tra a precariedade
Mudar de política
No Seixal, Jerónimo de Sousa acusou o Governo de impedir o livre exercício do direito à greve». O secretário-geral do PCP falava no comício de encerramento da Campanha Nacional «contra a precariedade, pela defesa dos direitos e condições de vida dos trabalhadores e das populações».
Garantir uma vida melhor e um Portugal com futuro
Terminou, no dia 6 de Junho, no Salão dos Bombeiros Voluntários do Seixal, a Campanha Nacional do PCP contra a precariedade, pela defesa dos direitos e condições de vida dos trabalhadores e das populações. «Termina a campanha mas não a luta contra essa praga social do nosso tempo – a precariedade laboral», afirmou Jerónimo de Sousa.
Num comício onde participaram largas centenas de pessoas, o secretário-geral do PCP alertou para o desemprego e a liquidação dos direitos laborais e sociais, numa ofensiva sem precedentes para os trabalhadores do sector público e do sector privado.
«Nestes mais de dois anos de Governo do PS de José Sócrates é um facto indesmentível que os trabalhadores, os reformados, as classes e camadas populares viram agudizar-se todos os seus problemas e deteriorar-se as suas condições de vida», afirmou, acrescentando que «só quem não sofre as consequências desta inaceitável e injusta política pode pôr em causa a necessidade da luta e do protesto dos trabalhadores e das populações».
Lembrando as lutas e jornadas de protesto que se realizaram recentemente, Jerónimo de Sousa deu particular atenção à greve geral de dia 30 de Maio, «uma grande e corajosa luta dos trabalhadores portugueses e da sua central sindical – a CGTP-IN».
«Nesta greve geral o comportamento do Governo levanta uma questão mais funda: a da democracia! Quantos milhares de portugueses foram objectivamente impedidos de exercer um direito dos mais elementares que a Constituição da República consagra, quantos não tiveram de arriscar muito da sua vida (do seu emprego, do seu salário), fazer frente e ultrapassar o medo e as ameaças com grande coragem e dignidade particular na greve geral», acentuou, acusando o Executivo PS de mutilar «o livre exercício da democracia» e a essência do regime democrático definido na Lei Fundamental.
Direito à greve
O secretário-geral do PCP dirigiu ainda uma palavra «muito especial» para os «muitos jovens com vínculo precário, para muitas trabalhadoras e trabalhadores que arriscando para além do medo, de pressão e repressão travaram a luta por um objectivo que não estava previsto: defenderam o direito à greve exercendo-o num acto de grande consciência».
«Foi precisa muita coragem das muitas centenas de milhares de trabalhadores para enfrentar o quadro de coação que foi criado», sublinhou, lamentando «a operação de manipulação e desvalorização da greve e ataque à CGTP-IN e ao Partido como é costume».
«Se a greve teve tão pouco impacto porque é que sete governantes em missão de serviço foram a correr para os microfones abertos apresentar números que ninguém em rigor podia apresentar?», interrogou Jerónimo de Sousa, acusando o Governo e os seus cúmplices de tudo fazer «para depreciar a amplitude da luta, com números de adesão e argumentos que são cópias fiéis usados por todos os governos confrontados com greves gerais no passado. Balanços de adesões globais que os governos de serviço em cada época qualificam invariavelmente entre os 12 e os 14 por cento».
«O truque é tão velho como o homem ao cimo da terra. Repete-se uma mentira tantas vezes até se transformar numa verdade. Soltam-se os papagaios que repetem, repetem até à exaustão a mentira para que sabendo que ela será interiorizada por muitos grevistas e não grevistas e por grande parte da população, silenciando a CGTP-IN que está em condições de desmontar a aldrabice», acrescentou.
Com tudo isto, adiantou o secretário-geral do PCP, «os grandes interesses e o Governo que os suporta e lhes dá cobertura mobilizam os mais diversificados e poderosos meios para uma batalha ideológica que tem como objectivos centrais naturalizar a exploração, desvalorizar o papel central da luta e do protesto, submeter os trabalhadores aos ditames das políticas de direita, apresentadas como inevitáveis, visando restringir e liquidar direitos que foram conquistas de gerações, separar os trabalhadores do movimento sindical de classe e enfraquecer e liquidar a sua organização».
Defender os trabalhadores
Sobre esta matéria, Jerónimo de Sousa denunciou uma «linha de ataque», cada vez mais acutilante contra os sindicatos.
«A campanha ideológica ao serviço do grande capital identifica os sindicatos que defendem o direito ao trabalho com direitos como uma emanação do passado, como coisa ultrapassada e pouco moderna. Ser uma organização sindical moderna nos tempos que correm é fechar os olhos e dar livre curso às sistemáticas acções de rapina de direitos duramente conquistados pelos trabalhadores neste século que findou – o século XX das grandes lutas e das grandes conquistas sociais e políticas – no qual brotou a Revolução de Abril com o seu projecto transformador, de afirmação e dignificação do trabalho com direitos e do direito à cidadania. Querem uma CGTP-IN e sindicatos submissos, a reboque dos seus interesses egoístas, sindicatos inofensivos, incapazes de definirem e concretizarem objectivos próprios e autónomos na defesa dos trabalhadores», acusou.
Prometendo continuar a lutar em todas as frentes, o secretário-geral do PCP terminou a sua intervenção com uma mensagem de confiança, até porque «o actual caminho que a política de direita impõem não é único nem inevitável».
A luta e o protesto são inevitáveis
Jerónimo de Sousa acusou os defensores do mercado «puro e duro» de não resolver o problema do défice, aumentar os impostos de quem trabalha, diminuir os serviços de saúde e educação, «com drásticos cortes nos direitos, carreiras, emprego e estabilidade dos trabalhadores da Administração Pública».
«Foi assim que se fez com a reforma da segurança social, pondo toda a carga da chamada sustentabilidade do sistema exclusivamente em cima dos trabalhadores e dos reformados no futuro», acentuou, dando o exemplo da competitividade da economia portuguesa: «Cortar nos salários e desregular e liberalizar o mercado de trabalho, para manter e continuar a fazer crescer os escandalosos lucros da grande capital económico e financeiro».
«O que a capa da modernidade esconde e o que visa, com rótula de esquerda ou de direita ou mesmo sem rótulo é fazer regressar todos os trabalhadores ao século XIX em matéria de direitos sociais. Querem forçar todos os trabalhadores a abdicar das conquistas e avanços laborais e civilizacionais que são hoje património do mundo do trabalho e que temos obrigação de defender e salvaguardar, em nome de um presente de vida digna para todos, mas também das gerações futuras», lembrou o secretário-geral do PCP.
Face a este quadro, frisou, «a luta e o protesto são inevitáveis, porque cada dia que passa os problemas acumulam-se e a vida é cada vez mais difícil para as largas massas».
Portugal na cauda da Europa
Em Portugal o desemprego já atingiu, neste primeiro trimestre de 2007, o mais elevado valor das últimas décadas. No final de Março a taxa de desemprego subiu para 8,4 por cento, mais 9,4 por cento do que no mesmo período em 2006, com o desemprego de longa duração a ultrapassar os 50 por cento e o desemprego juvenil a chegar aos 18 por cento, mais do dobro da média nacional.
«Com este Governo do PS foi sempre a crescer a precariedade dos vínculos laborais que põem em causa a independência dos jovens e afecta fortemente a organização de vida própria e a constituição de família», afirmou Jerónimo de Sousa.
Entretanto, à precariedade das relações laborais, acrescentam-se as dificuldades que todos os dias se agravam, nomeadamente no acesso à habitação, com as taxas de juro sempre a subir. «As famílias foram obrigadas a endividar-se para ter acesso à habitação e neste último anos e meio já lá vão, se não nos enganamos, oito aumentos que são um autêntico garrote que estrangula a vida das pessoas», recordou o secretário-geral do PCP.
«É aqui que se vê o resultado de uma política económica subordinada ao Pacto de Estabilidade e aos seus critérios nominais, nomeadamente ao critério do défice das contas públicas, em detrimento do investimento público dinamizador da actividade económica», sublinhou Jerónimo de Sousa, revelando ainda que Portugal está na cauda da Europa, «cada vez mais atrasado».
Num comício onde participaram largas centenas de pessoas, o secretário-geral do PCP alertou para o desemprego e a liquidação dos direitos laborais e sociais, numa ofensiva sem precedentes para os trabalhadores do sector público e do sector privado.
«Nestes mais de dois anos de Governo do PS de José Sócrates é um facto indesmentível que os trabalhadores, os reformados, as classes e camadas populares viram agudizar-se todos os seus problemas e deteriorar-se as suas condições de vida», afirmou, acrescentando que «só quem não sofre as consequências desta inaceitável e injusta política pode pôr em causa a necessidade da luta e do protesto dos trabalhadores e das populações».
Lembrando as lutas e jornadas de protesto que se realizaram recentemente, Jerónimo de Sousa deu particular atenção à greve geral de dia 30 de Maio, «uma grande e corajosa luta dos trabalhadores portugueses e da sua central sindical – a CGTP-IN».
«Nesta greve geral o comportamento do Governo levanta uma questão mais funda: a da democracia! Quantos milhares de portugueses foram objectivamente impedidos de exercer um direito dos mais elementares que a Constituição da República consagra, quantos não tiveram de arriscar muito da sua vida (do seu emprego, do seu salário), fazer frente e ultrapassar o medo e as ameaças com grande coragem e dignidade particular na greve geral», acentuou, acusando o Executivo PS de mutilar «o livre exercício da democracia» e a essência do regime democrático definido na Lei Fundamental.
Direito à greve
O secretário-geral do PCP dirigiu ainda uma palavra «muito especial» para os «muitos jovens com vínculo precário, para muitas trabalhadoras e trabalhadores que arriscando para além do medo, de pressão e repressão travaram a luta por um objectivo que não estava previsto: defenderam o direito à greve exercendo-o num acto de grande consciência».
«Foi precisa muita coragem das muitas centenas de milhares de trabalhadores para enfrentar o quadro de coação que foi criado», sublinhou, lamentando «a operação de manipulação e desvalorização da greve e ataque à CGTP-IN e ao Partido como é costume».
«Se a greve teve tão pouco impacto porque é que sete governantes em missão de serviço foram a correr para os microfones abertos apresentar números que ninguém em rigor podia apresentar?», interrogou Jerónimo de Sousa, acusando o Governo e os seus cúmplices de tudo fazer «para depreciar a amplitude da luta, com números de adesão e argumentos que são cópias fiéis usados por todos os governos confrontados com greves gerais no passado. Balanços de adesões globais que os governos de serviço em cada época qualificam invariavelmente entre os 12 e os 14 por cento».
«O truque é tão velho como o homem ao cimo da terra. Repete-se uma mentira tantas vezes até se transformar numa verdade. Soltam-se os papagaios que repetem, repetem até à exaustão a mentira para que sabendo que ela será interiorizada por muitos grevistas e não grevistas e por grande parte da população, silenciando a CGTP-IN que está em condições de desmontar a aldrabice», acrescentou.
Com tudo isto, adiantou o secretário-geral do PCP, «os grandes interesses e o Governo que os suporta e lhes dá cobertura mobilizam os mais diversificados e poderosos meios para uma batalha ideológica que tem como objectivos centrais naturalizar a exploração, desvalorizar o papel central da luta e do protesto, submeter os trabalhadores aos ditames das políticas de direita, apresentadas como inevitáveis, visando restringir e liquidar direitos que foram conquistas de gerações, separar os trabalhadores do movimento sindical de classe e enfraquecer e liquidar a sua organização».
Defender os trabalhadores
Sobre esta matéria, Jerónimo de Sousa denunciou uma «linha de ataque», cada vez mais acutilante contra os sindicatos.
«A campanha ideológica ao serviço do grande capital identifica os sindicatos que defendem o direito ao trabalho com direitos como uma emanação do passado, como coisa ultrapassada e pouco moderna. Ser uma organização sindical moderna nos tempos que correm é fechar os olhos e dar livre curso às sistemáticas acções de rapina de direitos duramente conquistados pelos trabalhadores neste século que findou – o século XX das grandes lutas e das grandes conquistas sociais e políticas – no qual brotou a Revolução de Abril com o seu projecto transformador, de afirmação e dignificação do trabalho com direitos e do direito à cidadania. Querem uma CGTP-IN e sindicatos submissos, a reboque dos seus interesses egoístas, sindicatos inofensivos, incapazes de definirem e concretizarem objectivos próprios e autónomos na defesa dos trabalhadores», acusou.
Prometendo continuar a lutar em todas as frentes, o secretário-geral do PCP terminou a sua intervenção com uma mensagem de confiança, até porque «o actual caminho que a política de direita impõem não é único nem inevitável».
A luta e o protesto são inevitáveis
Jerónimo de Sousa acusou os defensores do mercado «puro e duro» de não resolver o problema do défice, aumentar os impostos de quem trabalha, diminuir os serviços de saúde e educação, «com drásticos cortes nos direitos, carreiras, emprego e estabilidade dos trabalhadores da Administração Pública».
«Foi assim que se fez com a reforma da segurança social, pondo toda a carga da chamada sustentabilidade do sistema exclusivamente em cima dos trabalhadores e dos reformados no futuro», acentuou, dando o exemplo da competitividade da economia portuguesa: «Cortar nos salários e desregular e liberalizar o mercado de trabalho, para manter e continuar a fazer crescer os escandalosos lucros da grande capital económico e financeiro».
«O que a capa da modernidade esconde e o que visa, com rótula de esquerda ou de direita ou mesmo sem rótulo é fazer regressar todos os trabalhadores ao século XIX em matéria de direitos sociais. Querem forçar todos os trabalhadores a abdicar das conquistas e avanços laborais e civilizacionais que são hoje património do mundo do trabalho e que temos obrigação de defender e salvaguardar, em nome de um presente de vida digna para todos, mas também das gerações futuras», lembrou o secretário-geral do PCP.
Face a este quadro, frisou, «a luta e o protesto são inevitáveis, porque cada dia que passa os problemas acumulam-se e a vida é cada vez mais difícil para as largas massas».
Portugal na cauda da Europa
Em Portugal o desemprego já atingiu, neste primeiro trimestre de 2007, o mais elevado valor das últimas décadas. No final de Março a taxa de desemprego subiu para 8,4 por cento, mais 9,4 por cento do que no mesmo período em 2006, com o desemprego de longa duração a ultrapassar os 50 por cento e o desemprego juvenil a chegar aos 18 por cento, mais do dobro da média nacional.
«Com este Governo do PS foi sempre a crescer a precariedade dos vínculos laborais que põem em causa a independência dos jovens e afecta fortemente a organização de vida própria e a constituição de família», afirmou Jerónimo de Sousa.
Entretanto, à precariedade das relações laborais, acrescentam-se as dificuldades que todos os dias se agravam, nomeadamente no acesso à habitação, com as taxas de juro sempre a subir. «As famílias foram obrigadas a endividar-se para ter acesso à habitação e neste último anos e meio já lá vão, se não nos enganamos, oito aumentos que são um autêntico garrote que estrangula a vida das pessoas», recordou o secretário-geral do PCP.
«É aqui que se vê o resultado de uma política económica subordinada ao Pacto de Estabilidade e aos seus critérios nominais, nomeadamente ao critério do défice das contas públicas, em detrimento do investimento público dinamizador da actividade económica», sublinhou Jerónimo de Sousa, revelando ainda que Portugal está na cauda da Europa, «cada vez mais atrasado».