Kosovo ameaça Balcãs
A província sérvia do Kosovo vai proclamar a autodeterminação com a cobertura da UE e dos EUA. A declaração pode ser feita no dia em que se assinalam os oito anos do início dos bombardeamentos contra a ex-jugoslávia.
A NATO prepara-se para instalar um Estado marioneta no centro da Europa
No dia em que o grupo de negociadores internacionais, constituído por UE, Estados Unidos e Rússia, entregaram ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o relatório das negociações entre albano-kosovares e sérvios sobre o futuro estatuto da província sérvia do Kosovo, os 27 membros da União discutiram em Bruxelas a adopção de uma posição comum face à previsível proclamação unilateral de independência por parte das autoridades de Pristina.
À saída da reunião de segunda-feira, o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, revelou que, com excepção do Chipre e apesar da relutância da Espanha, Grécia e Eslováquia, a posição concensual é de que não vale a pena protelar por mais tempo as conversações entre as partes, pelo que, a Europa nada mais fará senão alinhar o discurso com os EUA, que exigem apenas que o processo seja feito de forma «controlada».
Norte-americanos, alemães, franceses, italianos e britânicos são fortes entusiastas da proclamação de independência do Kosovo e já vieram a terreiro garantir o reconhecimento do novo país, ocupado por militares da NATO desde 1999.
Menos fervorosos, os eslovenos, que assumem em Janeiro a presidência da UE substituindo Portugal, ficam com a questão por resolver entre mãos, o que só avoluma as preocupações sobre as consequências da secessão albano- kosovar se tivermos em conta que a Eslovénia era um dos territórios incluídos na ex-Jugoslávia, desmembrada por conflitos étnicos cujo fomento se ficou a dever quer a Washington, quer às principais potências europeias.
Albano-kosovares prometem
bom comportamento
Enquanto decorria o encontro europeu de Bruxelas, em Pristina os líderes autonomistas albano-kosovares reuniam com o objectivo de selarem um pacto de convivência pacífica até à declaração unilateral de independência.
Skender Hyseni, porta-voz do grupo multipartidário, disse em declarações à comunicação social no final do conclave que os albano-kosovares aceitam seguir os passos e os tempos escolhidos por europeus e norte-americanos, e, para isso, estão dispostos a encetar a tal «coordenação» pedida.
Simultaneamente, nas ruas de Pristina, uma manifestação de algumas centenas de «estudantes» exigia a independência do Kosovo e até já anunciavam uma data favorita, o próximo 24 de Março, dia em que assinala o oitavo aniversário do início dos bombardeamentos da NATO contra a ex-Jugoslávia, o que, a suceder, não deixará de ser interpretado pelos sérvios como uma provocação gratuita.
Thaçi ganha poder
Outra conclusão da reunião entre partidos albano-kosovares é a constituição de um governo de unidade nacional composto pelas mais representativas forças políticas independentistas, do qual se exclui, naturalmente, os sérvios que habitam no território, cerca de 5 por cento dos dois milhões de habitantes.
Nesse contexto, assume protagonismo o ex-dirigente do UÇK (grupo de mercenários apoiados por Washington sob o nome de Exército de Libertação do Kosovo) e líder do Partido Democrático do Kosovo, Hashim Thaci, futuro primeiro-ministro em resultado da vitória nas eleições do passado dia 17 de Novembro, em que a abstenção chegou aos 60 por cento, foi confirmado, este domingo, como figura influente e mobilizadora entre os albano-kosovares depois do seu partido ter vencido a segunda volta das municipais no território, muito embora a capital e maior cidade do país, Pristina, lhe tenha escapado a favor do actual governo.
À saída da reunião de segunda-feira, o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, revelou que, com excepção do Chipre e apesar da relutância da Espanha, Grécia e Eslováquia, a posição concensual é de que não vale a pena protelar por mais tempo as conversações entre as partes, pelo que, a Europa nada mais fará senão alinhar o discurso com os EUA, que exigem apenas que o processo seja feito de forma «controlada».
Norte-americanos, alemães, franceses, italianos e britânicos são fortes entusiastas da proclamação de independência do Kosovo e já vieram a terreiro garantir o reconhecimento do novo país, ocupado por militares da NATO desde 1999.
Menos fervorosos, os eslovenos, que assumem em Janeiro a presidência da UE substituindo Portugal, ficam com a questão por resolver entre mãos, o que só avoluma as preocupações sobre as consequências da secessão albano- kosovar se tivermos em conta que a Eslovénia era um dos territórios incluídos na ex-Jugoslávia, desmembrada por conflitos étnicos cujo fomento se ficou a dever quer a Washington, quer às principais potências europeias.
Albano-kosovares prometem
bom comportamento
Enquanto decorria o encontro europeu de Bruxelas, em Pristina os líderes autonomistas albano-kosovares reuniam com o objectivo de selarem um pacto de convivência pacífica até à declaração unilateral de independência.
Skender Hyseni, porta-voz do grupo multipartidário, disse em declarações à comunicação social no final do conclave que os albano-kosovares aceitam seguir os passos e os tempos escolhidos por europeus e norte-americanos, e, para isso, estão dispostos a encetar a tal «coordenação» pedida.
Simultaneamente, nas ruas de Pristina, uma manifestação de algumas centenas de «estudantes» exigia a independência do Kosovo e até já anunciavam uma data favorita, o próximo 24 de Março, dia em que assinala o oitavo aniversário do início dos bombardeamentos da NATO contra a ex-Jugoslávia, o que, a suceder, não deixará de ser interpretado pelos sérvios como uma provocação gratuita.
Thaçi ganha poder
Outra conclusão da reunião entre partidos albano-kosovares é a constituição de um governo de unidade nacional composto pelas mais representativas forças políticas independentistas, do qual se exclui, naturalmente, os sérvios que habitam no território, cerca de 5 por cento dos dois milhões de habitantes.
Nesse contexto, assume protagonismo o ex-dirigente do UÇK (grupo de mercenários apoiados por Washington sob o nome de Exército de Libertação do Kosovo) e líder do Partido Democrático do Kosovo, Hashim Thaci, futuro primeiro-ministro em resultado da vitória nas eleições do passado dia 17 de Novembro, em que a abstenção chegou aos 60 por cento, foi confirmado, este domingo, como figura influente e mobilizadora entre os albano-kosovares depois do seu partido ter vencido a segunda volta das municipais no território, muito embora a capital e maior cidade do país, Pristina, lhe tenha escapado a favor do actual governo.