Mais de 250 mil avisam Sócrates

A luta já não pára!

Mais de 250 mil trabalhadores repudiaram a revisão da legislação laboral do Governo, numa Avenida da Liberdade apinhada de palavras de ordem contra as políticas de direita. A multidão de trabalhadores garantiu que prosseguirá a luta e tudo fará para dar ainda mais força ao próximo protesto, já no dia 28.

O protesto de dia 28 será ainda maior

Numa saudação aos trabalhadores emitida um dia depois da manifestação, a Comissão Executiva do Conselho Nacional da CGTP-IN salienta a «grande expressão e significado» desta acção «face às políticas que estão a ser seguidas pelo Governo» e considera que foi uma «inequívoca afirmação da determinação dos trabalhadores de lutarem pelos seus direitos, pela melhoria das suas condições de vida e pelo desenvolvimento do País».
Na resolução aclamada por uma moldura humana que ocupava completamente a Avenida da Liberdade, do Marquês à Praça dos Restauradores, a CGTP-IN exigiu «uma mudança de políticas que responda à satisfação das justas reivindicações dos trabalhadores».
Ficou convocada, para dia 28, uma «acção geral de protesto e luta, com concentrações e manifestações, às 15.30 horas, na generalidade das regiões do País».
A acção será «uma nova e poderosa manifestação de exigência para se pôr termo à ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e reclamar uma nova política que encaminhe o País para o desenvolvimento e o progresso social».
A direcção da União dos Sindicatos do Porto reuniu, também no dia 6, e emitiu uma saudação especial aos milhares de trabalhadores da região que participaram no protesto, tendo, para isso, muitos deles, cumprido um dia de greve. A USP/CGTP-IN marcou a concentração distrital de dia 28, para a Praça da Batalha, com desfile até à Praça da Liberdade e manifestou todo o seu apoio e empenho para um ainda maior sucesso do protesto, porque «a luta não vai parar», como garantiu Carvalho da Silva, na intervenção de encerramento.

Um mar de povo

Meia-hora antes do início da manifestação nacional da CGTP-IN, com o lema «Não a esta revisão das leis laborais! Vida e trabalho digno para todos!», o Sol aquecia, e subindo o Parque Eduardo VII descobriam-se muitos trabalhadores que, vindos de todos os cantos do País, aguardavam a hora certa para descerem à rotunda e juntarem-se ao protesto.
A cabeça da manifestação partiu pouco depois das 15 horas.
Ao longo da avenida, um cordão ininterrupto de trabalhadores aguardava a passagem da manifestação que juntou trabalhadores de todos os sectores, da Administração Pública e de empresas privadas, comissões de utentes de serviços de saúde e das auto-estradas, de reformados, desempregados e deficientes uniram-se para lembrar ao Governo PS e a José Sócrates que «os trabalhadores estão em luta» e que «juntos pela mudança, lutamos com confiança».
À sombra e aproveitando as bancadas prontas para a noite das marchas populares, muitos, na maioria idosos aplaudiram dali a manifestação.
Trabalhadores, jovens e reformados de todas as profissões fizeram uma moldura humana de dimensões sem precedentes naquela avenida, pelo menos desde a Revolução de Abril, como afirmou à imprensa, na manifestação, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Promessas que o vento levou

Depois de recordar um vasto conjunto de promessas feitas pelo PS aos trabalhadores, enquanto oposição, nomeadamente relativas à revisão do Código do Trabalho, e de acusar o governo de ter feito exactamente o contrário, o secretário-geral da CGTP-IN salientou os principais problemas com que se confrontam os trabalhadores.
«São os baixos salários, a pobreza, o desemprego e a precariedade, o agravamento do custo de vida e dos horários de trabalho que limitam o desenvolvimento económico e social do País», afirmou Carvalho da Silva, depois da intervenção de Valter Lóio, da Interjovem/CGTP-IN.
O dirigente da central recordou como o Governo tinha prometido que, este ano, os trabalhadores da Administração Pública não iam perder poder de compra. Mas como o próprio Governo veio reconhecer, com a revisão da previsão da inflação, de 2,1 para 2,6 por cento, estão a viver mais um ano em perda. Perante esta realidade, «o Governo tem a lata de dizer que não fará quaisquer correcções salariais», protestou, entre as vaias ao Governo vindas da multidão.
No entanto, «há empresas onde os administradores se aumentaram em 118 por cento num ano, enquanto aos trabalhadores, usaram uma borracha e apagaram o primeiro um». «Depois, com uma caneta, meteram uma vírgula entre os dois algarismos que ficaram, e aos trabalhadores deram apenas um aumento de 1,8 por cento».
Salientando que as causas fundamentais da crise «são as políticas prosseguidas pelo Governo no plano interno, as práticas patronais e o acumular de riqueza de alguns senhores», Carvalho da Silva lembrou que «a coisa mais valiosa para um País é o seu povo», e que «a melhoria das condições do seu poder de compra tem de ser uma obrigação da governação».


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