Enrascadas, «barómetro» e intimidação

Carlos Gonçalves
Escrevo quando faltam 36 horas para o arranque da Greve Geral. Por isso se relevam os efeitos desta grande batalha de massas (mesmo já antes de acontecer), que (re)comprovam que a luta vale a pena e que é possível, além de indispensável, alterar a situação; e que o conformismo é expressão e obra de interesses de classe adversos aos trabalhadores e à grande maioria do nosso povo.
Estes últimos dias puseram a nu as dificuldades do Governo. A Greve Geral, à medida que esclareceu e mobilizou, passou a pesar cada vez mais nas suas preocupações. A concretização das políticas de direita, conforme a agenda e o «timing» do grande capital - que constituem o miolo e quotidiano da acção deste Governo -, tornou-se um factor do seu descrédito de massas e um elemento objectivo de mobilização para a Greve Geral.
O mais essencial da política concreta do Governo, apresentado (ou omitido) de manhã com toda a «normalidade», passou a ser corrigido à tarde, adiando, dando o dito por não dito, ou simplesmente manipulando, e tudo isto – é claro - com toda a desfaçatez. De manhã a Delphi vai despedir 700 trabalhadores, à tarde ficam mais dois meses; de manhã a progressão na Administração Pública vai continuar bloqueada, à tarde já não, (há uma pequena alteração); de tarde vai avançar a liberalização dos despedimentos, na manhã seguinte vai «continuar proibida» (é «só clarificar» a justa causa e «agilizar» a disciplina), etc..
A «Central de Comunicação» não é um «mito». As suas dificuldades resultam de que já não é fácil esconder as políticas de direita e os seus desastrosos efeitos. Mas funciona e a tempo inteiro, para corrigir as enrascadas em que o Governo PS/Sócrates está entalado pela perspectiva duma grande Greve Geral. É só reparar no «barómetro DN-TSF-Marktest» - o mesmo que ajudou a fabricar a vitória de Cavaco e cujos métodos permanecem -, que fez constar que o Governo «se cifra nos 47%» e que «a CDU desce 5%». Ou seja, um apelo ao conformismo, em vez da luta. E votado ao fracasso.
E há ainda o ataque sem precedentes ao direito de greve - «serviços mínimos», «arbitragens» e o mais que se verá dia 30. É uma enorme ofensiva de intimidação contra os interesses e direitos dos trabalhadores – que também será derrotada.
No fundo, a intervenção do Governo torna evidente que esta é já uma grande Greve Geral e um passo enorme para Mudar de Rumo em Portugal.


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