Gregos voltam à greve geral

Ontem, quarta-feira, 19, a Grécia voltou a parar em protesto contra o projecto de redução dos direitos de reforma. Trata-se da terceira paralisação do país desde Dezembro passado, período que tem sido igualmente marcado por intensas lutas sectoriais.
Na semana passada, dia 12, os trabalhadores da recolha do lixo, dos transportes públicos, ferroviários e aéreos, cumpriram uma greve de 24 horas. No mesmo dia, à tarde, dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas de Atenas para condenar, frente ao parlamento, o projecto de alteração dos sistemas de segurança social que, na véspera, tinha começado a ser discutido pelos deputados.
Engenheiros, médicos, farmacêuticos, advogados e oficiais de justiça pararam nos dias 12 e 13. Seguiram-se, nos dias 13 e 14, os trabalhadores bancários, dos correios e telecomunicações.
A reforma pretendida pelo governo conservador de Caramanlis em nada se diferencia das que estão a ser ou já foram concretizadas nos vários países da UE. Prolongamento do período de quotizações, aumento da idade da reforma, limitação de direitos nas reformas antecipadas, diminuição generalizadas do valor das pensões são os principais os principais ingredientes do projecto, que o governo tenta justificar com a necessidade de «salvar o sistema da falência».
Os partidos da oposição declaram-se unanimemente hostis à reforma. Para além dos comunistas que há muito denunciam activamente as medidas anti-sociais do governo,
o próprio Georges Papandreou, líder dos socialistas gregos, exige agora que o governo retire o «projecto de lei injusto e iníquo». E, a provar o completo isolamento do executivo conservador, até o partido de extrema-direita, LAOS, qualificou o diploma como «o pior projecto de lei que um mau governo poderia que elaborar».


Mais artigos de: Europa

Sarkozy desautorizado

O repúdio dos franceses pelas políticas anti-sociais do governo de Sarkozy foi reforçado no domingo, na segunda volta das eleições municipais e cantonais em França. A direita no poder perdeu em número de votos e de municípios conquistados. A derrota foi estrondosa.

Precariedade agravada

Na véspera da cimeira dos Vinte e Sete, nos dias 13 e 14, que analisou os objectivos sociais e económicos proclamados pela chamada «Estratégia de Lisboa» em 2002, a Confederação Europeia de Sindicatos divulgou um estudo sobre a explosão da precariedade.

Blair em campanha

O antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que é apontado com um dos possíveis candidatos ao cargo de presidente da União Europeia, a criar após ratificação do «Tratado de Lisboa», anunciou, dia 14, que vai dirigir uma campanha internacional contra as alegadas «alterações climáticas».Neste seu súbito activismo...

Trabalho e União Europeia

A marca de classe da integração europeia é cada vez mais visível nas sucessivas decisões institucionais da União Europeia, apesar dos floreados que as envolvem e de alguns recuos a que, por vezes, os líderes políticos são obrigados face às lutas dos trabalhadores e aos desaires que os cidadãos lhes provocam quando se...