Matam-se a trabalhar
Numa jornada conjunta com a organização congénere das Comisiones Obreras e integrada numa acção internacional, a estrutura sectorial da CGTP-IN exigiu condições de trabalho dignas.
Sucessivos governos têm deixados os patrões à vontade
Os patrões do sector de transporte de mercadorias de longo curso bloqueiam a negociação colectiva, praticam baixos salários, impõem cargas horárias elevadas e uma forte precariedade de emprego, promovendo a concorrência desleal à custa da intensificação da exploração dos motoristas. Este cenário, descrito pela Federação dos Sindicatos de Transportes Rodoviários e Urbanos, no folheto que distribuiu aos trabalhadores do sector, não pode ser ignorado, quando se olha para os preocupantes níveis de sinistralidade: por cada mês que passa perde a vida, em média, um profissional. Literalmente, os motoristas «matam-se a trabalhar», enquanto «as entidades competentes continuam a assobiar para o ar, fingindo que nada está a acontecer», protesta a Festru/CGTP-IN.
A distribuição de folhetos aos motoristas, nas fronteiras de Vilar Formoso (segunda-feira) e do Guadiana (dia 16), fez parte da acção internacional «A fadiga mata», já que esta é apontada como a causa de muitas das mortes na estrada. A média de acidentes fatais (que não são considerados acidentes de trabalho, mas meros acidentes rodoviários) será já substancialmente maior, uma vez que, desde o início de Setembro, já ocorreram cinco casos, como referiu aos jornalistas um dirigente da federação.
Vítor Pereira, citado pela agência Lusa em Vilar Formoso, exigiu que sejam fiscalizados e punidos os verdadeiros infractores, que são as empresas, e não os trabalhadores, que até chegam a ser ameaçados com despedimento, caso não aceitem condições de trabalho que os levam a abdicar do descanso, como os fretes pagos ao quilómetro ou à tonelagem.
A par de uma maior fiscalização, o fim do bloqueio patronal à negociação colectiva, a promoção de aumentos salariais significativos e o combate à precariedade são apontados pela federação como medidas que poderiam poupar vidas de motoristas e tornar as estradas mais seguras.
Na Presidência da República, dia 11, a federação entregou documentos a comprovar várias ilegalidades no sector. Estão pedidas outras audiências a diversos membros do Governo.
Uma delegação do PCP, que integrou o deputado Bruno Dias, esteve em Vilar Formoso, expressando solidariedade para com os motoristas e apoio às posições sindicais. Num documento da Coordenadora Nacional do PCP para Sectores e Empresas, divulgado na ocasião, afirma-se a necessidade de uma política alternativa à que tem apoiado as estratégias patronais. Uma nova medida está a ameaçar os motoristas, que já tiveram que, regra geral, suportar os custos da introdução do «tacógrafo digital». Agora, com a obrigatoriedade do Certificado de Aptidão Profissional, o Governo prepara-se para pôr os trabalhadores a pagar os custos da renovação do cartão respectivo e da formação profissional que venha a ser necessária.
Bruno Dias, falando aos jornalistas, lembrou que o Partido propôs, na revisão do Código Penal, um artigo que penalizasse os responsáveis máximos, em situações de aplicação de coimas por desrespeito dos tempos de descanso e dos limites de carga, mas tal foi rejeitado pelos votos do PS.
A distribuição de folhetos aos motoristas, nas fronteiras de Vilar Formoso (segunda-feira) e do Guadiana (dia 16), fez parte da acção internacional «A fadiga mata», já que esta é apontada como a causa de muitas das mortes na estrada. A média de acidentes fatais (que não são considerados acidentes de trabalho, mas meros acidentes rodoviários) será já substancialmente maior, uma vez que, desde o início de Setembro, já ocorreram cinco casos, como referiu aos jornalistas um dirigente da federação.
Vítor Pereira, citado pela agência Lusa em Vilar Formoso, exigiu que sejam fiscalizados e punidos os verdadeiros infractores, que são as empresas, e não os trabalhadores, que até chegam a ser ameaçados com despedimento, caso não aceitem condições de trabalho que os levam a abdicar do descanso, como os fretes pagos ao quilómetro ou à tonelagem.
A par de uma maior fiscalização, o fim do bloqueio patronal à negociação colectiva, a promoção de aumentos salariais significativos e o combate à precariedade são apontados pela federação como medidas que poderiam poupar vidas de motoristas e tornar as estradas mais seguras.
Na Presidência da República, dia 11, a federação entregou documentos a comprovar várias ilegalidades no sector. Estão pedidas outras audiências a diversos membros do Governo.
Uma delegação do PCP, que integrou o deputado Bruno Dias, esteve em Vilar Formoso, expressando solidariedade para com os motoristas e apoio às posições sindicais. Num documento da Coordenadora Nacional do PCP para Sectores e Empresas, divulgado na ocasião, afirma-se a necessidade de uma política alternativa à que tem apoiado as estratégias patronais. Uma nova medida está a ameaçar os motoristas, que já tiveram que, regra geral, suportar os custos da introdução do «tacógrafo digital». Agora, com a obrigatoriedade do Certificado de Aptidão Profissional, o Governo prepara-se para pôr os trabalhadores a pagar os custos da renovação do cartão respectivo e da formação profissional que venha a ser necessária.
Bruno Dias, falando aos jornalistas, lembrou que o Partido propôs, na revisão do Código Penal, um artigo que penalizasse os responsáveis máximos, em situações de aplicação de coimas por desrespeito dos tempos de descanso e dos limites de carga, mas tal foi rejeitado pelos votos do PS.