Sopa da pedra
As pessoas em geral – a chamada «opinião pública», sempre condicionada pela opinião publicada – parecem, na maior parte das vezes, e sobretudo nos momentos eleitorais, não reconhecerem os nomes aos pratos que lhes servem, chegando mesmo a comer requentada a mesma sopa que, com outro nome, aparece nos menus. Nem parecem dar conta de que, como na história do frade, o cozinhado é enriquecido a expensas suas, enquanto o astuto religioso apenas fornece a pedra e o engano.
De tempos a tempos lá vem o mesmo rancho, designado por nome mais apetecível e colorido. Foi o caso do «capitalismo popular», que há quase duas décadas Cavaco reinventou, ressuscitando o termo que há mais de um século a burguesia vinha tentando enfiar na cabeça do povo, procurando convencer os trabalhadores e os pequenos empresários e proprietários de que toda a gente tinha a oportunidade de vir a ser um gordo capitalista. Foi também o caso da «nova» denominação da economia capitalista que, nos anos 90, se transformou em «economia de mercado».
Hoje, e desde há muitos anos, com o pretexto de que o Estado é mau para o desenvolvimento, tentam servir aos trabalhadores e ao povo a noção de que é preciso destruir os apoios sociais que estes pagam do seu magro bolso, para que tudo seja viável. De facto, tudo se revela cada vez mais viável para os ricos privados cujas fortunas aumentam exponencialmente enquanto os trabalhadores, as crianças e os idosos já viram o fundo ao tacho e só encontram lá a pedra.
A comunicação serviçal, que nos enche de informações sobre as «desavenças» no BCP, a ver se nos impinge a ideia de que somos participantes nas importantes decisões dos berardos e companhia, anuncia também que os «privados», que tão maldizem o Estado, não deixam de recorrer a ele. Com exigências. Como as que as grandes construtoras fazem hoje, reclamando obras públicas, já que a construção civil, com o mercado saturado, está pelas ruas da nossa amargura.
Não há mercado capitalista que valha uma boa planificação. Socialista. Por muito que a palavra doa aos ministros PS e aos seus aliados na política de direita. E o engano que fornecem há-de forçosamente acabar. Um dia destes.
De tempos a tempos lá vem o mesmo rancho, designado por nome mais apetecível e colorido. Foi o caso do «capitalismo popular», que há quase duas décadas Cavaco reinventou, ressuscitando o termo que há mais de um século a burguesia vinha tentando enfiar na cabeça do povo, procurando convencer os trabalhadores e os pequenos empresários e proprietários de que toda a gente tinha a oportunidade de vir a ser um gordo capitalista. Foi também o caso da «nova» denominação da economia capitalista que, nos anos 90, se transformou em «economia de mercado».
Hoje, e desde há muitos anos, com o pretexto de que o Estado é mau para o desenvolvimento, tentam servir aos trabalhadores e ao povo a noção de que é preciso destruir os apoios sociais que estes pagam do seu magro bolso, para que tudo seja viável. De facto, tudo se revela cada vez mais viável para os ricos privados cujas fortunas aumentam exponencialmente enquanto os trabalhadores, as crianças e os idosos já viram o fundo ao tacho e só encontram lá a pedra.
A comunicação serviçal, que nos enche de informações sobre as «desavenças» no BCP, a ver se nos impinge a ideia de que somos participantes nas importantes decisões dos berardos e companhia, anuncia também que os «privados», que tão maldizem o Estado, não deixam de recorrer a ele. Com exigências. Como as que as grandes construtoras fazem hoje, reclamando obras públicas, já que a construção civil, com o mercado saturado, está pelas ruas da nossa amargura.
Não há mercado capitalista que valha uma boa planificação. Socialista. Por muito que a palavra doa aos ministros PS e aos seus aliados na política de direita. E o engano que fornecem há-de forçosamente acabar. Um dia destes.