Já nem paga...
Tornou-se uma evidência que o PS de José Sócrates deve, fundamentalmente, a sua maioria absoluta a duas coisas: a Pedro Santana Lopes e às promessas «tipo esquerda».
A Pedro Santana Lopes, porque o breve consulado de oito meses do «menino-guerreiro» à frente dos destinos da pátria foi um anedotário tão fecundo, que o País ficou de cabelos em pé e disposto a tudo para o tirar dali. Quem não conhece cidadãos que votaram Sócrates só para afastar Santana?
Às promessas «tipo esquerda», porque a garantia da criação de 150.000 novos postos de trabalho, dada pessoalmente por José Sócrates em sessões de propaganda de lés-a-lés, a par do compromisso de baixar impostos e espalhar a «justiça social», segregaram no eleitorado a credulidade do costume, qual fénix sempre renascida após mais um esturricamento aplicado pelo Governo anterior.
Se José Sócrates não cumpriu o que prometeu, em contrapartida realizou o que não prometera ao eleitorado e que os Governos anteriores, seus pares, nunca ousaram tentar: o desmantelamento metódico e programado dos funcionamentos democráticos e progressistas que a Revolução de Abril introduziu no Estado e na sociedade.
A ofensiva foi global e generalizada: no Ensino, desarticulou a gestão democrática das escolas, desacreditou a profissão docente, burocratizou as carreiras, impôs o autoritarismo hierárquico onde havia cooperação e construção conjunta; na Saúde, fechou maternidades e urgências, degradou hospitais e gestões hospitalares, alargou o espaço ao negócio privado da Saúde e «nivelou por baixo» os apoios médicos cortando os subsídios a subsistemas como o dos jornalistas; na Justiça e Segurança governamentalizou serviços, procedimentos e forças policiais e centralizou ainda mais o controle destas áreas nas suas próprias mãos; na Função Pública alargou a precariedade, desestruturou carreiras e cortou direitos; no mundo do trabalho, em geral, prepara-se para dar novas e profundas machadadas nos direitos e garantias de todos os trabalhadores através da aprovação de um Código do Trabalho, que há quatro anos o mesmo PS combatia frontalmente na sua campanha pela maioria.
As eleições legislativas estão à porta e José Sócrates voltou às «promessas de esquerda», mas como o tempo urge e o descontentamento alastra, passou a anunciá-las como factos consumados e até com data marcada. Eis dois casos.
Um, foi o apoio aos diabéticos, garantido no último trimestre do ano passado para os inícios deste ano, sob a forma do pagamento integral de bombas infusoras de insulina e respectivo kit mensal - a primeira custando 3.000 euros e o segundo 120 euros/mês, tudo determinante para a vida destes doentes. Estamos em Junho e nem um cêntimo foi dado a qualquer diabético.
Outro, foi o anúncio do próprio José Sócrates em plena Assembleia da República, garantindo que, a partir de Abril deste ano, todos os idosos auferindo o complemento de reforma passariam a receber 400 euros /mês. Estamos em Junho e muitos milhares desses idosos não viram um cêntimo a mais.
Portanto, José Sócrates já não se limita a fazer promessas que depois esquece: agora já dá subsídios que nem paga...
A Pedro Santana Lopes, porque o breve consulado de oito meses do «menino-guerreiro» à frente dos destinos da pátria foi um anedotário tão fecundo, que o País ficou de cabelos em pé e disposto a tudo para o tirar dali. Quem não conhece cidadãos que votaram Sócrates só para afastar Santana?
Às promessas «tipo esquerda», porque a garantia da criação de 150.000 novos postos de trabalho, dada pessoalmente por José Sócrates em sessões de propaganda de lés-a-lés, a par do compromisso de baixar impostos e espalhar a «justiça social», segregaram no eleitorado a credulidade do costume, qual fénix sempre renascida após mais um esturricamento aplicado pelo Governo anterior.
Se José Sócrates não cumpriu o que prometeu, em contrapartida realizou o que não prometera ao eleitorado e que os Governos anteriores, seus pares, nunca ousaram tentar: o desmantelamento metódico e programado dos funcionamentos democráticos e progressistas que a Revolução de Abril introduziu no Estado e na sociedade.
A ofensiva foi global e generalizada: no Ensino, desarticulou a gestão democrática das escolas, desacreditou a profissão docente, burocratizou as carreiras, impôs o autoritarismo hierárquico onde havia cooperação e construção conjunta; na Saúde, fechou maternidades e urgências, degradou hospitais e gestões hospitalares, alargou o espaço ao negócio privado da Saúde e «nivelou por baixo» os apoios médicos cortando os subsídios a subsistemas como o dos jornalistas; na Justiça e Segurança governamentalizou serviços, procedimentos e forças policiais e centralizou ainda mais o controle destas áreas nas suas próprias mãos; na Função Pública alargou a precariedade, desestruturou carreiras e cortou direitos; no mundo do trabalho, em geral, prepara-se para dar novas e profundas machadadas nos direitos e garantias de todos os trabalhadores através da aprovação de um Código do Trabalho, que há quatro anos o mesmo PS combatia frontalmente na sua campanha pela maioria.
As eleições legislativas estão à porta e José Sócrates voltou às «promessas de esquerda», mas como o tempo urge e o descontentamento alastra, passou a anunciá-las como factos consumados e até com data marcada. Eis dois casos.
Um, foi o apoio aos diabéticos, garantido no último trimestre do ano passado para os inícios deste ano, sob a forma do pagamento integral de bombas infusoras de insulina e respectivo kit mensal - a primeira custando 3.000 euros e o segundo 120 euros/mês, tudo determinante para a vida destes doentes. Estamos em Junho e nem um cêntimo foi dado a qualquer diabético.
Outro, foi o anúncio do próprio José Sócrates em plena Assembleia da República, garantindo que, a partir de Abril deste ano, todos os idosos auferindo o complemento de reforma passariam a receber 400 euros /mês. Estamos em Junho e muitos milhares desses idosos não viram um cêntimo a mais.
Portanto, José Sócrates já não se limita a fazer promessas que depois esquece: agora já dá subsídios que nem paga...