Pelo fim da guerra
Num congresso extraordinário, realizado no último fim de semana, em Göppingen, na Alemanha, a direcção dos Verdes sofreu uma pesada derrota.
: Delegados chumbam proposta belicista da direcção partidária
Convocados para aprovar a permanência do exército alemão no Afeganistão e os voos dos aviões militares «Tornado», os delegados revoltaram-se e exigiram o fim da guerra e da agressão. O congresso irrompeu em aplausos ao ser anunciado que a proposta belicista da direcção tinha sido recusada por 361 votos contra 264.
Apanhados de surpresa, os dirigentes do partido ficaram paralisados. O deputado do Parlamento Europeu, Daniel Cohnt-Bendit, amigo íntimo do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Joseph Fischer, que se deslocara a Göppingen para fazer propaganda da guerra, gritava furioso ofensas contra os delegados.
Robert Zion, um dirigente de Gelsenkirchen conseguira convencer o congresso a pronunciar-se contra a guerra, ao desfazer os argumentos da direcção, a qual, em nome de uma «oposição responsável», pretendia apoiar a política militarista da chanceler Merkel. Zion desencadeou um vendaval de aplausos ao perguntar: «Que governo poderá sentir-se pressionado por uma oposição que vota sempre a sua política?». «O movimento da paz [nos Verdes] ainda não foi sepultado», afirmava um outro delegado debaixo de aplausos entusiásticos.
Numa intervenção a fazer lembrar a retórica de Bush, na qual defendia que a presença da Bundeswehr (exército alemão) em Cabul se destinava a ajudar a «reconstruir o país», e a instalar a «democracia», Cohn-Bendit foi assobiado e vaiado ruidosamente. «Vai-te embora, cala-te, cala-te!» gritavam os delegados.
Governo isolado
A imprensa alemã é unânime em considerar que a herança de Fischer está a ser sepultada. O Süddeutsche Zeitung salienta que o antigo ministro Verde, um dos principais instigadores da agressão contra a Jugoslávia, foi o iniciador do plano neocolonial de Pertersberg, e da chamada «constituição» afegã, que levou Karsai, ex-funcionário norte-americano de uma firma texana de petróleo, a presidente do Afeganistão.
De resto, importantes figuras do aparelho de ocupação, como o chefe da missão da ONU em Cabul ou o actual ministro dos Negócios Estrangeiros do Afeganistão
são militantes dos Verdes alemães.
A Alemanha e os Estados Unidos repartem entre si o aparelho de ocupação do Afeganistão no velho estilo colonial.
Ainda recentemente o ex-director da revista Stern, Peter Scholl-Latour, lembrou que quando os soviéticos se retiraram do Afeganistão, o regime revolucionário ainda se manteve três anos, até que os talibãs assassinaram Najibulah com a ajuda dos Estados Unidos, do Paquistão e da Arábia Saudita.
Mas hoje, se as tropas da NATO abandonassem Cabul, Karsai não se manteria três dias no poder.
Este congresso dos Verdes confirma o isolamento do governo alemão na agressão contra o Afeganistão. Mais de 70 por cento da população alemã está contra a guerra. No último sábado, dez mil pessoas desfilaram de novo em Berlim para exigirem a retiradas das tropas da Bundeswehr. Também no SPD começam a levantar-se as vozes críticas do rumo militarista da coligação Merkel/SPD.
Apanhados de surpresa, os dirigentes do partido ficaram paralisados. O deputado do Parlamento Europeu, Daniel Cohnt-Bendit, amigo íntimo do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Joseph Fischer, que se deslocara a Göppingen para fazer propaganda da guerra, gritava furioso ofensas contra os delegados.
Robert Zion, um dirigente de Gelsenkirchen conseguira convencer o congresso a pronunciar-se contra a guerra, ao desfazer os argumentos da direcção, a qual, em nome de uma «oposição responsável», pretendia apoiar a política militarista da chanceler Merkel. Zion desencadeou um vendaval de aplausos ao perguntar: «Que governo poderá sentir-se pressionado por uma oposição que vota sempre a sua política?». «O movimento da paz [nos Verdes] ainda não foi sepultado», afirmava um outro delegado debaixo de aplausos entusiásticos.
Numa intervenção a fazer lembrar a retórica de Bush, na qual defendia que a presença da Bundeswehr (exército alemão) em Cabul se destinava a ajudar a «reconstruir o país», e a instalar a «democracia», Cohn-Bendit foi assobiado e vaiado ruidosamente. «Vai-te embora, cala-te, cala-te!» gritavam os delegados.
Governo isolado
A imprensa alemã é unânime em considerar que a herança de Fischer está a ser sepultada. O Süddeutsche Zeitung salienta que o antigo ministro Verde, um dos principais instigadores da agressão contra a Jugoslávia, foi o iniciador do plano neocolonial de Pertersberg, e da chamada «constituição» afegã, que levou Karsai, ex-funcionário norte-americano de uma firma texana de petróleo, a presidente do Afeganistão.
De resto, importantes figuras do aparelho de ocupação, como o chefe da missão da ONU em Cabul ou o actual ministro dos Negócios Estrangeiros do Afeganistão
são militantes dos Verdes alemães.
A Alemanha e os Estados Unidos repartem entre si o aparelho de ocupação do Afeganistão no velho estilo colonial.
Ainda recentemente o ex-director da revista Stern, Peter Scholl-Latour, lembrou que quando os soviéticos se retiraram do Afeganistão, o regime revolucionário ainda se manteve três anos, até que os talibãs assassinaram Najibulah com a ajuda dos Estados Unidos, do Paquistão e da Arábia Saudita.
Mas hoje, se as tropas da NATO abandonassem Cabul, Karsai não se manteria três dias no poder.
Este congresso dos Verdes confirma o isolamento do governo alemão na agressão contra o Afeganistão. Mais de 70 por cento da população alemã está contra a guerra. No último sábado, dez mil pessoas desfilaram de novo em Berlim para exigirem a retiradas das tropas da Bundeswehr. Também no SPD começam a levantar-se as vozes críticas do rumo militarista da coligação Merkel/SPD.