Salários de miséria
As palavras de Sócrates e dos seus ministros na Assembleia da República, a responder à moção de censura apresentada pelo PCP ou a fazer o ponto da situação económica e social do País, ainda estão vivas na memória dos portugueses. Disse-se então – e repete-se a todo o momento – que Portugal está mais justo e solidário, que a economia vai bem e recomenda-se, que as políticas do Governo são as necessárias para o progresso e bem-estar social. Disse-se também – e repete-se a todo o momento – que o PCP é um arauto da desgraça, que padece de cegueira crónica face à bondade das opções governativas, que insiste em fazer do PS o inimigo principal.
Mais coisa menos coisa, é este o discurso repetido à exaustão por este e anteriores governos, que há mais de três décadas nos vão pedindo sacrifícios em nome de benesses futuras, garantindo que desta vez é que Portugal assenta arraiais no «pelotão da frente» dos mais ricos, dos mais desenvolvidos, dos mais competitivos.
A propaganda no entanto não resiste aos factos. A verdade é que a ilusão não enche barriga,
e a barriga dos portugueses está cada vez mais vazia, como revelam dois estudos divulgados nos últimos dias.
As fontes são insuspeitas de simpatias comunistas: o Eurostat e o Centro de Estudos para a Intervenção Social (Cesis). No primeiro caso, confirma-se que o índice de desigualdade continua a agravar-se em Portugal, sendo o mais elevado na União Europeia a 25. De acordo com o relatório da Comissão Europeia, entre 2000 e 2004 aquele índice passou de 37 para 41 (numa escala de 0 a 100, quanto mais elevado o índice maior é o nível de desigualdade). Em 2004, refere o relatório, cerca de um milhão de portugueses vivia com menos de dez euros por dia, e destes cerca de um quarto com menos de cinco euros.
No segundo caso – num estudo inédito a divulgar em Junho – constata-se que cerca de metade das famílias corre o risco de pobreza – entendendo-se como tal a «situação de privação resultante da falta de recursos» –, já passou fome, e a maioria trabalha com contratos sem termo e salários de miséria. Com um paraíso socialista destes nem faz falta o inferno.
Mais coisa menos coisa, é este o discurso repetido à exaustão por este e anteriores governos, que há mais de três décadas nos vão pedindo sacrifícios em nome de benesses futuras, garantindo que desta vez é que Portugal assenta arraiais no «pelotão da frente» dos mais ricos, dos mais desenvolvidos, dos mais competitivos.
A propaganda no entanto não resiste aos factos. A verdade é que a ilusão não enche barriga,
e a barriga dos portugueses está cada vez mais vazia, como revelam dois estudos divulgados nos últimos dias.
As fontes são insuspeitas de simpatias comunistas: o Eurostat e o Centro de Estudos para a Intervenção Social (Cesis). No primeiro caso, confirma-se que o índice de desigualdade continua a agravar-se em Portugal, sendo o mais elevado na União Europeia a 25. De acordo com o relatório da Comissão Europeia, entre 2000 e 2004 aquele índice passou de 37 para 41 (numa escala de 0 a 100, quanto mais elevado o índice maior é o nível de desigualdade). Em 2004, refere o relatório, cerca de um milhão de portugueses vivia com menos de dez euros por dia, e destes cerca de um quarto com menos de cinco euros.
No segundo caso – num estudo inédito a divulgar em Junho – constata-se que cerca de metade das famílias corre o risco de pobreza – entendendo-se como tal a «situação de privação resultante da falta de recursos» –, já passou fome, e a maioria trabalha com contratos sem termo e salários de miséria. Com um paraíso socialista destes nem faz falta o inferno.