerdas ou a esquerda unida, quando na realidade excluem a força mais consequente e portadora de um projecto alternativo de efectiva ruptura com a politica de direita, o PCP.
Mas o País onde alguns fazem de conta enfrenta realidades incontornáveis, que mostram que o carro do primeiro-ministro anda ao contrário: foge à questão central dos escandalosos lucros das petrolíferas e da banca e à sua intocabilidade pelo Estado, foge ao real e escandaloso agravamento da situação económica social de milhares de famílias, tenta impor mais exploração através das suas alterações ao código do trabalho.
Por outro lado, no País real, milhares e milhares de trabalhadores, reformados, pensionistas, micro, pequenos empresários e agricultores protestam contra este estado de coisas e lutam com convicção e confiança por uma efectiva mudança de politica, caminhando no sentido certo, e para tal contando sempre com o Partido Comunista Português, a grande força da esquerda em Portugal, portadora de facto de um projecto de unidade e convergência com todos os que efectivamente querem uma ruptura com a política de direita.
Não à direito! O governo esforça-se para manter os lucros dos grupos financeiros, dos especuladores, das grandes empresas e dos senhores que dominam a rede de distribuição de combustíveis (além de outros amigos) e andam para aí uns Zé ninguém – que não percebem nada de política e muito menos de economia – a protestar porque o desemprego atinge milhares e milhares de trabalhadores; a precariedade é uma chaga social; os salários valem cada vez menos face ao brutal aumento do custo de vida; as taxas de juro não param de aumentar; a fome começa a chegar a muitas casas; os serviços públicos degradam-se de dia para dia; os funcionários públicos são todos os dias atingidos na sua dignidade.
Mas isto são lá argumentos para os ouvidos sensíveis do excelso primeiro-ministro e da sua corte? Com franqueza, é preciso decoro! Os patrões querem mudar o código para pôr todos na linha e acabar com os privilégios dos funcionários públicos? Então, logo o governo quer fazer alterações ao código do trabalho e impor um código para a Administração Pública, para salvar a nação! Porém, os malandros dos trabalhadores antipatriotas, estáticos e antimodernos, aos milhares, batem o pé a dizer não e não!
Pois é, vivemos no País do faz de conta.
Entretanto, sempre atento, o Sr. Presidente da República promove roteiros da pobreza, da exclusão social, faz apelos ao empreendorismo e à compreensão dos trabalhadores e do povo para mais um esforço, apela à exigência e ao rigor e, num apego nacionalista, racista e xenófobo, contrariando a Constituição que jurou cumprir e fazer cumprir, fala do dia raça, lembrando tempos passados e derrotados.
Só as grandes fortunas crescem
O primeiro-ministro declara solenemente num dos seus momentos de grande rasgo que as contas públicas estão estabilizadas, que chegámos ao fim do ciclo negativo e que agora vamos crescer. Será que estava a pensar no Pinóquio quando falava em crescer? É que no País real as únicas coisas que crescem são os lucros do grande capital, o fortalecimento das grandes fortunas, as falências de micro, pequenas e médias empresas, o fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres, o desemprego e a precariedade, as taxas de juro à habitação e o custo de vida, a dependência alimentar. Sim, porque tudo o resto desce: descem os salários e as pensões, os níveis de protecção social, o emprego com direitos e os direitos dos trabalhadores e, naturalmente, a produção nacional em resultado desta política desastrosa.
Entretanto, com o disparo do preço dos combustíveis, o governo, não querendo fazer sombra à selecção nacional, chuta a bola para o canto, depositando toda a esperança nos amigos da UE, (cujos governos, seguindo a linha neoliberal, atentam contra os direitos dos trabalhadores a favor do grande capital transnacional) e fazendo de conta que é ali que se encontra a solução do problema que atinge gravemente a vida da maioria da população.
Gerindo à peça os conflitos decorrentes do aumento dos combustíveis, Sócrates – sempre em nome do país – cede aqui ou ali, faz de conta que todos ganham, para segurar o essencial da sua política.
Cavaco Silva, atento e convergente com o governo do PS/ Sócrates, elogia-o pela sua prestação na presidência da UE e no Tratado de Lisboa, ou seja, pela anexação de mais uma parte da soberania nacional, e apela à serenidade e à concórdia nacional.
Outros protagonistas do faz de conta, como Alegre e a sua corte, orientando-se pelo sectarismo e o anticomunismo e funcionando como uma espécie de válvula de retenção para impedir o crescimento do PCP, procuram fazer de conta que são a esquerda das esquerdas ou a esquerda unida, quando na realidade excluem a força mais consequente e portadora de um projecto alternativo de efectiva ruptura com a politica de direita, o PCP.
Mas o País onde alguns fazem de conta enfrenta realidades incontornáveis, que mostram que o carro do primeiro-ministro anda ao contrário: foge à questão central dos escandalosos lucros das petrolíferas e da banca e à sua intocabilidade pelo Estado, foge ao real e escandaloso agravamento da situação económica social de milhares de famílias, tenta impor mais exploração através das suas alterações ao código do trabalho.
Por outro lado, no País real, milhares e milhares de trabalhadores, reformados, pensionistas, micro, pequenos empresários e agricultores protestam contra este estado de coisas e lutam com convicção e confiança por uma efectiva mudança de politica, caminhando no sentido certo, e para tal contando sempre com o Partido Comunista Português, a grande força da esquerda em Portugal, portadora de facto de um projecto de unidade e convergência com todos os que efectivamente querem uma ruptura com a política de direita.