O dia do terrorismo global

Aurélio Santos
Foi numa manhã de Agosto.
Passaram 62 anos, mas esse dia não pode ser esquecido. Foi nele que, em Hiroshima, ao custo de meio milhão de vítimas, o mundo viveu a primeira operação global de terrorismo.
Os Estados Unidos pretendem apresentar o 11 de Setembro e a destruição das Torres Gémeas de Nova Iorque como início de uma época de terrorismo no mundo. É típica essa deformação psíquica da realidade pelo criminoso, para esconder os seus crimes perante si próprio.
É certo que não foram os americanos os inventores da utilização terrorista da violência sobre as populações como arma política de pressão. Mas nunca ela foi usada de forma tão brutal como arma de dominação global: é hoje indubitável que o lançamento das bombas de Hiroshima e Nagazaki não tinha qualquer interesse militar e serviu apenas como forma de chantagem política para lançamento da guerra fria.
Vi em Hanói, em hospitais, escolas, fábricas, habitações, muitas vítimas desse tipo de terrorismo que recorre ao bombardeamento e massacre de populações civis como forma de chantagem política, sinistramente iniciado em Guernica com aviões nazis, e trazida para os nossos dias com os bombardeamentos “cirúrgicos” do Iraque e da Sérvia.
Quando Bush, evocando a memória das vítimas inocentes do 11 de Setembro, se apresenta como mentor e chefe da «luta contra o terrorismo», reforçando, em nome da «civilização», o domínio mundial dos EEUU - bem podemos dizer: olha para o teu país, Bush, e para o rasto de sangue das vítimas, também elas inocentes, do percurso imperialista.
Hiroshima lembra-nos:
- os: valores da civilização humana não coincidem com aqueles que o imperialismo quer globalizar e os seus testas de ferro proclamam.


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