Democracias
O amor que a União Europeia, os Estados Unidos e os seus queridos aliados votam aos sagrados princípios da democracia é conhecido de todos e não precisa de atestados para se saber que está vivo e recomenda-se. É assim uma espécie de estado natural, logo incontestável, que só por manifesta má fé alguns, poucos, ousam pôr em causa. Quando tal sucede a indignação é ilimitada, a mágoa sem remédio, e não há mecanismo da engrenagem do poder que escape ao esforço colectivo para reafirmar o dogma. Nos casos mais bicudos usa-se a arma decisiva – o voto – tantas vezes quantas as necessárias para que o povo decida, democraticamente, o que é suposto ser decidido. Que o digam os povos que tiveram a veleidade de discordar da ideia de fazer parte da Europa do capital, perdão, social. Se bem nos lembramos, nessa altura fartaram-se de votar até sair fumo branco, que é como quem diz a decisão certa que os governos já tinham sancionado. Encerrado este capítulo, as urnas foram arrumadas. Não vale a pena maçar as gentes com coisas tão técnicas, que obviamente não entendem e se calhar nem têm de entender, para isso mesmo é que elegem ciclicamente os seus representantes, para que pensem e decidam por eles. Democraticamente, pois claro.
Se olharmos para o outro lado do Atlântico verificamos que a democracia é ainda levada mais a peito, se calhar porque a experiência com as urnas, nos últimos tempos, tem sido algo traumatizante. Assim, o mais comum é o recurso às armas propriamente ditas, após intensa e expedita campanha de esclarecimento nos média sobre a necessidade imperiosa de recorrer a tão drásticas – mas sempre democráticas – soluções. O caso do Iraque aí está para o comprovar, com aquela história das armas de destruição massiva que afinal não havia (mas que podia haver, como diria um comentador da nossa praça), com o seu imenso rol de mortos e destruição a cimentar os caboucos da democracia, a que não faltará pelo tempo fora a segurança de bases militares norte-americanas, quais anjos da guarda para o que der e vier. Ou ainda – assim a Casa Branca tenha força e determinação – o radioso futuro que se anuncia para o Irão, onde afinal segundo a própria CIA anunciou esta semana não há planos para construir armas nucleares, mas que necessita urgentemente de ser trazido ao redil da democracia, não vá o diabo tecê-las, ou não estivesse o país no eixo do mal.
Também se poderia citar o caso da Venezuela, mas aqui os dados estão baralhados. É que na «ditadura de Chávez» o referendo de domingo para alterar a Constituição afinal não deu a vitória aos bolivarianos, o que não se coaduna com os cânones dos ditadores, que não é suposto promoverem eleições livres, quanto mais aceitarem os seus resultados, como sucedeu no caso. Haverá certamente que rever os manuais, não esteja ali a democracia daqui a enveredar por caminhos desconhecidos.
Com tudo isto, quase ninguém se deu conta que a democrática Bélgica está há meses sem governo, que o Kosovo (província sérvia do tamanho do Alentejo) ainda não é independente apesar dos esforços da União Europeia e dos EUA, e que as monarquias de todos os azimutes – como é sabido o mais democrático dos sistemas – não saíram em defesa de Juan Carlos. É caso para dizer que ainda há muito para fazer nestas tão democráticas democracias.
Se olharmos para o outro lado do Atlântico verificamos que a democracia é ainda levada mais a peito, se calhar porque a experiência com as urnas, nos últimos tempos, tem sido algo traumatizante. Assim, o mais comum é o recurso às armas propriamente ditas, após intensa e expedita campanha de esclarecimento nos média sobre a necessidade imperiosa de recorrer a tão drásticas – mas sempre democráticas – soluções. O caso do Iraque aí está para o comprovar, com aquela história das armas de destruição massiva que afinal não havia (mas que podia haver, como diria um comentador da nossa praça), com o seu imenso rol de mortos e destruição a cimentar os caboucos da democracia, a que não faltará pelo tempo fora a segurança de bases militares norte-americanas, quais anjos da guarda para o que der e vier. Ou ainda – assim a Casa Branca tenha força e determinação – o radioso futuro que se anuncia para o Irão, onde afinal segundo a própria CIA anunciou esta semana não há planos para construir armas nucleares, mas que necessita urgentemente de ser trazido ao redil da democracia, não vá o diabo tecê-las, ou não estivesse o país no eixo do mal.
Também se poderia citar o caso da Venezuela, mas aqui os dados estão baralhados. É que na «ditadura de Chávez» o referendo de domingo para alterar a Constituição afinal não deu a vitória aos bolivarianos, o que não se coaduna com os cânones dos ditadores, que não é suposto promoverem eleições livres, quanto mais aceitarem os seus resultados, como sucedeu no caso. Haverá certamente que rever os manuais, não esteja ali a democracia daqui a enveredar por caminhos desconhecidos.
Com tudo isto, quase ninguém se deu conta que a democrática Bélgica está há meses sem governo, que o Kosovo (província sérvia do tamanho do Alentejo) ainda não é independente apesar dos esforços da União Europeia e dos EUA, e que as monarquias de todos os azimutes – como é sabido o mais democrático dos sistemas – não saíram em defesa de Juan Carlos. É caso para dizer que ainda há muito para fazer nestas tão democráticas democracias.