Francisco Nascimento Gomes foi assassinado em 1943

PCP homenageou vítima do Tarrafal

O nome pode não dizer nada a muita gente, mas Francisco Nascimento Gomes foi um militante comunista assassinado pelo fascismo no Campo da Morte Lenta. Um mártir da luta antifascista.

Francisco Gomes foi um dos 32 que morreram no Tarrafal

O PCP homenageou, dia 5, em Foz Côa, o seu militante Francisco Nascimento Gomes, falecido há 65 anos. Este nome não será familiar a muita gente, mas trata-se de um militante comunista que pagou com a vida a sua opção de revolucionário, acabando os seus dias no tenebroso Campo de Concentração do Tarrafal.
Na homenagem estiveram presentes várias dezenas de pessoas, entre as quais dirigentes locais e nacionais do PCP, o filho e dois netos do homenageado e o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa.
Convidado a intervir, José Casanova, da Comissão Política, elogiou a personalidade de Francisco Gomes, considerando-o um herói da luta contra o fascismo, pela liberdade e democracia. Foi mesmo um dos cinco presos que mais tempo passou na «frigideira» - 60 dias – informou o dirigente do PCP.
A informação dos últimos dias deste comunista chegam até nós através de uma carta escrita, em Novembro de 1943, pela organização dos presos comunistas no Tarrafal à direcção do Partido.
A dada altura da missiva, escreve-se que «mais um camarada nosso vai morrer e as condições em que escrevemos fazem que, mesmo antes da sua morte, vo-la anunciemos. Neste momento (9 horas de 14 de Novembro) já há 48 horas que deixou praticamente de urinar – estará morto, portanto, em poucas horas. Já perdeu a lucidez, é o fim».

Exemplo do terror fascista

Na carta, os prisioneiros comunistas do Tarrafal contam que se tratava de Francisco do Nascimento Gomes, natural de Foz Côa e trabalhador da Companhia Carris do Porto. Membro do Comité Regional do Porto preso em 1937. «Foi condenado a dois anos de prisão correccional, mas em Abril de 1939 veio para aqui deportado, tinha 4 anos e tal a mais da sua condenação», conta a carta. «No período inicial da sua vinda para aqui, estava-se em pleno terror do “sobado” do célebre capitão João da Silva. Foi então arruinado com terríveis trabalhos na horta, dirigidos por um miserável guarda chamado José Maria (da Polícia de Segurança).»
Contam os presos que foi neste período, castigado com isolamento, fome e «frigideira» que perdeu a sua saúde. Antes, realçam, «era forte e saudável». Apanhado numa tentativa de fuga «é espancadíssimo, no momento em que o apanharam e no caminho para aqui». Esteve na frigideira mais de 60 dias, 20 dos quais a «pão e água». Sempre que regressava desse cruel castigo, contava-se na carta, trazia febre e o fígado cada vez piorava mais. «Uma biliose precedida de uma terrível cólica de fígado complicada de endema pulmonar, atacou-o no dia 11 à noite. Não tem salvação possível», lamentavam os camaradas. «É um autêntico assassínio o que se passou aqui.»

Biografia de um herói

Francisco Nascimento Gomes nasceu em Vila Nova de Foz Côa, a 28 de Agosto de 1909. Exerceu a profissão de ferreiro. A 22 de Dezembro de 1931 foi admitido como condutor na Companhia Carris do Porto (actual STCP). A 6 de Maio de 1942, foi demitido da empresa, a contar da data da sua segunda prisão, a 11 de Outubro de 1937.
Foi preso pela primeira vez a 31 de Julho de 1936, pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado – Secção Internacional por «estar envolvido em ligações de carácter comunista».
Liberto a 12 de Outubro de 1936, voltou a ser preso um ano depois, a 11 de Outubro de 1937, acusado de «estar envolvido em manejos comunistas» e «implicado na distribuição do Avante! no norte do País».
Julgado em Agosto de 1938 pelo Tribunal Militar Especial, foi condenado a «6 anos de degredo para qualquer parte do território colonial», pena que viria a ser reduzida para 3 anos de degredo por ter sido dado provimento ao recurso interposto.
A 1 de Abril de 1939, foi enviado da Cadeia de Caxias para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde viria a ser assassinado a 15 de Novembro de 1943, mais de três anos depois de ter terminado a pena a que fora condenado.


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