E o elixir eleitoral?

José Casanova
Os media não se cansam de, com carinhos paternais e maternais, consoante os casos, informar sobre o presumível destino político do grupo de fraccionistas que - invocando os pretextos usuais nestas circunstâncias desde há pelo menos cem anos - contestam, combatem, caluniam e insultam o PCP, o seu colectivo partidário, a sua Direcção. Às perguntas sobre se vão ou não criar um novo partido político e se vão ou não concorrer às eleições para o Parlamento Europeu, as opiniões dividem-se. No que respeita à criação de um partido, uns acham que sim, outros acham que não, outros, ainda, acham que ele há-de autocriar-se. (Os media vão ouvindo as diversificadas opiniões e divulgam-nas com os enlevos e desvelos característicos de uma comunicação social que é propriedade dos grandes grupos económicos e financeiros e para a qual tudo o que se apresente contra o PCP, visando enfraquecê-lo e, se possível, liquidá-lo, merece todas as simpatias e apoios – pelo que, e em resumo, para essa comunicação social, a solução melhor é a que mais fortemente contribuir para o enfraquecimento do PCP).
A questão de o presumível novo partido concorrer ou não às eleições para o Parlamento Europeu tem sido motivo de elevadas, profundas e amplas reflexões, todas elas cheias da novidade, da modernidade, da profundidade próprias de cérebros privilegiados. Uma dessas reflexões, pela surpresa que provoca, exige quanto mais não seja um breve comentário. A coisa é isto: alerta um dos interessados para o perigo de o novo partido concorrer às eleições e vir a obter um resultado negativo, ocorrência que, segundo o dito, seria grave, gravíssima, insanável, uma desgraça enfim. Vindo de quem vem, o receio de tais perigos é incompreensível. Com efeito, sabe-se
que entre as muitas, grandes e graves críticas feitas por todos esses cérebros à direcção do PCP, avulta a de a considerar incapaz de pôr em prática as tácticas e as estratégias eleitorais que permitiriam ao Partido arrecadar milhares e milhares e milhares de votos. Não se percebe, assim, por que é que os supra-citados cérebros, (criadores, insisto, desse elixir eleitoral que, bebido, conduziria, de uma eleição para a outra, à subida a pique da influência do PCP) não concorrem, eles próprios, às eleições. E muito menos se percebe que a razão da não concorrência seja o medo de um mau resultado. Então e o elixir eleitoral?


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