EUA usam barcos como prisões
Os EUA utilizam barcos militares como prisões flutuantes para interrogatórios de presos suspeitos de terrorismo, revelou esta semana o jornal The Guardian.
«Aos presos não são reconhecidos quaisquer direitos»
A informação veiculada pelo jornal britânico na sua edição de 2 de Junho baseia-se num relatório ainda não publicado da organização Reprieve, onde se afirma que os presos são interrogados a bordo e posteriormente enviados para centros de encarceramento em diferentes países.
Nesta prática, implementada a partir de 2001, terá estado envolvida uma vintena de barcos, entre os quais se contam o USS Bataan, o USS Ashland e o USS Peleli, sendo que alguns operavam na área da ilha Diego Garcia, uma possessão inglesa no Oceano Índico.
Recorda-se que, há cerca de três meses, na sequência da denúncia pública da utilização do espaço aéreo europeu por aviões da CIA para transporte de prisioneiros, o chanceler britânico David Miliband admitiu que naquela ilha aterraram aviões norte-americanos com presos para a base naval de Guantánamo.
Segundo o The Guardian, o relatório da Reprieve deverá ser publicado ainda este ano e identifica mais de 200 novos casos de deslocação de presos registados em 2006, o que a confirmar-se desmente as declarações do presidente Bush sobre a suspensão de tais práticas.
A escolha destas «prisões flutuantes», segundo o director da Reprieve, Clive Stafford Smith, deve-se ao facto de os norte-americanos pretenderem manter estas práticas secretas, bem longe dos olhares da comunicação social e da intervenção de advogados, já que aos presos não são reconhecidos quaisquer direitos, designadamente o direito à defesa.
Ainda de acordo com Stafford Smith, relatórios do próprio governo norte-americano reconhecem que se encontram actualmente pelo menos 26 mil pessoas em prisões secretas, e que pelo menos 80 mil foram sujeitas a este sistema desde 2001.
Ouvido pelo jornal The Guardian, o porta-voz da Marinha norte-americana, Jeffrey Gordon, negou que os barcos tenham condições para funcionar como prisões, mas admitiu que algumas pessoas foram levadas para bordo durante alguns dias, no que designou «os primeiros dias de detenção».
A informação sobre as «prisões flutuantes» foi ainda corroborada por outras fontes, incluindo militares norte-americanos, o Conselho da Europa, parlamentares e pelos próprios prisioneiros.
Suicídios em alta
Enquanto prosseguem os atropelos dos EUA às mais elementares normas internacionais, o Exército norte-americano debate-se com um número recorde de suicídios. No final de Maio, fontes oficiais informaram que os suicídios entre os seus efectivos no serviço activo atingiram em 2007 a mais alta taxa desde que se começaram a fazer registos, em 1980, atingindo um total de 115, incluindo 22 da Guarda Nacional e da Reserva do Exército. Aquele número representa um aumento de 12,7 por cento em relação ao registado em 2006 (102 suicídios). De assinalar ainda a ocorrência de 935 tentativas de suicídio.
Embora as fontes militares considerem que as estatísticas não estabelecem uma relação directa entre as mortes e as deslocações para o Iraque e Afeganistão, reconhecem que a tensão provocada pelas operações de guerra está a cobrar um elevado preço aos soldados, incluindo a ruptura das suas relações pessoais, uma situação apontada como catalizadora do suicídio em metade dos casos. De referir que um quarto dos suicídios (32) em 2007 ocorreu no Iraque.
Nesta prática, implementada a partir de 2001, terá estado envolvida uma vintena de barcos, entre os quais se contam o USS Bataan, o USS Ashland e o USS Peleli, sendo que alguns operavam na área da ilha Diego Garcia, uma possessão inglesa no Oceano Índico.
Recorda-se que, há cerca de três meses, na sequência da denúncia pública da utilização do espaço aéreo europeu por aviões da CIA para transporte de prisioneiros, o chanceler britânico David Miliband admitiu que naquela ilha aterraram aviões norte-americanos com presos para a base naval de Guantánamo.
Segundo o The Guardian, o relatório da Reprieve deverá ser publicado ainda este ano e identifica mais de 200 novos casos de deslocação de presos registados em 2006, o que a confirmar-se desmente as declarações do presidente Bush sobre a suspensão de tais práticas.
A escolha destas «prisões flutuantes», segundo o director da Reprieve, Clive Stafford Smith, deve-se ao facto de os norte-americanos pretenderem manter estas práticas secretas, bem longe dos olhares da comunicação social e da intervenção de advogados, já que aos presos não são reconhecidos quaisquer direitos, designadamente o direito à defesa.
Ainda de acordo com Stafford Smith, relatórios do próprio governo norte-americano reconhecem que se encontram actualmente pelo menos 26 mil pessoas em prisões secretas, e que pelo menos 80 mil foram sujeitas a este sistema desde 2001.
Ouvido pelo jornal The Guardian, o porta-voz da Marinha norte-americana, Jeffrey Gordon, negou que os barcos tenham condições para funcionar como prisões, mas admitiu que algumas pessoas foram levadas para bordo durante alguns dias, no que designou «os primeiros dias de detenção».
A informação sobre as «prisões flutuantes» foi ainda corroborada por outras fontes, incluindo militares norte-americanos, o Conselho da Europa, parlamentares e pelos próprios prisioneiros.
Suicídios em alta
Enquanto prosseguem os atropelos dos EUA às mais elementares normas internacionais, o Exército norte-americano debate-se com um número recorde de suicídios. No final de Maio, fontes oficiais informaram que os suicídios entre os seus efectivos no serviço activo atingiram em 2007 a mais alta taxa desde que se começaram a fazer registos, em 1980, atingindo um total de 115, incluindo 22 da Guarda Nacional e da Reserva do Exército. Aquele número representa um aumento de 12,7 por cento em relação ao registado em 2006 (102 suicídios). De assinalar ainda a ocorrência de 935 tentativas de suicídio.
Embora as fontes militares considerem que as estatísticas não estabelecem uma relação directa entre as mortes e as deslocações para o Iraque e Afeganistão, reconhecem que a tensão provocada pelas operações de guerra está a cobrar um elevado preço aos soldados, incluindo a ruptura das suas relações pessoais, uma situação apontada como catalizadora do suicídio em metade dos casos. De referir que um quarto dos suicídios (32) em 2007 ocorreu no Iraque.