«Esticar a corda»
As vítimas do ataque de Bagdad são também vítimas da política de guerra
A semana que passou ficou marcada pelo ataque às instalações das Nações Unidas em Bagdad. Sobre este acontecimento ainda muito haverá para explicar e nem se sabe se alguma vez ficará claro tudo o que se passou. A situação em que se realiza tal ataque – um país que vive uma guerra de ocupação, povoado de milhares de militares estrangeiros e agentes de serviços secretos – e a altura em que se realiza – quando as forças de ocupação norte-americanas se encontram num autêntico pântano sem saber muito bem como sair dele – não possibilitam uma análise detalhada sobre quem e como planeou e concretizou uma operação de tal dimensão e complexidade.
Centremo-nos então naquilo que conhecemos e que um acontecimento deste trás a lume.
Três ideias:
A primeira é de que não é exacto falar-se de um atentado terrorista. O ataque às instalações das Nações Unidas realiza-se num quadro de intensa guerra entre ocupantes e ocupados. Se se considera este ataque um atentado terrorista o que se chamará então à destruição de edifícios civis e lares pelos exércitos norte-americano e britânico e ao assassinato deliberado de milhares de civis iraquianos desde o início de uma guerra ilegítima e ilegal? O que chamar aquilo que o exército israelita faz na Palestina? Lamentamos muito profundamente as mortes dos funcionários da ONU, mas também não desejámos e lamentamos a morte de civis inocentes e a destruição sistemática de um país.
Como temos vindo a alertar, contrariando a ideia de que estávamos a assistir a um «passeio libertador» dos EUA no Iraque, aquilo que se passa no Iraque é uma guerra. Uma guerra de ocupação que como qualquer guerra faz vítimas. Inocentes em muitos casos, culpadas e responsáveis noutros.
A segunda é que a ONU não pode em caso algum ceder a pressões que surgem dos EUA para a aprovação daquilo que Bush não conseguiu no passado: um mandato que legitime a guerra e envolva militares de outros países membro na ocupação do Iraque sob a batuta norte-americana. Não pode fazê-lo por várias razões, nomeadamente duas: a primeira é porque apesar de os seus funcionários terem sido vítimas de um ataque supostamente vindo de quem resiste à ocupação, isso não altera os dados do problema. A injustiça e ilegalidade da guerra mantém-se e acresce que as célebres armas químicas e nucleares, nunca apareceram. A segunda é porque se a ONU prosseguir numa linha de cobertura à ocupação norte-americana terá cada vez mais dificuldades em assumir-se, no Iraque e no Mundo, como a comunidade das nações, imparcial e independente dos EUA. A acontecer, a própria ONU expor-se-ia cada vez mais como um alvo daqueles que resistem à ocupação.
A terceira ideia é que este ataque suscitou mais uma vez um chorrilho de declarações vindas dos senhores da guerra (nos quais o nosso pobre primeiro ministro teima em incluir-se) que apontam para uma nova escalada naquilo a que chamam de «combate ao terrorismo». Usam para isso a hipocrisia e o falso humanismo, acenando com a morte de funcionários da ONU e de Sérgio Vieira de Melo para prosseguir a escalada de violência e guerra que perpassa hoje várias regiões do globo.
Se em 11 de Setembro de 2001 chamámos a atenção de que uma reacção dos Estados Unidos e da chamada comunidade internacional baseada na força e na guerra apenas fortaleceria o terrorismo e criaria novas situações de tensão, hoje estamos em condições para, olhando o mundo, apontar a esses senhores o dedo acusando-os de serem responsáveis pela desestabilização de várias zonas do globo e pela morte de muitos mais milhares de seres humanos que aqueles que pagaram injustamente com a vida o ataque de 11 de Setembro. As vítimas do ataque de Bagdad são também vítimas da política de guerra, de quem a definiu, apoiou e levou a cabo. Tal como o PCP alertou, hoje os telejornais abrem cada vez mais com notícias de atentados e de guerra. Isso não acontece por acaso, acontece porque o imperialismo está a «esticar a corda» da dominação à base da força.
Centremo-nos então naquilo que conhecemos e que um acontecimento deste trás a lume.
Três ideias:
A primeira é de que não é exacto falar-se de um atentado terrorista. O ataque às instalações das Nações Unidas realiza-se num quadro de intensa guerra entre ocupantes e ocupados. Se se considera este ataque um atentado terrorista o que se chamará então à destruição de edifícios civis e lares pelos exércitos norte-americano e britânico e ao assassinato deliberado de milhares de civis iraquianos desde o início de uma guerra ilegítima e ilegal? O que chamar aquilo que o exército israelita faz na Palestina? Lamentamos muito profundamente as mortes dos funcionários da ONU, mas também não desejámos e lamentamos a morte de civis inocentes e a destruição sistemática de um país.
Como temos vindo a alertar, contrariando a ideia de que estávamos a assistir a um «passeio libertador» dos EUA no Iraque, aquilo que se passa no Iraque é uma guerra. Uma guerra de ocupação que como qualquer guerra faz vítimas. Inocentes em muitos casos, culpadas e responsáveis noutros.
A segunda é que a ONU não pode em caso algum ceder a pressões que surgem dos EUA para a aprovação daquilo que Bush não conseguiu no passado: um mandato que legitime a guerra e envolva militares de outros países membro na ocupação do Iraque sob a batuta norte-americana. Não pode fazê-lo por várias razões, nomeadamente duas: a primeira é porque apesar de os seus funcionários terem sido vítimas de um ataque supostamente vindo de quem resiste à ocupação, isso não altera os dados do problema. A injustiça e ilegalidade da guerra mantém-se e acresce que as célebres armas químicas e nucleares, nunca apareceram. A segunda é porque se a ONU prosseguir numa linha de cobertura à ocupação norte-americana terá cada vez mais dificuldades em assumir-se, no Iraque e no Mundo, como a comunidade das nações, imparcial e independente dos EUA. A acontecer, a própria ONU expor-se-ia cada vez mais como um alvo daqueles que resistem à ocupação.
A terceira ideia é que este ataque suscitou mais uma vez um chorrilho de declarações vindas dos senhores da guerra (nos quais o nosso pobre primeiro ministro teima em incluir-se) que apontam para uma nova escalada naquilo a que chamam de «combate ao terrorismo». Usam para isso a hipocrisia e o falso humanismo, acenando com a morte de funcionários da ONU e de Sérgio Vieira de Melo para prosseguir a escalada de violência e guerra que perpassa hoje várias regiões do globo.
Se em 11 de Setembro de 2001 chamámos a atenção de que uma reacção dos Estados Unidos e da chamada comunidade internacional baseada na força e na guerra apenas fortaleceria o terrorismo e criaria novas situações de tensão, hoje estamos em condições para, olhando o mundo, apontar a esses senhores o dedo acusando-os de serem responsáveis pela desestabilização de várias zonas do globo e pela morte de muitos mais milhares de seres humanos que aqueles que pagaram injustamente com a vida o ataque de 11 de Setembro. As vítimas do ataque de Bagdad são também vítimas da política de guerra, de quem a definiu, apoiou e levou a cabo. Tal como o PCP alertou, hoje os telejornais abrem cada vez mais com notícias de atentados e de guerra. Isso não acontece por acaso, acontece porque o imperialismo está a «esticar a corda» da dominação à base da força.