Albaneses e sérvios em rota de colisão
O Conselho de Segurança da ONU foi incapaz de conciliar as posições de sérvios e albano-kosovares sobre o estatuto do Kosovo. Só a Rússia se opõem à declaração unilateral de independência.
Belgrado alerta para «desenvolvimentos perigosos» nos Balcãs
Reunidos em Nova Iorque na sede das Nações Unidas, quarta-feira, dia 19, os 15 membros do Conselho de Segurança não lograram alcançar um acordo entre os representantes sérvios e albano-kosovares sobre o futuro da província do Kosovo, que representa cerca de 15 por cento do território da Sérvia e se encontra ocupada desde 1999 por tropas da NATO.
No final o encontro que culminou meses de negociações entre as partes, em Viena, sob a égide dos EUA, UE e Rússia, os governos de Belgrado e Pristina não esconderam a manutenção das respectivas posições, contrastantes no que ao futuro do território diz respeito.
O primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, insistiu na soberania sobre a região e lembrou que o país tudo fez para tornar possível um acordo que agradasse a ambas as comunidades, chegando mesmo a apresentar uma proposta de autonomia alargada que contemplava a passagem de 95 por cento das competências para a administração albano-kosovar, excluindo apenas matérias de defesa e política externa.
Koustunica alertou ainda para o que chamou de «efeito dominó» caso as autoridades albano-kosovares decidam avançar para a declaração unilateral de independência e para a possibilidade de «desenvolvimentos perigosos» nos Balcãs.
Por sua parte, o presidente albano-kosovar, Fatmir Sejdiu, sublinhou que a independência é irreversível, processo para o qual conta com o apoio de europeus e norte-americanos.
Washington e Bruxelas sustentam o plano do ex-Alto Comissário das Nações Unidas para o território, Martti Ahtisaari, o qual defende uma «independência sob vigilância internacional». UE e EUA abandonaram desde cedo o caminho da harmonização de posições entre Belgrado e Pristina e optaram pelas manobras diplomáticas com o objectivo de garantirem a «transição pacífica» da soberania do Kosovo.
A dúvida parece residir apenas na forma e não no conteúdo, na medida em que a Casa Branca vê na resolução 1224 do Conselho de Segurança da ONU um instrumento para avançar imediatamente, e a UE só deverá clarificar definitivamente a sua posição sobre o tema depois de apurados os resultados das próximas presidenciais na Sérvia, agendadas para Fevereiro do próximo ano.
Os Balcãs são uma zona de potencial alargamento da UE. A Eslovénia – que no primeiro semestre de 2008 assume a presidência rotativa do Conselho de ministros e chefes de Estado da UE – já faz parte do «clube dos 27», enquanto Croácia e Bósnia-Herzegovina almejam entrar no espaço europeu.
Russos intransigentes
Difícil de contornar é a posição da Rússia, que classifica a opção da UE e dos EUA como «um caminho escorregadio». Moscovo também reafirmou a semana passada a sua oposição à independência do Kosovo sem a anuência da Sérvia.
Reagindo aos desenvolvimentos mais recentes, o responsável da diplomacia russa, Serguei Lavrov, disse que «se houver uma proposta que permita a proclamação unilateral da independência, haverá veto», acrescentando que «o veto é o mais importante direito internacional de que dispomos desde a Segunda Guerra Mundial para evitar a explosão de conflitos globais».
Sérvios saem à rua
Entretanto, na véspera da discussão na ONU, dia 18, milhares de sérvios do Kosovo saíram à rua para repudiar a declaração de independência.
Em Mitrovica, no Norte da província, dirigentes da comunidade, autoridades religiosas ortodoxas e populares uniram-se no protesto contra a secessão face à «pátria mãe» e rejeitaram qualquer tipo de chantagem da parte da UE, que aflorou a entrada da Sérvia na UE como moeda de troca da aceitação da independência do Kosovo.
A manifestação foi vigiada de perto por militares da KFOR, força internacional que mantém aproximadamente 16 mil soldados estacionados no território.
No final o encontro que culminou meses de negociações entre as partes, em Viena, sob a égide dos EUA, UE e Rússia, os governos de Belgrado e Pristina não esconderam a manutenção das respectivas posições, contrastantes no que ao futuro do território diz respeito.
O primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, insistiu na soberania sobre a região e lembrou que o país tudo fez para tornar possível um acordo que agradasse a ambas as comunidades, chegando mesmo a apresentar uma proposta de autonomia alargada que contemplava a passagem de 95 por cento das competências para a administração albano-kosovar, excluindo apenas matérias de defesa e política externa.
Koustunica alertou ainda para o que chamou de «efeito dominó» caso as autoridades albano-kosovares decidam avançar para a declaração unilateral de independência e para a possibilidade de «desenvolvimentos perigosos» nos Balcãs.
Por sua parte, o presidente albano-kosovar, Fatmir Sejdiu, sublinhou que a independência é irreversível, processo para o qual conta com o apoio de europeus e norte-americanos.
Washington e Bruxelas sustentam o plano do ex-Alto Comissário das Nações Unidas para o território, Martti Ahtisaari, o qual defende uma «independência sob vigilância internacional». UE e EUA abandonaram desde cedo o caminho da harmonização de posições entre Belgrado e Pristina e optaram pelas manobras diplomáticas com o objectivo de garantirem a «transição pacífica» da soberania do Kosovo.
A dúvida parece residir apenas na forma e não no conteúdo, na medida em que a Casa Branca vê na resolução 1224 do Conselho de Segurança da ONU um instrumento para avançar imediatamente, e a UE só deverá clarificar definitivamente a sua posição sobre o tema depois de apurados os resultados das próximas presidenciais na Sérvia, agendadas para Fevereiro do próximo ano.
Os Balcãs são uma zona de potencial alargamento da UE. A Eslovénia – que no primeiro semestre de 2008 assume a presidência rotativa do Conselho de ministros e chefes de Estado da UE – já faz parte do «clube dos 27», enquanto Croácia e Bósnia-Herzegovina almejam entrar no espaço europeu.
Russos intransigentes
Difícil de contornar é a posição da Rússia, que classifica a opção da UE e dos EUA como «um caminho escorregadio». Moscovo também reafirmou a semana passada a sua oposição à independência do Kosovo sem a anuência da Sérvia.
Reagindo aos desenvolvimentos mais recentes, o responsável da diplomacia russa, Serguei Lavrov, disse que «se houver uma proposta que permita a proclamação unilateral da independência, haverá veto», acrescentando que «o veto é o mais importante direito internacional de que dispomos desde a Segunda Guerra Mundial para evitar a explosão de conflitos globais».
Sérvios saem à rua
Entretanto, na véspera da discussão na ONU, dia 18, milhares de sérvios do Kosovo saíram à rua para repudiar a declaração de independência.
Em Mitrovica, no Norte da província, dirigentes da comunidade, autoridades religiosas ortodoxas e populares uniram-se no protesto contra a secessão face à «pátria mãe» e rejeitaram qualquer tipo de chantagem da parte da UE, que aflorou a entrada da Sérvia na UE como moeda de troca da aceitação da independência do Kosovo.
A manifestação foi vigiada de perto por militares da KFOR, força internacional que mantém aproximadamente 16 mil soldados estacionados no território.