O descrédito do «centrão»
O eleitorado grego penalizou os dois maiores partidos do país que se têm alternado no poder nas últimas décadas. Em contrapartida, os comunistas do KKE subiram em percentagem e quase duplicaram a sua representação parlamentar.
Gregos penalizam políticas liberais e exigem alternativas
As legislativas antecipadas de domingo passado, dia 16, na Grécia, representaram um fiasco quer para a Nova Democracia, do primeiro-ministro, Costas Karamanlis, quer para os socialistas do PASOK, cujo líder, Georges Papandreou, não teve outro remédio se não reconhecer a derrota, colocando no próprio dia o seu cargo à disposição do partido.
Embora tenha conseguido renovar à justa o mandato governamental, a Nova Democracia falhou o seu principal objectivo, enunciado em 17 de Agosto, data em que, inesperadamente, anunciou a antecipação das eleições que, normalmente, só deveriam ter lugar em Março ou Abril do próximo ano.
Em pleno período de férias, com o país a ser consumido por violentos incêndios que provocaram mais de meia centena de mortos, havia que não dar tempo aos adversários políticos e reduzir ao máximo o período de campanha eleitoral.
O governo de Karamanlis apostava assim no factor surpresa para reforçar a sua legitimidade eleitoral, desgastada por três anos de reformas impopulares, geradoras de fortes protestos e obstinadas resistências.
Contudo, a direita grega errou nos seus cálculos e saiu enfraquecida. Em vez dos 165 deputados e 45,3 por cento dos votos obtidos em 2004, a Nova Democracia, recolhendo 41,8 por cento dos sufrágios, dispõe agora de apenas 152 parlamentares – uma maioria tangencial no hemiciclo composto por 300 assentos.
Por sua vez, o PASOK que no escrutínio anterior tinha alcançado os 40,5 por cento e 117 deputados, desceu para 38,1 por cento e 102 deputados. Em conjunto os dois maiores partidos perderam 28 deputados.
Expressão do protesto
É certo que a desastrosa gestão do combate aos incêndios agravou a má imagem do executivo. Todavia esta, que é apontada pela generalidade da imprensa internacional como «a causa» do fiasco eleitoral da Nova Democracia, não pode ser dissociada da agenda anti-social do governo, nem das poderosas movimentações de massas que se lhe opuseram com determinação.
A luta dos estudantes do superior contra a reforma privatizadora do ensino, a que se juntaram professores e pessoal não docente, foi iniciada em 2006 e prolongou-se até ao primeiro trimestre deste ano. A maioria das faculdades do país esteve ocupada e encerrada durante meses. Apesar de aprovada a lei em Março último, a batalha prossegue contra a alteração da Constituição que proíbe a criação de universidades privadas.
O mandato da Karamanlis ficou ainda marcado por importantes manifestações e greves gerais, a última das quais teve lugar em Julho. E o tom da contestação irá aumentar caso o novo governo insista nos ataques aos direitos dos trabalhadores, designadamente em matéria de segurança social, um dossier central que não ousou abrir no primeiro mandato.
A subida dos comunistas
Recusando qualquer compromisso com os partidos do «centrão» e sublinhando a absoluta identidade e continuidade das suas políticas, a mensagem do Partido Comunista Grego (KKE) encontrou eco numa parte crescente do eleitorado.
O KKE, que em 2004 tinha obtido 5,9 por cento dos votos e 12 deputados, registou uma assinalável subida para 8,1 por cento, que lhe permitiu eleger 22 deputados quase duplicando o seu grupo parlamentar.
Também a coligação Syriza, que aglutina várias formações de esquerda, designadamente o Synapismos, aumentou a sua votação para cinco por cento, elegendo 14 deputados, contra 3,2 por cento e seis lugares alcançados em 2004.
Refira-se por último que o descrédito do bipartidarismo se traduziu ainda num avanço da extrema-direita xenófoba reunida no partido Laos (Alarme Popular Ortodoxo), que pela primeira vez ultrapassou o limiar dos três por cento, elegendo 10 deputados com 3,8 por cento dos votos.
Embora tenha conseguido renovar à justa o mandato governamental, a Nova Democracia falhou o seu principal objectivo, enunciado em 17 de Agosto, data em que, inesperadamente, anunciou a antecipação das eleições que, normalmente, só deveriam ter lugar em Março ou Abril do próximo ano.
Em pleno período de férias, com o país a ser consumido por violentos incêndios que provocaram mais de meia centena de mortos, havia que não dar tempo aos adversários políticos e reduzir ao máximo o período de campanha eleitoral.
O governo de Karamanlis apostava assim no factor surpresa para reforçar a sua legitimidade eleitoral, desgastada por três anos de reformas impopulares, geradoras de fortes protestos e obstinadas resistências.
Contudo, a direita grega errou nos seus cálculos e saiu enfraquecida. Em vez dos 165 deputados e 45,3 por cento dos votos obtidos em 2004, a Nova Democracia, recolhendo 41,8 por cento dos sufrágios, dispõe agora de apenas 152 parlamentares – uma maioria tangencial no hemiciclo composto por 300 assentos.
Por sua vez, o PASOK que no escrutínio anterior tinha alcançado os 40,5 por cento e 117 deputados, desceu para 38,1 por cento e 102 deputados. Em conjunto os dois maiores partidos perderam 28 deputados.
Expressão do protesto
É certo que a desastrosa gestão do combate aos incêndios agravou a má imagem do executivo. Todavia esta, que é apontada pela generalidade da imprensa internacional como «a causa» do fiasco eleitoral da Nova Democracia, não pode ser dissociada da agenda anti-social do governo, nem das poderosas movimentações de massas que se lhe opuseram com determinação.
A luta dos estudantes do superior contra a reforma privatizadora do ensino, a que se juntaram professores e pessoal não docente, foi iniciada em 2006 e prolongou-se até ao primeiro trimestre deste ano. A maioria das faculdades do país esteve ocupada e encerrada durante meses. Apesar de aprovada a lei em Março último, a batalha prossegue contra a alteração da Constituição que proíbe a criação de universidades privadas.
O mandato da Karamanlis ficou ainda marcado por importantes manifestações e greves gerais, a última das quais teve lugar em Julho. E o tom da contestação irá aumentar caso o novo governo insista nos ataques aos direitos dos trabalhadores, designadamente em matéria de segurança social, um dossier central que não ousou abrir no primeiro mandato.
A subida dos comunistas
Recusando qualquer compromisso com os partidos do «centrão» e sublinhando a absoluta identidade e continuidade das suas políticas, a mensagem do Partido Comunista Grego (KKE) encontrou eco numa parte crescente do eleitorado.
O KKE, que em 2004 tinha obtido 5,9 por cento dos votos e 12 deputados, registou uma assinalável subida para 8,1 por cento, que lhe permitiu eleger 22 deputados quase duplicando o seu grupo parlamentar.
Também a coligação Syriza, que aglutina várias formações de esquerda, designadamente o Synapismos, aumentou a sua votação para cinco por cento, elegendo 14 deputados, contra 3,2 por cento e seis lugares alcançados em 2004.
Refira-se por último que o descrédito do bipartidarismo se traduziu ainda num avanço da extrema-direita xenófoba reunida no partido Laos (Alarme Popular Ortodoxo), que pela primeira vez ultrapassou o limiar dos três por cento, elegendo 10 deputados com 3,8 por cento dos votos.