Cuidadinho
Descansem os antitabagistas frenéticos que não vamos aqui falar do tabaco, dos seus malefícios e da atabalhoada imposição da lei que não prevê excepções – a não ser para os detentores de cargos de alto coturno que podem aceder aos jantares e festas de casino. Mas vamos falar do cuidadinho que é preciso – o poeta O´Neil diria «respeitinho», ao jeito dos cuidados que quem viveu os tempos do fascismo bem conheceu – quando se protesta contra quaisquer malefícios que atinjam a «cidadania» de cada um.
Já sabíamos que, exercendo o direito de greve, os trabalhadores podem sofrer as cargas e vilipêndios das forças repressivas a mando do patronato e do Governo; que os activistas sindicais são discriminados e despedidos; que os sindicalizados são preteridos ou afastados nas empresas. E que o novo Código cozinhado pelo PS, em concordância com o capital, prepara novas e muito piores condições para quem vive do seu trabalho.
Já sabíamos que, juntando falsidades às quebras de promessas, o desemprego aumenta, os salários reais descem, a inflação é superior – sempre – ao anunciado, as pensões acabam por ser atingidas pelas remodelações caridosas deste Governo. Já sabemos que, de acordo com a política de submissão aos grandes da União Europeia, Portugal está mais pobre, infeliz e de futuro comprometido na sua soberania.
Sabemos também – e de que maneira! – que os hospitais, centros de saúde e maternidade fecham, assim como fecham escolas; que empresas encerram e são deslocalizadas; que os juros do crédito à habitação aumentam; que, na vaga de privatizações, os serviços públicos – como é o caso dos transportes – rareiam, são caros e degradam-se.
Então, protestemos! Defendamos os nossos direitos! E, na base da indignação popular, formaram-se por todo o País grupos de utentes de serviços e de direitos, que se juntam e protestam vigorosamente.
Eis, porém, que uma notícia nos saltou aos olhos, no Jornal de Notícias de terça-feira. Uma cidadã – uma! – resolveu há mais de dois anos, reclamar num restaurante que a comida era má e que esperou hora e meia que lhe apresentassem o livro de reclamações. A queixa não teve andamento. Mas, por seu lado, o proprietário do restaurante, queixou-se das «expressões desprimorosas» da utente. Resultado: a cidadã foi condenada pelo protesto. Por isso – cuidadinho! Quem protesta deve fazê-lo em força. Ou arrisca-se a 75 dias de prisão. Remíveis a 15 euros por dia...
É mesmo preciso acabar com este regime socratista.
Já sabíamos que, exercendo o direito de greve, os trabalhadores podem sofrer as cargas e vilipêndios das forças repressivas a mando do patronato e do Governo; que os activistas sindicais são discriminados e despedidos; que os sindicalizados são preteridos ou afastados nas empresas. E que o novo Código cozinhado pelo PS, em concordância com o capital, prepara novas e muito piores condições para quem vive do seu trabalho.
Já sabíamos que, juntando falsidades às quebras de promessas, o desemprego aumenta, os salários reais descem, a inflação é superior – sempre – ao anunciado, as pensões acabam por ser atingidas pelas remodelações caridosas deste Governo. Já sabemos que, de acordo com a política de submissão aos grandes da União Europeia, Portugal está mais pobre, infeliz e de futuro comprometido na sua soberania.
Sabemos também – e de que maneira! – que os hospitais, centros de saúde e maternidade fecham, assim como fecham escolas; que empresas encerram e são deslocalizadas; que os juros do crédito à habitação aumentam; que, na vaga de privatizações, os serviços públicos – como é o caso dos transportes – rareiam, são caros e degradam-se.
Então, protestemos! Defendamos os nossos direitos! E, na base da indignação popular, formaram-se por todo o País grupos de utentes de serviços e de direitos, que se juntam e protestam vigorosamente.
Eis, porém, que uma notícia nos saltou aos olhos, no Jornal de Notícias de terça-feira. Uma cidadã – uma! – resolveu há mais de dois anos, reclamar num restaurante que a comida era má e que esperou hora e meia que lhe apresentassem o livro de reclamações. A queixa não teve andamento. Mas, por seu lado, o proprietário do restaurante, queixou-se das «expressões desprimorosas» da utente. Resultado: a cidadã foi condenada pelo protesto. Por isso – cuidadinho! Quem protesta deve fazê-lo em força. Ou arrisca-se a 75 dias de prisão. Remíveis a 15 euros por dia...
É mesmo preciso acabar com este regime socratista.